Obi-Wan Kenobi

Créditos da imagem: Lucasfilm/Divulgação

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Obi-Wan Kenobi descarta a nostalgia barata e emociona em estreia

Minissérie equilibra saudosismo e novidade no maior evento televisivo de Star Wars até agora

Omelete
4 min de leitura
Nico Garófalo
27.05.2022, às 10H23

Uma das produções mais aguardadas da mais recente expansão do cânone de Star Wars na TV, Obi-Wan Kenobi estreou com muito a provar nesta sexta-feira (27). Cercada de expectativa por causa dos retornos de Ewan McGregor e Hayden Christensen aos papéis que tanto os marcaram nos anos 2000, a minissérie chegou entregando um novo olhar sobre o Mestre Jedi mais querido da galáxia e sua vida entre A Vingança dos Sith e Uma Nova Esperança.

Localizada 10 anos depois de Obi-Wan (McGregor) deixar Anakin (Christensen) à beira da morte em Mustafar, a minissérie reencontra o jedi no ponto mais baixo da sua vida. Trabalhando por migalhas em uma espécie de açougue desértico em Tatooine, o ex-mestre aparece ouvindo insultos e permitindo injustiças, buscando passar despercebido pela população local ao mesmo tempo em que acompanha à distância o crescimento de Luke (Grant Feely).

O retorno a Tatooine, aliás, é a metáfora perfeita para a forma como a série aborda o legado de Star Wars. Há, obviamente, uma enorme familiaridade no cenário desértico, já bem explorado tanto nos cinemas quanto nas recentes The Mandalorian e O Livro de Boba Fett e, ainda assim, a diretora Deborah Chow conseguiu dar um ar de novidade ao planeta natal dos Skywalker ao passar por mercadores, donos de estabelecimentos e até alguns jawas golpistas. Diferentemente de O Despertar da Força ou A Ascensão Skywalker, Obi-Wan Kenobi limita o uso da nostalgia à inserção de pequenos detalhes e referências, que poderiam até passar despercebidas se os fãs da Saga de George Lucas não fossem tão apaixonados. Em seu lugar, a minissérie aposta em uma história de redenção e traumas que, embora divirja bastante da trama da Trilogia Original, respeita a mensagem de esperança e levante popular que permeou os primeiros anos de Star Wars.

Paradoxalmente, os dois primeiros episódios da minissérie são também as duas horas mais pessimistas de toda a franquia. Da inação de Kenobi diante das injustiças do Império à violenta opressão dos Inquisidores, Obi-Wan Kenobi começou melancólica e, até certo ponto, desesperadora, com o protagonista fugindo a todo momento daqueles que o caçam - sejam soldados imperiais ou seu próprio passado. Assombrado por seus erros, Obi-Wan (que agora só atende por Ben) se tornou uma figura desconfiada e fechada, extremo oposto do sujeito sábio e sarcástico que o público ama há mais de 40 anos.

Essa mudança mais que compreensível na personalidade de Kenobi não é apenas benéfica para a história, mas também para McGregor. Mais de 15 anos depois de sua aparente despedida de Star Wars, o ator entrega sua melhor atuação como o jedi até hoje, evidenciando cada preocupação e arrependimento que o personagem carrega desde que começou a treinar Anakin em A Ameaça Fantasma.

A construção desse momento de Obi-Wan é ainda mais evidente quando ele encontra outros personagens importantes da Saga, que o lembram dos “bons tempos” em que ele, Anakin e Padmé (Natalie Portman) botavam os separatistas para correr quase diariamente. A aparição desses velhos conhecidos são como sal nas feridas de Kenobi e do público, que revivem os momentos mais trágicos de Star Wars com frequência ao longo dos dois primeiros episódios e terminam essa estreia dupla com lágrimas genuínas nos olhos.

Vilã implacável

Embora não seja tão ameaçadora quanto Darth Vader foi na Trilogia Original, a Inquisidora Reva/Terceira Irmã deixa claro já na sua primeira cena o quão longe ela está disposta a ir para encontrar Kenobi e, assim, cair nas graças do braço-direito de Palpatine. Vivida por Moses Ingram, a capanga imperial desobedece ordens, fere civis e comete um assasinato chocante, sempre com a teatralidade e exagero que já se tornou padrão nos vilões de Star Wars.

Acompanhada do Grande Inquisidor (Rupert Friend) e do Quinto Irmão (Sung Kang), a Terceira Irmã aterroriza o povo de Tatooine de forma impressionante, fazendo com que o público sinta na pele o medo daqueles interrogados pelos Inquisidores. Inescrupulosa, ela prova que tem muito potencial para se tornar uma das antagonistas mais cruéis entregues pela franquia em seus 45 anos.

Ao contrário do que muitos temiam, Obi-Wan Kenobi chega ao Disney+ com o merecido ar de novidade que a Saga Skywalker tanto precisava depois do divisivo final de A Ascensão Skywalker. Passado esse medo inicial, cabe a nós agora apenas celebrar e aproveitar o retorno de McGregor e companhia à nossa querida galáxia muito, muito distante.

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