Sandman | O desafio de adaptar o inadaptável, segundo Neil Gaiman

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

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Entrevista

Sandman | O desafio de adaptar o inadaptável, segundo Neil Gaiman

Em entrevista ao Omelete, Neil Gaiman fala sobre a importância e os desafios em trazer às telas a HQ clássica de 1988

Omelete
3 min de leitura
04.08.2022, às 16H51
ATUALIZADA EM 04.08.2022, ÀS 17H42
ATUALIZADA EM 04.08.2022, ÀS 17H42

Em 1988, Sandman apresentou uma das histórias mais complexas e repletas de simbolismos dos quadrinhos. Ao lado de sete entidades irmãs, saltamos entre o mundo dos sonhos e da realidade, encontrando figuras históricas, aventuras épicas e desgraças humanas. E é este universo onírico e fantasioso que, 34 anos depois de seu lançamento, finalmente ganha sua primeira adaptação. 

A longa espera dos fãs da obra de Neil Gaiman também vêm carregada pelo receio de mais um live-action fadado ao fracasso, especialmente por se tratar de uma obra tão consolidada e abstrata. E por mais que o catálogo de obras do autor já esteja carimbado com outras adaptações para TV e cinema, como Stardust - O Mistério da Estrela, Coraline, Deuses Americanos e Belas Maldições, o próprio Gaiman sempre foi reticente em incluir Sandman nessa lista – chegando, inclusive, a recusar a proposta de um longa-metragem feita pela Warner Bros. nos anos 1990.

Todo o cuidado e carinho pela obra resultaram em um Gaiman muito atuante no desenvolvimento da série para a Netflix, ocupando a cadeira de produtor executivo ao lado do showrunner Allan Heinberg. Ciente dos desafios em “adaptar o inadaptável”, o autor conversou com o Omelete sobre seu foco na adaptação:

“O mais importante para mim foi pegar o nível de complexidade e abstrato em uma história sobre pessoas e sobre o coração humano. E eu acho que isso foi algo que o Allan e seus roteiristas fizeram brilhantemente: você se importa com as pessoas ao mesmo tempo em que acompanha uma história sobre alguém que é uma ideia abstrata, como o Sonho”

Algumas cenas já reveladas mostram a similaridade entre as páginas e as telas, dando aos fãs o vislumbre de uma adaptação que promete se basear o máximo possível no material fonte. Mas é importante lembrar que, mesmo dentro da obra original, há diferentes visões e interpretações dos Perpétuos e do Sonhar. Durante as 75 edições de Sandman, diversos artistas tiveram a missão de retratar esse universo abstrato, como Dave Mckean, Sam Keith, Mike Dringenberg, Kelley Jones, Jill Thompson, Marc Hempel entre outros.

De acordo com Gaiman e Heinberg, o que veremos nas telas é a combinação do que cada artista construiu em cima da obra e as possibilidades de mudança que a nova mídia apresenta: “Nós tivemos o desafio de achar atuações que incorporaram o que consideramos importante sobre cada personagem. E, às vezes, é mais importante para nós que eles se pareçam exatamente como o personagem nos quadrinhos, e às vezes o mais importante é que eles incorporem uma das qualidades que o personagem tem”, disse Gaiman. A isso, Heinberg complementou:

“Nós trabalhamos com times de pessoas que amam Sandman tanto quanto nós, em termos de design de produção, figurino, cabelo e maquiagem, todo mundo tinha o mesmo objetivo: trazer Sandman à vida de um modo que fosse absolutamente conhecido, estranhamento novo e encantador ao mesmo tempo. Queríamos honrar o que veio antes, mas também sermos inspirados para trazer algo novo na nossa interpretação do que o Sandman clássico é.”

Sandman estreia na Netflix dia 5 de agosto. Embora o streaming ainda não tenha renovado oficialmente a série, o roteirista David S. Goyer revelou que já trabalha na 2ª temporada.

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