Poster da segunda temporada de Killing Eve

Créditos da imagem: Killing Eve/BBC/Divulgação

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Killing Eve | 2º ano começa mais sombrio mas sem perder o charme

Série volta focando nas desgraças da antagonista

Arthur Eloi
22.04.2019
15h57
Atualizada em
22.04.2019
16h08
Atualizada em 22.04.2019 às 16h08

Killing Eve é uma das surpresas mais agradáveis de 2018. A série da BBC America pega uma premissa muito usada nas tramas de espiões, e mesmo assim entrega algo original, cheio de personalidade e muito viciante. Agora, após se sair bem nas premiações e também na recepção pública e crítica, o seriado retorna para a sua segunda temporada. Ao que tudo indica, superar as altas expectativas não deve ser um problema.

[Cuidado! Spoilers do fim da primeira temporada abaixo]

O novo ano retoma o grande clímax do conflito entre Eve (Sandra Oh) e Villanelle (Jodie Comer), quando a protagonista esfaqueia sua antagonista. A facada será importante no novo ano, já ambas veem o ato de formas completamente opostas: Eve fez para afastar Villanelle, enquanto a vilã interpreta como uma declaração de amor. Enquanto a temporada anterior usou essa aproximação para igualar as protagonistas em sua obsessão, agora o foco é separá-las e desenvolvê-las individualmente para demonstrar como elas podem ser diferentes entre si.

Quem ganha mais foco nesses primeiros episódios é Villanelle. Após passar por alguns de seus momentos de maior dificuldade, a excêntrica psicopata precisa fugir de Eve, da polícia e até mesmo de seus próprios empregadores. De tentar atendimento no hospital até ser mantida refém por um lunático, o seu arco é repleto de sofrimento e dificuldades. Seu estado cada vez pior desperta pena no espectador, mas a série usa essa sensação como arma e nunca deixa esquecer que a personagem é um monstro capaz de manipular e matar sem pensar duas vezes e sem remorso algum. Essa dualidade que torna Villanelle uma personagem tão interessante, e é muito ver como sua instabilidade dá lugar à um assustador controle emocional em meio à situações de perigo.

Já o lado de Eve fica muito mais sombrio. A protagonista praticamente sacrificou tudo em sua vida para perseguir a vilã, e a segunda temporada se aprofunda nas consequências disso, como sua relação quebrada com o marido ou então a paranóia que surge do trauma de ter confrontado Villanelle diretamente. Mesmo assim, isso não significa que o tom da série fica deprimente - na verdade, é bem surpreendente como a escrita afiada mantém situações cínicas e sarcásticas - como a fashionista Villanelle “sofrendo” ao colocar um chinelo Crocs em uma situação de necessidade - mesmo após um clímax tão intenso.

É combinando a trama, progressivamente mais perturbadora, com seu estilo descolado, leve e cômico que Killing Eve volta tão boa quanto antes. Tanto Oh quanto Comer entendem a complexidade de suas personagens e entregam atuações de peso, sustentadas por roteiros que sabem trabalhar esse conto de obsessão com ótimo controle de ritmo e momentos impactantes. A série tem tudo para entregar outra ótima temporada, e com renovação garantida parece que, felizmente, a perseguição de gato-e-rato entre Eve e Villanelle não acabará tão cedo.

Killing Eve é transmitida no Brasil pelo streaming Globoplay, que já tem a primeira temporada no catálogo. Ainda não há previsão de chegada para o segundo ano.