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Artigo

O nome dele é Bond. James Bond. PARTE 2

De 007 Contra o Homem da Pistola de Ouro a 007 Quantum of Solace

Hessel. Marcelo Hessel.
05.10.2012
10h49
Atualizada em
29.06.2018
02h23
Atualizada em 29.06.2018 às 02h23

Leia a primeira parte desta série, aqui.


007 Contra o Homem da Pistola de Ouro

(The man with the golden gun), de Guy Hamilton, 1974

Um dos últimos romances de Fleming, cujo rascunho foi publicado postumamente, em 1965. Na história, Bond (Moore) é enviado à China e à Tailândia para investigar uma suposta engenhoca letal que utiliza energia solar. O espião acaba atraído à exótica ilha de Francisco Scaramanga (Christopher Lee), um excêntrico milionário, colecionador de bizarrices - como um auxiliar anão, Nick Nack (Herve Villechaize), conhecido anos depois como o Tattoo de Ilha da Fantasia. Inicialmente, o papel do vilão Scaramanga foi oferecido a Jack Palance, mas Lee, primo de Fleming, levou o páreo. Assim, os fãs puderam assistir a um desempenho brilhante do ator.

A personalidade do vilão se revela no final, quando o espião finalmente chega à ilha e é bem recebido por Scaramanga, um admirador de 007. Lee demonstra bem a dualidade do personagem, um anfitrião exemplar, mas também um assassino meticuloso, perito em disparos com a arma do título - uma aparato de pequeno porte, que não atirava de verdade, composto pela equipe técnica de uma caneta esferográfica, um porta-cigarros, um isqueiro e uma abotoadura. As balas eram de ouro puro, confeccionadas em Macau. O duelo final entre os dois protagonistas é o ponto alto do filme.

Acessórios: uma câmera fotográfica lança-foguetes (no laboratório de Q), um mamilo de mentira (da mesma categoria da impressão digital remomível) e um rastreador.

Bond-girls: Maud Adams (1 transa) e Britt Ekland (1 transa).


Christopher Lee, como Scaramanga


O Espião Que Me Amava

(The spy who loved me), de Lewis Gilbert, 1977

Um dos pontos altos da série, a película toma certas liberdades em relação ao romance original, escrito por Ian Fleming em 1962. No livro, de maneira inédita, a narrativa tem o ponto-de-vista da heroína. James Bond aparece pela primeira vez apenas na segunda metade da história.

No filme, o equilíbrio volta à norma regular: Barbara Bach faz uma espiã russa (cuja identidade secreta é XXX), que pretende matar Bond (Roger Moore), para se vingar da morte de seu namorado, mas, seduzida, acaba ajudando 007 na busca de dois submarinos nucleares, um russo e um norte-americano, roubados pelo megalomaníaco Karl Stromberg (Curt Jürgens) e escondidos em uma formidável fortaleza submersa.

Com boas cenas de ação, como a seqüência de abertura numa montanha de esqui, ou a perseguição automobilística que se transforma em subaquática, o filme deixa de lado a linha bem-humorada que marca os filmes de Moore. E mais. Com uma canção marcante, Nobody does it better, cantada por Carly Simon, mais um vilão carismático, o gigantesco Jaws, O espião que me amava tornou-se um campeão da Sessão da tarde.

O norte-americano Richard Kiel, com seus 2,30m, ainda retornaria mais uma vez ao papel de Jaws, o capanga com dentes de aço que morde tubarões, mas acaba pendurado pela mandíbula em um imã gigante. Detalhe: Kiel utilizava a dentadura metálica apenas quando a personagem abria a boca, uma vez que os dentes eram tão dolorosos que o ator não conseguia suportar mais que trinta segundos com eles.

Acessórios: uma Lotus Esprit (que se transforma em submarino), um relógio com receptor de mensagens escritas, 2 em 1 - suporte de esqui e pistola, um ampliador portátil de micro-filmes, um cigarro que emite gás atordoante, um jet ski (conhecido na época como wet bike), um narguilé (aqueles cachimbos árabes enormes) que se transforma em metralhadora (no laboratório de Q), uma bandeja de chá que corta cabeças (no laboratório de Q), uma cadeira ejetora (no laboratório de Q) e um disparador de concreto líquido (no laboratório de Q).

Bond-girls: Barbara Bach (também conhecida como a Sra. Ringo Starr, 2 transas).


Barbara Bach


007 Contra o Foguete da Morte

(Moonraker), de Lewis Gilbert, 1979

Apesar do sucesso nas bilheterias (orçamento de 30 milhões de dólares e 200 milhões de lucro), é considerado por muitos como um dos piores filmes de Bond, devido ao excesso de situações engraçadinhas e à trama mirabolante - um exagero até para o padrão da franquia.

Foi escolhido como o lançamento da vez devido ao sucesso de tramas intergalácticas como Guerra nas estrelas (Star wars, de George Lucas, 1977) e Contatos imediatos de terceiro grau (Close encounters of the third kind, de Steven Spielberg, 1977). Desta vez, Bond (Moore) passa pelo Rio de Janeiro, pela Amazônia, e, pela primeira vez, alcança o espaço, onde luta contra o lunático milionário Hugo Drax (Michael Lonsdale) para destruir a terrível arma do título e evitar um genocídio na Terra.

Jaws retorna devido aos insistentes pedidos dos fãs da série. Aqui, ele é contratado por Drax para substituir Chang (Toshiro Suga), o capanga morto por Bond. Um dos encontros entre os rivais é clássico. O espião duela contra Jaws em pleno bondinho do Pão-de-Açucar, de onde o vilão sai combalido e apaixonado por uma ruiva de aparelhos nos dentes, Dolly (Blanche Ravalec). No final do filme, Dolly é responsável pela comoção do brutamontes, que acaba ajudando Bond a escapar do Foguete da Morte.

Acessórios: uma lancha, um lança-dardos de pulso, um porta-cigarros com decifrador de combinação de cofre, uma câmera fotográfica em miniatura, um relógio explosivo, boleadeiras explosivas (no laboratório de Q), um manequim com metralhadora escondido debaixo de um suposto chicano tirando uma sesta com sombrero (no laboratório de Q) e uma pistola de laser portátil (no laboratório de Q).

Bond-girls: Corinne Clery (1 transa) e Lois Chiles (2 transas).


O retorno de Jaws


Somente Para Seus Olhos

(For your eyes only), de John Glen, 1981

No décimo-segundo filme, os produtores da franquia decidiram deixar de lado os acessórios fantasiosos e os efeitos grandiosos e voltar às raízes, ao velho thriller e aos vilões humanos dos tempos de Sean Connery. Assim, um Roger Moore mais sério retoma a luta contra os soviéticos, para reaver um artefato perdido em um naufrágio, que controla as coordenadas de ataque dos submarinos ocidentais. Ao seu lado, o espião conta com Melina Havelock (Carole Bouquet) uma mulher em busca de vingança pela morte de seu pai.

O tratamento de 007 em relação às mulheres serve como um exemplo para essa postura mais madura. Primeiro, em certa passagem, Bond visita o túmulo de sua mulher, Tracy Draco, assassinada por Ernst Blofeld, uma referência a 007 a serviço secreto de Sua Majestade, de 1969. Em seguida, recusa-se ostensivamente a transar com a patinadora Bibi (Lynn-Holly Johnson), uma típica bond-girl com dois neurônios, apesar das insistentes investidas da moça. O fato do ator Bernard Lee (1908-1981), intérprete do chefe M desde o início da franquia, ter morrido durante a pré-produção, acentua ainda mais o tom sóbrio de Somente para seus olhos.

Acessórios: uma Lotus Turbo, um gravador em miniatura, um relógio digital com rádio-comunicador, uma besta (utilizada por Melina), um disparador de braço de gesso (no laboratório de Q) e um guarda-chuva com varetas afiadas (no laboratório de Q).

Bond-girls: Lynn-Holly Johnson (nenhuma), Cassandra Harris (1 transa) e Carole Bouquet (1 transa).


Gesso com disparador


007 contra Octopussy

(Octopussy), de John Glen, 1983

O tom mais realista do filme anterior parece não ter agradado tanto os fãs. Voltam os vilões misteriosos e excêntricos, personificados na figura de Octopussy (Maud Adams), uma contrabandista que utiliza um exótico circo como fachada de suas operações ilegais, que envolvem um brilhante roubado, um milionário indiano e um general russo interessado na Terceira Guerra Mundial. Graças à justificativa do picadeiro, um elenco de capangas bizarros aparece para eliminar o agente, desde um brutamontes de esmigalha dados, passando por gêmeos atiradores de facas, até um homem com seu letal iô-iô.

Como curiosidades, 007 contra Octopussy marca a primeira participação de Q como um ativo agente durante uma missão. Traz, também, Robert Brown como M, papel que exercerá até 1989. Na era de Pierce Brosnan, Judi Dench assume a chefia do Serviço Secreto.

Acessórios: um balão, um mini-jato Acrostar, uma maleta com compartimento secreto, um relógio digital com rastreador, uma caneta com ácido solvente, um barco disfarçado de crocodilo, um relógio com câmera e tela de cristal líquido, uma corda indiana controlada por controle remoto (no laboratório de Q) e um batedor de porta que aciona uma abertura repentina e esmagadora (no laboratório de Q).

Bond-girls: Kristina Wayborn (1 transa), Maud Adams (3 transas).


Crocodilo submarino


Nunca Mais Outra Vez

(Never say never again), de Irvin Kershner, 1983

Durante a temporada de 1983, 007 contra Octopussy teve um adversário incomum nas bilheterias: o próprio James Bond.

Como saldo de sua vitória nos tribunais pelos direitos de 007 contra a chantagem atômica, Kevin McClory ganhou o direito de refilmá-lo. Assim, a película não consta da franquia oficial, mas a presença de Sean Connery no papel principal faz da fita uma citação obrigatória. Na época, o ator escocês aceitou interpretar o agente por 5 milhões de dólares e por total autonomia nas decisões da produção. Como havia dito em 1971 que nunca mais retornaria à personagem, ficou acertado que o título seria renomeado como Never say never again.

A trama central se repete, mudam os atores. Claudine Auger fazia a bond-girl Domino, agora chamada Domino Patachi (Kim Basinger); Adolfo Celi interpretava Emilio Largo, o segundo homem da S.P.E.C.T.R.E., agora conhecido como Maximillian Largo (Klaus Maria Branduer). Q, W e Moneypenny estão presentes, mas a canção título e a seqüência de abertura ficam de fora, assim como o martini agitado ou a apresentação Bond, James Bond. No fim das contas, mesmo com a direção do talentoso Kershner (de O Império Contra-Ataca), o filme vale por seu caráter grotesco: um Connery grisalho, acima da idade, e uma participação inusitada de Rowan Atkinson, o Mr. Bean.

Acessórios: uma motocicleta Rocket, um explosivo com detonador por controle remoto, uma caneta com mini-foguete, um beep que atrai tubarões, um relógio com laser, e um míssil com compartimento para uma pessoa e plataforma voadora.

Bond-girls: Barbara Carrera (1 transa), Prunella Gee (1 transa) e Kim Basinger (1 transa).


Sean Connery, grisalho, volta a viver o agente 007


007 na Mira dos Assassinos

(A view to a kill), de John Glen, 1985

Roger Moore, o Bond recordista de atuações, com sete oportunidades, diz adeus à série em meio a grandes saltos: pula de desfiladeiros com seu snowboard, pula da Torre Eiffel e... pula da Golden Gate de São Francisco. Moore afasta-se devido à sua idade já avançada, mas duela com energia contra dois vilões de primeira linha, Christopher Walken, no papel de um magnata da informática, e sua truculenta segurança, interpretada pela modelo e cantora Grace Jones.

Na trama, Max Zorin (Walken) planeja destruir seus concorrentes do Vale do Silício, na Costa Oeste dos Estados Unidos, com um grande terremoto, ao som de Duran Duran, o grupo escalado para compor a canção-título do filme.

Acessórios: uma lancha em forma de iceberg, um rastreador de microchips, um mini-robô de estimação (no laboratório de Q), 2 em 1 - barbeador elétrico e detector de escutas, um óculos com ajuste para ver através de vidros fumê e espelhados, um copiador de cheques, uma câmera acoplada em um anel, e um abridor de trancas no formato de cartão-de-crédito.

Bond-girls: Grace Jones (1 transa), Tanya Roberts (1 transa) e Fiona Fullerton (1 transa).


Grace Jones


007 Marcado para Morrer

(The living daylights), de John Glen, 1987

O galês Timothy Dalton já era cogitado para assumir o papel de James Bond desde o primeiro afastamento de Sean Connery, em 1969. No entanto, Dalton era considerado jovem demais. Para seu azar, conseguiu o papel em um momento histórico difícil para o agente secreto. A série atravessava uma crise criativa, a Guerra Fria não rendia mais histórias como antes e, para dificultar ainda mais a vida de 007, o sexo livre havia perdido espaço na era da AIDS. Em meio à nova monogamia, Dalton ofereceu uma interpretação mais humana, mais reflexiva, sem o charme ou o humor do espião intocável e infalível dos anos anteriores.

Na trama, Bond agora precisa ajudar um ex-general da KGB, Georgi Koskov (Jeroen Krabbé), a chegar à Inglaterra, enquanto a assassina Kara (Maryam dAbo) tenta sabotar a investida. No entanto, o agente acaba surpreendido por algumas reviravoltas que o colocam na prisão, no centro de uma intriga internacional e na mira dos soviéticos. Apenas em 2002, quando sofre a tortura dos norte-coreanos de Um novo dia para morrer, James Bond passaria por penúria semelhante.

Acessórios: um Aston Martin V8 Volante, um rifle Walther WA-2000, binóculos de bolso, um módulo de viagem tubular trans-Sibéria, 2 em 1 - rastelo e detector de armas, garrafas de leite explosivas, chaveiro 3 em 1 - explosivo plástico, emissor de gás atordoante e abridor de trancas, um micro-system com lança-foguetes (no laboratório de Q) e um sofá que engole pessoas (no laboratório de Q).

Bond-girls: Myriam dAbo (2 transas).


Leite explosivo


Permissão para Matar

(Licence to kill), de John Glen, 1989

O primeiro filme de Bond cujo título não remete a nenhum dos romances de Ian Fleming, mas a um conto criado originalmente para uma série de Televisão de 007, que nunca saiu do papel. Aliás, o título pode parecer redundante, uma vez que os 00 de Bond já configuram a tal licença. Todavia, na verdade, resume bem o espírito do filme, um dos mais violentos da franquia, em que a trama resume-se à vingança do espião contra aqueles que mataram a esposa de seu melhor amigo, o agente norte-americano Felix Leiter, introduzido na série em 1962 e presente em outros seis episódios.

Destaque para os vilões: o barão mexicano do tráfico Franz Sanchez, interpretado por Robert Davi (mais conhecido como o mais velho dos irmãos Fratelli em Os Goonies), e seu assassino Dario, interpretado pelo ainda desconhecido Benicio Del Toro.

Depois de Permissão para matar, a série atravessou um ocaso de seis anos, devido ao fracasso nas bilheterias, a outra discussão judicial entre os realizadores e à morte do roteirista Richard Maibaum (1909-1991), responsável pela adaptação de outros doze episódios.

A falta de opções para substituir o astro Dalton, recebido friamente pelos fãs, também serviu para atrasar a volta de Bond às telas. Dalton, inclusive, teria o direito contratual de vestir o terno por uma terceira vez, mas decidiu abandonar o espião. Mais tarde, o ator teria sucesso em papéis de vilão, como em The Rocketeer (de Joe Johnston, 1991). Permissão para matar é também o último dirigido por Glen, o cineasta com maior número de participações, cinco ao todo.

Acessórios: um rifle com assinatura (que só pode ser usado pelo dono), um disfarce de arraia, um tubo de pasta-de-dente com explosivo plástico, uma vassoura com transmissor escondido, um relógio-despertador explosivo (no laboratório de Q) e uma Polaroid com laser que tira fotografias em raio-x (no laboratório de Q).

Bond-girls: Carey Lowell (1 transa) e Talisa Soto (1 transa).


James Arraia Bond


007 Contra GoldenEye

(GoldenEye), de Martin Campbell, 1995

Curiosamente, Pierce Brosnan já havia sido sondado para substituir Moore em 1987, mas obrigações contratuais com a série de TV Remington Steele impediram a negociação. Aqui, ele supera uma lista de pretendentes que vai de Mel Gibson a Hugh Grant. Para a sua sorte, Brosnan evita a crise dos anos 80 e pega a série em um momento de grande expectativa. E para a sorte da franquia, o ator consegue combinar o humor de Moore, o estilo de Connery - e, quando necessário, até mesmo o lado sombrio, o espírito implacável de Dalton.

GoldenEye é o primeiro filme da série totalmente original. Sua trama não se relaciona com nenhum texto prévio de Ian Fleming. A Guerra Fria já havia terminado, mas resquícios do duelo entre o Serviço Secreto Britânico e os soviéticos servem como base para a história. Aqui, a Máfia Russa, personificada pela bela e letal Xenia Onatopp (Famke Janssen), tenta controlar o satélite do título (cujo nome foi tirado da casa à beira mar que Fleming mantinha na Jamaica), capaz de emitir impulsos que destroem aparelhos eletrônicos. Além de impedir a devastação, Bond precisa lidar com o temível Alec Trevelyan (Sean Bean), um vilão de dupla identidade, conhecido no início do filme como o agente 006 e supostamente alvejado pelos russos. Bean, aliás, realizou testes em 1987 para o papel de Bond em Marcado para morrer.

Na década do politicamente correto, M agora é interpretado por uma mulher, a talentosíssima Judi Dench. No script, o verdadeiro nome de M é Barbara Mawdsley. A decisão, porém, causa uma incongruência na franquia, uma vez que o nome verdadeiro do chefe do Serviço Secreto é Myles, como mostram uma rápida passagem de O Espião que me amava e também os romances originais, em que a personagem se chama Almirante Sir Myles Messervy.

Acessórios: uma BMW Z3, uma pistola com laser e com gancho de rolagem automática para escalada, um relógio Omega Seamaster com laser e com detonador de minas explosivas, um cinto de couro com cabo de aço acoplado à fivela, uma câmera fotográfica com transmissor de dados, uma caneta Parker granada C-4, uma perna engessada falsa que lança foguetes (no laboratório de Q), uma cabine de telefone com air-bag interno (no laboratório de Q) e 2 em 1 - baixela de prata e scanner raio-x de documentos (no laboratório de Q).

Bond-girls: Serena Gordon (1 transa), Izabella Scorupco (3 transas) e Famke Janssen (nenhuma, por precaução).


Famke Janssen


O Amanhã Nunca Morre

(Tomorrow never dies), de Roger Spottiswoode, 1997

O título original do filme seria O amanhã nunca mente (Tomorrow never lies), condizente com a conduta do vilão da trama, um lunático magnata das comunicações, Elliot Carver (Jonathan Pryce), que planeja forjar acontecimentos e iniciar uma guerra entre a Inglaterra e a China, apenas para poder cobrir a batalha com exclusividade nos veículos de sua rede via satélite. Segundo um certo folclore, porém, o título foi trocado devido a um erro de tipografia em um fax, quando o script ainda estava nos rascunhos, e ficou assim até o fim.

Esse é o único caso de confusão em um filme meticuloso, do ponto de vista técnico. O número de efeitos digitais é o dobro do utilizado em 1995, e a quantidade de acessórios de Bond (Brosnan) também excede o número normal da série. Para completar, Michelle Yeoh, no papel da agente chinesa Wai Lin, dispensou dublês em boa parte das suas participações, fazendo uma bond-girl de primeira linha. Quinze BMWs foram destruídas durante as filmagens, para se ter idéia do tamanho da ação.

Acessórios: uma BMW 750i; uma pistola Walther P99; uma câmera de vídeo com link; um isqueiro granada; um relógio Omega Seamaster com detonador, um celular Ericsson com anti-travas, descarga de 2 mil volts, scanner de impressões digitais e controle remoto da BMW com tela de cristal líquido; um dragão que cospe fogo (no escritório de Wai Lin); um assento ejetor (no escritório de Wai Lin) e um leque que atira uma rede (no escritório de Wai Lin).

Bond-girls: Cecile Thomsen (1 transa), Teri Hatcher (1 transa) e Michelle Yeoh (1 transa).


Teri Hatcher


O Mundo não é o Bastante

(The world is not enough), de Michael Apted, 1999

A seqüência de abertura, uma perseguição pelo Rio Tâmisa e pelas ruas de Londres, em que foram utilizados 35 lanchas, é a mais longa da série, com quinze minutos. Ao som da canção-título do Garbage, agora Bond (Brosnan) precisa proteger Elektra King (Sophie Marceau), a suspeitíssima filha de um magnata do petróleo, assassinado pelo terrorista Renard (Robert Carlyle), um homem que perdeu a sensibilidade, e o sentido da dor, ao levar um tiro no crânio.

O décimo-nono filme da série vale a pena por ilustrar bem o maior talento de Brosnan: a versatilidade. Em anos anteriores, muitos episódios eram marcados só pelo humor, ou pela ação, ou pela violência. Aqui, apesar da fraca história, James Bond age como manda a regra e faz de tudo um pouco. Em um momento, conta as piadas de praxe, em outro, não pensa duas vezes antes de atirar na vilã Elektra, a primeira mulher que 007 leva para a cama e depois mata a sangue frio.

Aliás, se a era de Brosnan carecia de um vilão mais marcante, Sophie e Carlyle dão conta do recado e colocam as suas personagens na exigente antologia dos malvados. Em contrapartida, Denise Richards serve de colírio para os olhos, mas a limitação dramática compromete a participação da bond-girl.

Uma espécie de premonição macabra marca a produção. Pela primeira vez, o perito Q (Desmond Llewelyn, recordista presente em dezessete filmes da série) ganha um auxiliar em seu laboratório, R (John Cleese). Infelizmente, Llewelyn faleceu em um acidente de carro, quando já cogitava aparecer na vigésima produção. Em Um novo dia para morrer, Cleese assumiria o papel de Q.

Acessórios: uma BMW Z8, uma lancha, uma Walther P99 (explosiva, com dispositivo de acionamento na armação de um óculos), uma jaqueta de esqui que engole o usuário e o protege como uma bolha, um relógio Omega Seamaster com iluminação em locais escuros e com gancho de rolagem automática para escalada, um óculos de raio-x, um abridor de trancas no formato de cartão-de-crédito e uma gaita-de-fole com metralhadora e lança-chamas (no laboratório de Q).

Bond-girls: Sophie Marceau (1 transa) e Denise Richards (1 transa).


Gaita-de-Foles metralhadora e lança-chamas


Um Novo Dia Para Morrer

(Die another day), de Lee Tamahori, 2002

O filme começa com a invasão de uma base militar na Coréia por um time de agentes secretos. Depois de um acirrado combate, o 007 (Pierce Brosnan pela quarta vez) acaba preso. Começam então os créditos iniciais, com silhuetas de mulheres perfeitas e a música tema. O diretor Lee Tamahori (Na teia da aranha) usa a estrutura para mostrar Bond sofrendo torturas diversas (por uma linda carrasca oriental), enquanto Madonna (que faz uma ponta no filme) canta Die Another Day. Depois de 14 meses de sofrimento, o espião é trocado por Zao (Rick Yune), prisioneiro do serviço secreto britânico. Bond é acusado de traição por seus compatriotas e começa a aventura para limpar seu nome.

Em homenagem aos 40 anos da série no cinema, Tamahori encheu a história de referências ao passado da série, como quando Jinx (Halle Berry) sai da água de maneira idêntica à Ursula Andress em 007 contra o satânico Dr. No (Dr. No, 1962). Tem ainda o aparato de raios laser que lembra o utilizado em 007 contra Goldfinger (Goldfinger, 1964) e a cena em que Bond aparece segurando o livro Birds of the west indies, publicação de onde Ian Fleming - o criador do personagem - pode ter tirado seu nome. A sequência mais divertida acontece no depósito de Q (John Cleese), que mostra os aparatos do herói durante sua vida cinematográfica. Leia a crítica completa.

Acessórios: Relógio laser, anel sônico e blindagem invisível para o carro.

Bond-girls: Rosamund Pike (1 transa) e Halle Berry (2 transas).

Leia crítica completa


Cassino Royale

(Casino Royale), de Martin Campbell, 2006

O 21º longa-metragem apresenta Daniel Craig no papel e dá um novo tom à franquia. O filme conta os primeiros dias do agente no MI-6, com Bond sendo o sétimo espião promovido ao status de 00, licença para matar. A sequência inicial, em preto e branco, mostra como o agente conseguiu os dois zeros que configuram a promoção.

Após uma perseguição inicial no melhor estilo Parkour, em Madagascar, e uma passagem pelas Bahamas, Bond conhece o inimigo da vez: Le Chiffre (Mads Mikkelsen), o financiador de uma célula terrorista. Depois de frustrar os planos do vilão que chora sangue, impedindo um ataque terrorista no lançamento de um protótipo no aeroporto de Miami, 007 segue para Montenegro, onde enfrentará Le Chiffre em uma mesa de pôquer. O agente é acompanhado por Vesper Lynd (Eva Green), a agente do tesouro que supervisionará a operação (e eventualmente roubará o coração de James Bond).

Com mais de US$ 594 milhões em bilheteria, a maior arrecadação da franquia até então, Cassino Royale estabeleceu um novo padrão para o personagem no cinema. Menos frívolo, mais severo, irônico e brutal - leia a crítica completa.

Acessórios: O clássico Aston Martin DB5 e o novo Aston Martin DBS V12 (equipado com diversas armas e equipamentos, incluindo um kit de primeiro-socorro high-tech com antídotos e um desfibrilador portátil, celular Sony Ericsson K800 com um sofisticado GPS e uma super câmera, Microchip de localização (implantado no braço do 007. Um equipamento similar é plantado no inalador de Le Chiffre), relógio Omega e chaveiro explosivo.

Bond-girls: Caterina Murino (nenhuma) e Eva Green (2 transas).

007 - Cassino Royale - Crítica


Quantum of Solace

(Quantum of Solace), de Marc Forster, 2008

Daniel Craig, consolidado como o novo 007, retorna para o 22º filme de James Bond, uma continuação direta de Cassino Royale.

A história começa, na Itália, no final de Cassino Royale, e roda o mundo, passando pelo Haiti, Áustria, Inglaterra e Bolívia, em busca dos culpados pela morte de Vesper Lynd (Eva Green). No caminho, encontra Camille (Olga Kurylenko), que está em sua própria cruzada vingativa. O vilão da vez é Dominic Greene (Mathieu Amalric), membro da organização Quantum, que faz pose de ambientalista e  planeja um golpe militar na Bolívia para assumir o controle das reservas de água do país.

Com 106 minutos, o mais curto da franquia, o filme teria passado por problemas por conta da greve dos roteiristas, com Craig tendo que escrever as próprias cenas, e é considerado por muitos o mais fraco da série - leia a crítica completa.

Acessórios: a pistola Walther P99, Aston Martin DBS V12, celular Sony Ericsson C902 com reconhecimento facial e conexão com o banco de dados do MI-6, e um equipamento de escuta.

Bond-girls: Gemma Arterton (1 transa) e Olga Kurylenko (nenhuma).

007 - Quantum of Solace - crítica


Contagem de transas:

Atenção: Essa contagem só leva em consideração transas que aconteceram com certeza e não computa as apenas insinuadas, como quando Bond foi mostrado trancado num quarto com dezenas de mulheres. :-)

007 contra o satânico Dr. No 4
Moscou contra 007 3
007 contra Goldfinger
2
007 contra a chantagem atômica 4
Com 007 só se vive duas vezes
4
007 a serviço secreto de Sua Majestade 4
Os diamantes são eternos
2
Viva e deixe morrer
7
007 contra o homem da pistola de ouro 2
O espião que me amava 2
007 Contra o Foguete da Morte 3
Somente para seus olhos 2
007 contra Octopussy 4
Nunca mais outra vez * 3
007 na mira dos assassinos 3
007 marcado para morrer 2
Permissão para matar 2
007 contra GoldenEye 4
O amanhã nunca morre 3
O mundo não é o bastante 2
Um novo dia para morrer 3
007 Cassino Royale 2
007 Quantum of Solace 1
TOTAL DE TRANSAS 68

* Nunca mais outra vez, assim como Cassino Royale (Casino Royale, de Val Guest, 1967), não faz parte da franquia oficial, mas foi computado aqui por trazer Sean Connery de volta ao papel do agente.

Imagens © MGM