Ingrid Guimarães e Lázaro Ramos no Rio2C

Créditos da imagem: Divulgação

Séries e TV

Artigo

Rio2C deixa à vista disputa pesada de streamings por produções brasileiras

Plataformas se venderam como ótimas parceiras para novos filmes e séries

Omelete
4 min de leitura
Beatriz Amendola
02.05.2022, às 13H00

Que a tão falada guerra do streaming corre solta lá fora, não é exatamente um segredo: as plataformas disputam ferrenhamente a atenção (e o bolso) dos assinantes, recorrendo a grandes franquias já estabelecidas e ao starpower de atores e atrizes consagrados. Mas há batalhas, muito semelhantes, sendo travadas também a níveis locais – e o Brasil se tornou definitivamente um dos palcos desse conflito, como ficou claro na edição 2022 do Rio2C, evento de inovação que dedica boa parte de sua programação ao mercado audiovisual.

Ao longo do evento, Netflix, Amazon, HBO Max, Paramount+ e a própria Globo trouxeram executivos e artistas como Rodrigo Sant’Anna, Lázaro Ramos e Sophie Charlotte para passar uma mensagem que poderia ser resumida em “venham trabalhar com a gente”. Eles estavam no lugar certo. Afinal, diferentemente de uma CCXP ou de uma San Diego Comic-Con, que têm como foco principal os fãs, o Rio2C é um evento mais voltado aos profissionais da indústria criativa – onde se enquadram atores, diretores e, claro, empresas de produção, todos necessários para que essas grandes empresas consigam trazer à vida novos filmes e séries.

Cada um desses grandes players deu um gostinho do que têm feito e do que vem por aí. A Netflix anunciou no palco a renovação da comédia A Sogra Que Te Pariu, emocionando Sant’Anna; a HBO Max deu mais detalhes sobre sua primeira novela e anunciou novidades em conteúdo sem roteiro, como reality-shows; o Paramount+ aqueceu para seus documentários sobre Adriano Imperador e Anderson Silva; e a Amazon trouxe prévias de novas séries, como Novela, estrelada por Monica Iozzi.

Mas não parou por aí. Cada uma das empresas fez questão de reforçar, a sua própria maneira, o quão é uma boa parceira para se trabalhar, com o termo “liberdade criativa” e seus equivalentes sendo usados frequentemente – e em oposição particular ao ambiente mais controlado da TV aberta. Rodrigo Sant’Anna lembrou que, nas primeiras tratativas com a Netflix, reforçou que fazia “piada com sexo e p*taria” e disse não saber como fazer isso no streaming, mas recebeu o sinal verde de Haná Vaisman, diretora de conteúdo da Netflix.

Contratada da Amazon, Ingrid Guimarães brincou que no streaming “a gente pode transar sem sutiã” e celebrou o fato de que irá protagonizar uma série sobre uma mulher madura – “que não é só a mãe da adolescente”, como destacou. Lázaro Ramos, seu colega de casa, contou que por lá sempre escuta um “por que não?” para suas ideias, o que foi de grande apelo para ele, como criador.

A Amazon, vale notar, apostou forte no evento. Em um painel apropriadamente intitulado “Home for Talent” (“lar para os talentos”, em tradução livre) e conduzido por Malu Miranda, head de originais brasileiros do Amazon Studios, a companhia ressaltou seus esforços em diversidade, anunciou as contratações de Fabiana Karla, Adriana Falcão e Susana Garcia e se posicionou como um player disposto a investir fortemente em produções em todo o território nacional.

A Globo, por sua vez, optou por destacar sua profunda experiência com o mercado brasileiro. Amauri Soares, diretor de programação, trouxe dados de uma pesquisa interna da emissora sobre o público brasileiro. “A gente acredita que o nosso negócio é conexão com o Brasil. A gente cria conexão e ela serve também aos nossos parceiros comerciais”, disse o executivo, apontando a pesquisa como uma forma de “calibrar” essa conexão.

A emissora ainda colocou no palco Samantha Almeida, diretora de criação dos Estúdios Globo, para falar sobre os diferentes formatos de parceria com produtoras, e Erick Brêtas, diretor de produtos digitais, que trouxe números para impressionar: de acordo com ele, o Globoplay aumentou em 500% o investimento em produções originais, e cogita fazer séries que custem de R$ 3 a 5 milhões por episódio.

Para que tudo isso?

Não há no Brasil um dispositivo legal que estabeleça cotas de conteúdo nacional no streaming, a exemplo do que foi aconteceu na TV Paga com a Lei 12.485 – no entanto, mesmo sem essa obrigatoriedade, o investimento em filmes e séries locais é interessante para os serviços de streaming.

Tais conteúdos, afinal, têm o importante papel de criar conexões com o público de cada país. Eles trazem histórias, talentos e temperos em que os assinantes podem se reconhecer, retratando realidades anos-luz distantes das histórias predominantemente americanas contadas por Hollywood. E, claro, muitas vezes essas produções “viajam” e conquistam o mundo, como foi o caso de La Casa de Papel e Round 6.

O Brasil, em particular, é um mercado importante para o consumo de streaming. O país é hoje o segundo maior em número de assinantes da Netflix, atrás somente dos Estados Unidos; e, segundo pesquisa da FSB encomendada pela plataforma Roku no início de 2022, 75% dos brasileiros consomem conteúdos em streaming todos os dias. Essa receptividade é atraente para as plataformas – e pode se tornar um diferencial especialmente no momento em que a Netflix, ainda líder absoluta do mercado, registra sua primeira perda de assinantes em nível global.

O resultado ainda é incerto, mas parece caminhar para um boom no número de filmes e séries brasileiros nos próximos anos – e a julgar pelo sucesso de produções como 3%, Dom e A Sogra Que Te Pariu, tanto aqui quanto lá fora, é um futuro promissor.

*A jornalista viajou a convite da organização do Rio2C

Conteúdo Patrocinado

Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados e cookies para as finalidades ali constantes.