Cena de How To Get Away With Murder/ Divulgação/ Mitch Haaseth/ABC

Créditos da imagem: Cena de How To Get Away With Murder/ Divulgação/ Mitch Haaseth/ABC

Séries e TV

Artigo

How To Get Away With Murder retorna com um novo mistério em seu 5º ano

Nova temporada traz um novo personagem e as mesmas fórmulas

Henrique Haddefinir
30.09.2018
20h44
Atualizada em
30.09.2018
22h00
Atualizada em 30.09.2018 às 22h00

A “sequência-mistério” do teaser de abertura da estreia de How To Get Away With Murder revela – em um primeiro momento – a perspectiva em primeira pessoa de alguém que está prestes a morrer. Logo em seguida, os mesmos olhos em perspectiva de primeira pessoa observam o campus de uma universidade. São os olhos de Gabriel Maddox (Rome Flynn), o novo personagem que adentra o mortal universo do enredo e que essa edição de imagens já quer no fazer acreditar ser a vítima do sempre presente “crime a ser desvendado”. How To Get Away With Murder não se envergonha de viver sempre dentro da mesma bolha.

Annalise Keating (Viola Davis) é sacudida para lá e para cá, mas acaba sempre voltando ao ponto de partida. Nessa estreia da quinta temporada, isso é levado pé da letra, com a personagem repetindo as mesmas coordenadas para sua nova turma de estudantes. Há um crime, um mistério, Annalise dando aula, ameaçando estudantes... É como se nem um dia tivesse passado. É como ver a primeira temporada mais uma vez - e isso não é bom, de modo algum. Contudo, a série ainda é capaz de despertar interesse do público. Annalise começa dizendo que não vai tratar os estudantes que já conhece como preferidos, mas é nítido que depois de tudo que eles passaram juntos isso não vai acontecer. A protagonista que parecia ter amadurecido na reta final do quarto ano vai pouco a pouco desaparecendo.

É possível entender que trazer a personagem de volta para onde tudo começou é uma maneira de fazer uma limpeza na árvore genealógica dos eventos. Tudo que aconteceu antes só ficou absorvido do ponto de vista pessoal, justamente porque o nível de complicações impedia qualquer tipo de limpeza. Assim, eles decidiram manter o básico como forma de proteção, com o mínimo de desvios – e que aqui estão ligados a Gabriel. Desvios, inclusive, também não seriam possíveis justamente porque são anos de mãos sujas demais. Assim, não importa se Gabriel monologue ou Annalise tenha planos profissionais novos. Tudo termina como sempre esteve.

Mortal Co-Workers

Apegadíssima a seu elenco, How To Get Away continua suas manobras para dar a todo mundo o seu tempo de tela. As novas aulas – novamente – levam todos os estudantes a uma competição, onde, é claro, o novo personagem tem destaque. Tudo é organizado para captar a atenção do espectador através dos mesmos códigos que fizeram da série o que ela é. A ambição gera competição que inevitavelmente levará ao assassinato. O que é mais intrigante é que as pessoas morrem aos montes em volta daqueles personagens e eles ainda continuam seguindo burocraticamente suas rotinas. Tal qual uma série de fantasia, os encerramentos de temporada podem ser caóticos, mas no ano seguinte volta tudo ao começo.

As rotinas de Connor (Jack Falahee) e Oliver (Conrad Ricamora) são conjuntas, já que o casamento é o que os norteia nesse começo. Michaela (Aja Naomi King) está à deriva e Laurel (Karla Souza) totalmente voltada para seu bebê. A perspectiva maior ficou em Asher (Matt McGorry), que sempre foi preterido pelos roteiros (e talvez por isso tenha sido sempre um alívio) e que parece estar diante de uma narrativa pessoal importante para o crescimento do personagem. Isso, é claro, se esses movimentos não significarem uma pressão dramática que não seria condizente com a função do papel naquele universo. Os motivos pelos quais ele é criticado por Annalise são justamente os motivos pelos quais ele é tão querido aos fãs.

Já a narrativa da nova firma pode ser promissora. As séries tutoriadas por Shonda Rhimes tem essa pegada de transformar suas protagonistas em mulheres movidas a extremos. Como são sempre muito independentes, pode ser interessante que Annalise precisa se reportar a mais alguém. Viola Davis teve a chance de impedir o curso de melancolia constante de sua personagem, mas ela também sabe que esse quinto ano levou tudo de volta para o mesmo lugar. Então, ela precisa buscar o equilíbrio entre crescer (porque já passou por muito) e ainda assim acreditar que tudo será diferente. Contudo, tudo indica que não será. Tanto o teaser quanto o desfecho do episódio mostram que o resultado será o mesmo de sempre: intriga, morte e caos. Gabriel Maddox é filho de alguém (sim, porque em se tratando de How To Get Away With Murder é difícil acreditar na primeira resposta) e é ele quem estrelará a virada que está por vir - ao lado de Bonnie (Liza Weil).

Assim como aconteceu com Damages (a pioneira nesse tipo de narrativa), How To Get Away With Murder já está naquela zona de exaustão onde o público já sabe como funciona a fórmula e já sabe desvendar os planos. A estrutura, o sistema, tudo que envolve o método narrativo da série foi construído para ser supostamente surpreendente e essa é a suposição que segura as pontas da obra. Quanto mais ela é desvendada, menos ela impacta o público. É claro que a curiosidade sempre será um motivo para as pessoas voltarem para a frente da TV, mas a série também precisa reconhecer a hora de parar de contar a “mesma piada”. Funciona nas primeiras vezes, mas os sorrisos aos poucos começam a ficar amarelos. Se tudo é uma questão de impacto, de susto, How To Get Away With Murder vai ter mais trabalho. Se o público já sabe que há alguém atrás da porta, não tem a menor chance dele ser surpreendido.