One Night in Miami

Créditos da imagem: Amazon/Divulgação

Amazon Prime Video

Crítica

One Night in Miami

Estreia de Regina King na direção propõe um suspense de argumentações

Patrícia Dantas
16.10.2020
09h33
Atualizada em
20.10.2020
10h43
Atualizada em 20.10.2020 às 10h43

Imaginem um encontro histórico entre quatro ícones afro-americanos no auge do movimento civil nos Estados Unidos. Partindo dessa premissa, One Night in Miami relata a noite fictícia em 1964 na qual Cassius Clay (Eli Goree), que logo adotaria o nome Muhammad Ali, derrota o campeão dos pesos-pesados ​​Sonny Liston no Miami Convention Hall. Ele então junta três amigos, o ativista Malcolm X (Kingsley Ben-Adir), o cantor e lenda do soul Sam Cooke (Leslie Odom Jr.) e o jogador de futebol americano Jim Brown (Aldis Hodge), para celebrar a vitória.

O que prometia ser uma grande festa num quarto de hotel acaba se tornando uma noite de reflexão regada a sorvete e debates acalorados sobre questões raciais. O filme é baseado na peça homônima premiada de Ken Powers, que também assina o roteiro, e marca a estreia de Regina King na direção. Vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante por Se a Rua Beale Falasse em 2019, King vem de sua vitória recente no Emmy por Watchmen, o quarto papel a lhe dar o prêmio principal da TV americana - nenhuma outra atriz afroamericana chegou a esse patamar até hoje.

King chega com esse gabarito a One Night in Miami, e mostra que atua com maestria também por trás das câmeras. Dando exemplos de racismo sofrido por essas próprias figuras logo no início do longa, ela explica o contexto da época e confere o tom da narrativa a seguir. Mais do que discutir ambições pessoais e o que farão a seguir em suas respectivas carreiras, Clay, Brown, Cooke e Malcom ponderam sobre como podem usar sua voz para ajudar a causa de direitos civis. São pessoas completamente diferentes com argumentos completamente diferentes, o que coloca o espectador na ponta da poltrona num suspense que se dá essencialmente nas trocas de argumentação, na expectativa pela próxima opinião.

Os diálogos são bastante intensos e levam a refletir que a questão racial é um assunto complexo, impossível de ser resumido a um único ponto de vista. One Night in Miami mostra um debate sobre um momento crucial na sociedade americana - Malcolm X seria assassinado no ano seguinte, em 1965 - e que continua a ressoar com os dias de hoje. E a canção "A Change is Gonna Come", de Sam Cooke, também continua a ser o hino da luta por um futuro melhor com que tanto sonhamos.

Exibido neste mês da Consciência Negra como parte do Festival de Cinema de Londres, o longa-metragem estará disponível a partir de 15 de janeiro de 2021 no Amazon Prime Video. É aquele tipo de filme que vale a pena ver mais de uma vez para obter o efeito completo. Com atuações poderosas do elenco masculino, não seria nenhuma surpresa ver algumas indicações ao Oscar para o título na próxima temporadas de premiações.

One Night in Miami
One Night in Miami
One Night in Miami
One Night in Miami

Ano: 2020

País: Estados Unidos

Duração: 110 min

Direção: Regina King

Roteiro: Kemp Powers

Elenco: Kingsley Ben-Adir, Leslie Odom Jr., Aldis Hodge, Eli Goree

Nota do Crítico
Ótimo

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