Nove Desconhecidos é melhor não se levando a sério - só precisa descobrir isso

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Nove Desconhecidos é melhor não se levando a sério - só precisa descobrir isso

Primeiros três episódios da série com Nicole Kidman chegam sexta-feira (20) à Amazon

Caio Coletti
17.08.2021
14h19
Atualizada em
17.08.2021
14h46
Atualizada em 17.08.2021 às 14h46

Os três primeiros episódios de Nove Desconhecidos, do Amazon Prime Video, rendem uma mão cheia de boas gargalhadas. Seja pelo sotaque russo propositalmente flutuante de Nicole Kidman (“Eu quero f*der com a cabeça de todos vocês”, diz ela em um dos ganchos de fim de capítulo mais divertidos dos últimos tempos), pela química inegável entre Melissa McCarthy e Bobby Cannavale ou pela tagarelice quase irritante de Michael Shannon, Nove Desconhecidos quer muito ser uma comédia rasgada.

Talvez por isso seja um pouco frustrante que a série não consiga se entregar totalmente a este impulso. Herdando dramas e temas sérios do livro de Liane Moriarty, mas doida para se deliciar nas excentricidades das criaturas que os carregam, a série conduzida por David E. Kelley (Big Little Lies) e John-Henry Butterworth (No Limite do Amanhã) não consegue, ao menos nestes capítulos iniciais, encontrar o equilíbrio certo entre os dois lados da moeda.

A trama acompanha, como entrega o título, nove desconhecidos que se juntam para uma semana no spa/retiro espiritual Tranquillum House. Cada um deles carrega um fardo, um arrependimento, um descontentamento - e cada um deles foi escolhido a dedo por Masha (Kidman), a misteriosa diretora do local, que aceita menos de 10% dos que se inscrevem para participar do retiro.

Na modulação hábil de Kelley, que sempre foi um satirista social afiado - como podem atestar os fãs de Ally McBeal e Boston Legal -, a Tranquillum é uma mistura familiar de enganação pseudocientífica (à la Goop, de Gwyneth Paltrow) e culto religioso com implicações psicossexuais arrepiantes. Kidman entende a deixa e faz de Masha uma guru distintamente teatral, uma mulher construída por fachadas em cima de fachadas, mas com um senso de autodeterminação feroz escondido por trás de todas elas.

Para usar um chavão antigo, Masha está aqui para confundir, não para explicar. Ela provoca, cutuca e antagoniza os seus convidados enquanto os incentiva a se desfazerem de suas camadas de polidez social. Quando está rondando os seus personagens dessa forma, ofuscando-se em brincadeiras conceituais, Nove Desconhecidos pode se mostrar um pedaço de entretenimento excelente. Pena que a série por vezes sinta a necessidade de deixar esse espírito para trás para “mergulhar fundo” nos dramas de cada um dos nove desconhecidos do título. 

É um instinto equivocado. Não é preciso se levar tão a sério para transmitir uma mensagem emocional real e envolvente, como essa história claramente quer fazer. Um bom exemplo recente disso é The White Lotus, da HBO, outra série sobre um grupo de ricaços com sérios problemas de relacionamento passando uma temporada em um resort de luxo. A comparação é inevitável, mesmo que seja só pelo timing do lançamento - e, nessa dividida de bola, Nove Desconhecidos sem dúvida sai perdendo.

Os três primeiros episódios da série serão lançados no Amazon Prime Video na sexta-feira (20), com lançamentos semanais completando a temporada de oito episódios até 22 de setembro.

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