Whiskey Cavalier | Série com Lauren Cohan tenta equilibrar romance e ação espiã

Créditos da imagem: Whiskey Cavalier/ABC/Divulgação

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Whiskey Cavalier | Série com Lauren Cohan tenta equilibrar romance e ação espiã

Nova produção da ABC conta histórias de espionagem sob uma nova perspectiva

Henrique Haddefinir
07.03.2019
20h21

Não é como se não houvesse amor entre os maiores espiões da nossa teledramaturgia. A vida amorosa dos ditos cujos nunca foi fácil, é preciso admitir: as garotas de Bond, os romances de Sidney em Alias, até a tórrida história de amor que quase destruiu a carreira de Homeland. Embora as habilidades de um espião sempre tenham sido o foco desse tipo de roteiro, os personagens sempre sofrem com a certeza de que o trabalho não pode ser feito com verdadeira eficiência se houver laços emocionais a serem perdidos. Alias, mencionada acima, inclusive, era interessante porque mostrava uma espiã tentando ter uma vida normal, com amigos, namorados, faculdade... E, é claro, acabava sempre sobrando para todos eles.

O primeiro episódio de Whiskey Cavalier começa já avisando que novamente será uma história de espiões com outra perspectiva. Will Chase (Scott Foley) tem o apelido que dá nome à série e já aparece chorando em seu apartamento, ao som de "Total Eclipse of the Heart", depois de um rompimento com a amada. Whiskey, como é chamado na maioria do tempo, não é um espião do jeito que estamos acostumados a ver. Ele ainda é muito habilidoso, mas tem certa fragilidade, certa vulnerabilidade. Além de aparecer chorando pela amada, ele tem uma melhor amiga - vivida por Ana Ortiz - para quem liga escondido no banheiro. Não há nada de juvenil no protagonista, contudo. Ele é um espião, e antes de tudo, um adulto que leva em consideração as próprias emoções.

É evidente que a série quer buscar alguma espécie de inversão de impressões. Nas histórias de espião onde o protagonista é um homem, ele geralmente precisa proteger uma coadjuvante feminina que pode ou não precisar dessa proteção. Whiskey Cavalier também tem sua interlocutora para o protagonista e ela é quem tem aquela frieza e implacabilidade que geralmente são creditadas aos homens. Essa é, inclusive, a premissa básica da série: Whiskey precisa resolver uma missão ordenada pelo FBI e no meio do caminho se depara com Frankie (Lauren Cohan), que está ali pela mesma razão, só que ordenada pela CIA. Os dois se chocam e todo mundo já sabe o que vai acabar acontecendo.

Criada por Dave Hemingson e transmitida pela ABC, Whiskey Cavalier tem a árdua tarefa de manter interessados dois tipos de público: aquele que gosta de ação e o que gosta de histórias suaves embaladas por divertidos romances. É complicado justamente porque para os que curtem ação a menção da palavra "romance" pode arruinar o interesse; e vice-versa. A série, então, tenta se salvar jogando rápido com as duas bases pretendidas. O protagonista está chorando por seu grande amor no primeiro quadro e logo depois, persegue um suspeito pelas ruas de Paris de uma maneira realmente impressionante. Há um certo humor até na forma como a perseguição se configura, mas a direção do piloto não deixa o compromisso com a ação se esvaziar. O ritmo da série é bem nervoso, mas se intercala com pitadas de ternura.

No decorrer da ação, Frankie e Will se encontram com outros personagens que vão ajudando os dois na missão, criando uma rede de competências que guiará o seriado pelo que será após esse começo. Por isso, o elenco já se torna uma parte importante do programa. Foley foi uma escolha acertada. O moço já esteve em séries suaves como Felicity, já foi amado por todos em Grey's Anatomy e ao mesmo tempo, já foi um assassino da franquia Pânico. Há nele uma notória versatilidade. Cohan também tem certo carisma e é bom vê-la fora dos engessamentos de The Walking Dead , "barco em naufrágio" do qual todos estão pulando. Curiosamente, outro grande nome do elenco já foi colega dela na série dos zumbis: Tyler James Williams (Todo Mundo Odeia o Chris) também está no seriado e seu personagem funciona pela mesma razão pela qual seus personagens sempre funcionam: ele está fazendo a mesma coisa.

O episódio piloto também traz Dylan Walsh (Nip Tuck) numa importante participação especial, que serve para nos evidenciar como os roteiros da série são quase ingênuos. Tudo funciona bem, o que é mais surpreendente: todo o humor, flerte, e a quase interpretação romântica do que é ser um espião, convergem com uma linguagem segura, bem coreografada, impedindo que o programa se torne uma paródia inconsequente. O perigo existe e as sequências de ação são muito promissoras. É fato que por se tratar de um possível procedural, tudo pode ficar cansativo rapidamente, sobretudo porque a dinâmica de agentes que começam se provocando para depois se apaixonarem não é nova na TV.

Whiskey Cavalier tem potencial para se tornar outra daquelas séries intermináveis da ABC. Se todo o orçamento não tiver sido usado somente no episódio piloto e as sequências de ação ainda puderem ser um diferencial de contraste, valerá a pena continuar acompanhando as aventuras profissionais e românticas da dupla de agentes.

No Brasil, Whiskey Cavalier é transmitida pelo canal pago Warner Channel toda segunda, às 21h40.