Foto de 3%

Créditos da imagem: 3%/Netflix/Divulgação

Séries e TV

Entrevista

“A Netflix é uma janela para o mundo”, diz diretora de produções brasileiras

Entrevistamos Maria Angela de Jesus em um dia importante para o serviço de streaming no país

Camila Sousa
25.03.2019
16h54

Não é de hoje que a Netflix investe no mercado audiovisual brasileiro. O serviço de streaming começou suas produções originais no país em 2016, com o bem-sucedido lançamento de 3%, mas o objetivo da empresa é muito maior. Esse foi o sentimento de um evento para a imprensa realizado em São Paulo no último mês. Com direito a painéis, entrevistas com o elenco e um cenário de Coisa Mais Linda, nova aposta do streaming, o encontro deixou claro que a Netflix quer ser cada vez maior no Brasil.

Uma das responsáveis por isso é Maria Angela de Jesus, diretora de produções originais brasileiras. Feliz com o resultado do evento, Maria Angela conversou com o Omelete e revelou que há duas belezas em apostar no Brasil: fazer produções locais, mas também levar esse conteúdo para 190 países.

“50% da audiência de 3% é de outros territórios, como Canadá, França e Itália. Foi muito legal a Netflix pegar essa história do Pedro Aguilera, que era um jovem saindo da faculdade com seu projeto, e abrir esse mundo para ele. Essa é a parte bonita da nossa plataforma, a maneira como levamos esse entretenimento para o mundo todo (...) A beleza da Netflix é ser essa janela para o mundo”.

Além de falar sobre a nova temporada de 3%, o evento destacou a segunda temporada de Samantha! e as estreias de Coisa Mais Linda e O Escolhido, feita em parceria com Raphael Draccon e Carolina Munhóz, escritores de literatura fantástica com uma grande base de fãs no Brasil. Maria Angela revela que ficou encantada com o entusiasmo da dupla para contar histórias e que a dupla foi a escolha perfeita para adaptar a série Niño Santo, do México.

Coisa Mais Linda, a nova aposta da Netflix

Foto de Coisa Mais Linda
Coisa Mais Linda/Netflix/Divulgação

“Quando eu cheguei à Netflix no ano passado, vi essa história e pensei que ela funcionaria bem transferida para o Pantanal, um local meio misterioso, etc. E eu tinha uma reunião com Raphael e a Carol, e começamos a conversar, trocar ideias e eles têm essa força, essa vontade de fazer coisas. Isso me contagiou ali naquela conversa com eles. Depois conversei com a minha equipe e falei: se há alguém que pode transformar essa história em algo brasileiro, são esses dois. E assim começou tudo”.

Claro que uma empresa como a Netflix recebe muitas ideias de projetos todos os dias e sempre há uma escolha de quais serão feitos. Maria Angela explica que não há uma fórmula de qual história dará certo, mas há certos elementos importantes: “Procuramos histórias relevantes aqui, no nosso território, mas que também possam alcançar uma audiência fora do país. São histórias que trazem temas novos, ou novos olhares para um tema já tratado. Buscamos histórias que tenham essa força, que tenham diversidade e um diferencial, tanto em termos de gênero, quanto de formato (...). O que fazemos é oferecer aos criadores os elementos e instrumentos que ele precisa para contar bem aquela história. Então não há uma matemática, é um conjunto e a possibilidade que a essa série tem para ser desenvolvida em mais temporadas (...) As boas histórias não têm fronteiras, elas viajam muito mais do que a gente imagina”.

Para o futuro, Maria Angela revela que o desejo da empresa é expandir o catálogo de séries nacionais para 18, 20 produções. Por enquanto já estão confirmadas Cidades Invisíveis, com Carlos Saldanha; Ninguém está Olhando, de Daniel Rezende; Sintonia, em parceria com o KondZilla e Spectros, que é rodada atualmente no bairro da Liberdade, em São Paulo. “Há um compromisso da Netflix em produzir localmente, que vai além do dinheiro. É um compromisso de fazer aqui. Em cada um dos nossos projetos há em torno de 300 profissionais, entre elenco e equipe. Estamos movimentando o mercado audiovisual de forma muito saudável (...). A Netflix está no Brasil para ficar”.