Scorpions no Rock In Rio/Mauro Pimentel/AFP

Créditos da imagem: Mauro Pimentel/AFP

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Sexta no Rock in Rio foi toda dedicada ao rock

Gênero dominou até os espaços patrocinados do evento

Tereza Novaes
05.10.2019
12h06
Atualizada em
05.10.2019
12h20
Atualizada em 05.10.2019 às 12h20

A volta do metal ao Rock in Rio deixou até os mais cricris sem argumentos para reclamar da escalação, em geral, eclética do festival. A sexta-feira foi rock'n'roll do começo ao fim.

Sob sol e calor na casa dos 35oC, os metaleiros foram recebidos pelas garotas do Nervosa, power trio paulistano, que abriu o palco Sunset. Derrubando tudo, inclusive preconceitos, a banda de trash metal dedicou uma música a Marielle Franco

Testosterona e roupa preta não faltaram à plateia, lotadíssima até o show do Scorpions, que encerrou a programação com seu repertório de classic rock, que incluiu "Wind of Change" e "Rock You Like a Hurricane".

Atração principal da noite, o Iron Maiden, que toca domingo em SP, pediu para antecipar sua apresentação. A expectativa era altíssima: hordas de rapazes, jovens adultos e senhores mais velhos ostentavam a capa dos discos no peito e, vez ou outra, um admirador mais afoito fazia ecoar no metrô e no BRT, que levam à Cidade do Rock, o nome da banda.

O espetáculo correspondeu à altura. Não faltaram cenários complexos, eles abriram com um avião no palco; soluções cênicas, como o gigantesco Eddie espadachim de "The Trooper"; e figurinos caprichados, Bruce Dickinson entoou o hino "Fear of the Dark", usando um traje de Fantasma da Ópera.

Tudo fez sentido. A fantasia em torno dos trabalhos da banda é criada sobre referências históricas e literárias, sempre ligadas a uma estética potente. A voz e o carisma do vocalista me fazem pensar que existe mesmo um pacto 666. Mais que isso, a Dickinson se aplica perfeitamente uma máxima do filme Rock Star, o trabalho dele é "viver uma fantasia que as outras pessoas apenas sonham".

Outras duas atrações (literalmente) da pesada foram Sepultura, que abriu o palco Mundo, no começo da noite para uma legião de headbangers, e a anunciada despedida do Slayer, atração do palco Sunset que poderia muito bem estar no principal.

O dia do metal é quase uma tradição no Rock in Rio, aconteceu praticamente em todas as edições a partir de 2011 e ficou de fora na passada, sob protestos. Uma prova da força é o fato de os ingressos para ontem terem sido os primeiros a se esgotar.

We will rock you

Até nos espaços patrocinados, o rock dominou. Em geral, esses palcos menores e fora da programação oficial também recebem shows e DJs. No da Coca-Cola, por exemplo, o funk carioca dominava, até o dia do metal, quando a onda foi diferente. Clássicos como "Rock Roll All Night", do Kiss, fizeram todo mundo cantar junto. Coincidência ou não, os músicos do Detonautas, que fizeram uma das mais elogiadas participações no RiR na semana passada, faziam parte da banda. No espaço da Sky, o DJ lançou "We Will Rock You", do Queen, causando semelhante reação.

Um pouco mais distante dali, na Rota 85, caminho de acesso aos palcos, o saloon da cervejaria Eisenbahn era animada pelo trio de country rock carioca Dirty Devil Band. No coreto do outro lado da rua, a jovem banda Os Caras e Carol lançava seus riffs com a voz potente da moça que dá nome ao projeto.