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Parque medieval em Westworld? Entenda a cena mostrada ontem (22) na série da HBO

Canal fez uma autorreferência em capítulo que brinca com realidades

Camila Sousa
23.03.2020
15h02
Atualizada em
25.03.2020
18h42
Atualizada em 25.03.2020 às 18h42

Desde que Westworld deixou claro que há vários parques, os fãs se perguntam e fazem teorias sobre quais seriam todos eles. Isso motivou a apresentação do Shogun World na 2ª temporada e retorna agora na terceira quase como uma piscada para os fãs, incluindo uma referência a outra famosa série da HBO.

[Spoilers de “The Winter Line” abaixo]

O trecho em questão mostra Bernard (Jeffrey Wright) caminhando nos bastidores do quarto parque, dessa vez com tema medieval. Em uma sala, dois funcionários da Delos discutem sobre vender uma das criações, nada menos do que Drogon, o grande dragão de Daenerys em Game of Thrones. Para deixar a referência ainda mais clara, os dois funcionários são interpretados por David Benioff e D.B. Weiss, os showrunners de Game of Thrones, cuja participação já estava confirmada há algum tempo.

Além do dragão em si, há anfitriões vestindo roupas medievais e tocando instrumentos da época enquanto Bernard e Stubbs (Luke Hemsworth) tentam descobrir a localização de Maeve (Thandie Newton). Com isso, muitos fãs começaram a se perguntar: será que Game of Thrones é mais um parque de Westworld? Ainda que seja óbvia, a resposta é não. A verdade é que a HBO aproveitou as possibilidades narrativas trazidas por vários parques e fez uma autorreferência divertida para os fãs das duas séries.

Foto de Westworld
Westworld/HBO/Reprodução

No entanto, este não é o único parque mostrado no capítulo. Desenvolvendo a cena pós-créditos da estreia, o seriado apresenta o War World, situado na Segunda Guerra Mundial. É lá que está Maeve, agora Isabella, em uma narrativa que a coloca ao lado do espião Hector, vivido novamente por Rodrigo Santoro. No entanto, por mais que um parque com essa temática seja interessante, é difícil não ver o trecho como uma repetição de conceitos, com Maeve acordando repetidamente dentro da mesma história até entender o que está acontecendo. O que salva é ver a brilhante Thandie Newton em ação. Entre momentos de confiança e medo, Maeve é uma das personagens mais completas da série e que gera mais empatia no público, superando até mesmo Dolores (Evan Rachel Wood) neste quesito.

Rapidamente a série deixa claro que o War World não existe de fato e é uma simulação para conseguir informações de Maeve. Embora seja uma reviravolta, a reação desinteressada da personagem só reflete como a acelerada revelação do plano tem pouco impacto nos fãs. Enquanto nas temporadas anteriores a série fazia questão de demorar bastante para revelar seus mistérios, que tinham grande impacto, aqui isso é tão rápido que tira o peso da trama.

Aliás, essa é toda a sensação geral passada por “The Winter Line”. A jornada de Bernard não serve (aparentemente) para nada além de mostrar os easter eggs de Game of Thrones e a narrativa de Maeve só fica interessante realmente no final, quando ela encontra Engerraund Serac (Vincent Cassel), um dos criadores do Rehoboam. Antes disso, tanto Maeve como os fãs sabem que tudo é uma simulação e nada do que está acontecendo ali tem peso real para o futuro. É bom ver Simon Quarterman de volta como Lee Sizemore? Com certeza! Mas fica a pergunta se, em uma temporada com apenas oito episódios, realmente é válido usar tempo de tela para isso.

Westworld errou em dois extremos narrativos: ser apressada demais no que deveria ter mais tempo de tela e dar um espaço exagerado para uma trama que termina em lugar nenhum. Claro que, com o histórico da série, tudo pode ter um significado maior lá na frente que vai justificar o que foi mostrado aqui. Mas as pistas para isso são tão ínfimas que não rendem nem muitas teorias, ao contrário dos anos anteriores. Fica claro que o caminho seguido por Jonathan Nolan e Lisa Joy na 3ª temporada é menos redondinho do que nos anos anteriores. Se lá eles pareciam ter total controle do que estava em tela, criando uma expectativa que era bem recompensada no final, aqui eles parecem com medo de mergulhar de cabeça no universo que criaram.

O teaser do próximo capítulo já indica que ele será focado em Charlotte (Tessa Thompson) e no mistério sobre quem está em seu corpo. Tomara que a partir de agora Westworld ganhe mais ritmo e não tenha medo de apostar em tramas realmente cativantes, que sempre foram o diferencial da série e o motivo de seu sucesso.

No Brasil, Westworld é transmitida aos domingos pela HBO, e os episódios inéditos também entram no catálogo do streaming HBO Go.