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X-Men de A a X

X-Men de A a X

Érico Assis e vários cozinheiros
28.04.2003
00h00
Atualizada em
28.11.2016
13h04
Atualizada em 28.11.2016 às 13h04

X-Men 1 - setembro de 1963

Os X-Men de Claremont e Byrne

X-Treme X-Men

O Wolverine de Jim Lee

O mutante brasileiro Mancha Solar

X-Men: Evolution

Jean Grey em "A saga da Fênix"

Ultimate X-Men

New X-Men

ADOLESCÊNCIA: no fundo, os X-Men são uma metáfora dela. Mutantes manifestam seus poderes quando entram na puberdade, e é impossível não relacionar a idéia com todas as mudanças hormonais incontroláveis que acontecem com nosso corpo no mesmo período. Sendo o público leitor da faixa infanto-juvenil, aí está uma das explicações para o sucesso da série.

BRASIL: na primeira editora em que tiveram suas aventuras publicadas por aqui, a GEP, os X-Men tiveram um punhado de histórias produzidas no próprio estúdio brasileiro, sem conhecimento da Marvel americana. Depois disso, tornaram-se coadjuvantes da revista do Hulk na RGE, foram por muito tempo o principal chamariz da saudosa Superaventuras Marvel na Abril e só ganharam série própria, também pela Abril, em 1988, aos poucos liderando as vendas de quadrinhos da editora. Hoje a nova editora brasileira, Panini, tem duas X-séries: X-Men e X-Men Extra. Por fim, não podemos deixar de citar o mutante brasileiro Roberto da Costa, também conhecido como Mancha Solar, membro dos Novos Mutantes e posteriormente da primeira X-Force.

CHRIS CLAREMONT: criou de novo os X-Men ao assumir os roteiros da série em 1974, e continuou escrevendo-os, bem como várias séries adjacentes, até 1991. Estabeleceu o ritmo de novela nas histórias, desenvolveu dezenas de personagens importantes (entre criações, mortes e ressurreições), alavancou as vendas para a posição em que ainda estão hoje e definiu um padrão do que deve ser uma série de supergrupo no quadrinho americano. Voltou a escrever as séries principais em 2000, com um fraco desempenho, e ganhou uma nova série, X-Treme X-Men, para desenvolver sua visão.

DESASTRE: do lançamento, em 1963, até a entrada de Claremont, X-Men era um dos grandes desastres de venda da onda Marvel dos anos 60. A partir de 1970, a editora parou de produzir novas histórias, apenas republicando as antigas, e o público nem se importou. Foi só com a nova chance, quatro anos depois, que o grupo realmente entrou no caminho do sucesso.

ESCOLA: uma característica importantíssima dos X-Men é que a série gira em torno da Escola para Jovens Superdotados do Professor Xavier, uma instituição para mutantes aprenderem a viver no mundo que os odeia e a reagir a este ódio. É possivelmente a primeira escola para super-heróis dos quadrinhos.

EDITORES: sendo o quadrinho mais vendido nos Estados Unidos, é óbvio que os editores da Marvel Comics mantinham um forte controle para garantir o que fazia a revista vender. Em meados da década de 90, roteiristas reclamavam muito de alterações nos argumentos, chegando ao ponto de uma dupla de sucesso, Steve Seagle e Joe Kelly, desistir das séries. Hoje, a situação parece ter mudado, com mais liberdade aos criadores.

FÃS: as X-revistas têm uma legião leal de fanboys, aqueles fanáticos que torcem o nariz para qualquer alteração no status quo, enchendo seções de cartas e fóruns na Internet com opiniões bem autoritárias sobre Como Deve Ser. De qualquer forma, todo mundo que já leu acaba virando fã das personagens. O recente anúncio de um casamento entre membros (ainda não revelados) gerou comentários apaixonados e apostas entre quase toda a comunidade de leitores nos Estados Unidos.

GENÉTICA: mutantes são, segundo algumas personagens na série, o próximo passo evolutivo da humanidade. Ver Homo superior.

HOMO SUPERIOR: ou seja, além do Homo sapiens. O arqui-x-inimigo, Magneto, defende que a superioridade dos mutantes deve servir para estes subjugarem a raça humana comum. Muito das histórias gira em torno disso: mutantes bons como os X-Men são mal interpretados a partir do que mutantes vilões fazem. Ver preconceito.

INCOMPREENSÍVEL: ao longo dos anos, a cronologia mutante foi se tornando impenetrável para novos leitores. São longas histórias, séries demais para acompanhar, personagens que se transformam, viagens no tempo, realidades alternativas e tudo de possível e imaginável que os roteiristas poderiam pensar. As histórias recentes, após uma limpeza editorial, estão mais simplificadas e mantém apenas o básico dos mutantes, deixando o passado complexo de lado.

JEAN GREY: parece que tudo gira em torno dela. A primeiríssima x-história é sobre sua entrada no grupo. Ela protagonizou A saga de Fênix, o drama cósmico considerado uma das melhores histórias dos X-Men. E é o centro de um furacão que envolve sua morte, ressurreição, clones, filhos viajantes do tempo ou de realidades alternativas e poderes, como a força Fênix, que funcionam ao gosto dos escritores.

KIRBY: Jack Kirby, primeiro desenhista dos X-Men e figura mítica dos quadrinhos. Junto a Stan Lee, criou quase toda a linha Marvel nos anos 60.

LEE: Stan e Jim. O primeiro criou os X-Men em 1963, junto a toda onda Marvel. O segundo revolucionou as personagens em fins dos anos 80, início dos 90, com desenhos que fizeram X-Men 1, primeira edição de uma nova série mutante, chegar aos declarados 8 milhões de edições vendidas, marca nunca antes ou depois alcançada no mercado americano.

MARVEL COMICS: ou Marvel Entertainment Group. É a detentora dos direitos sobre os X-Men e sua editora nos Estados Unidos. Provavelmente a maior parte de seus lucros vem de coisas relacionadas à letra X. Hoje lança em torno de quinze revistas por mês somente na linha X, entre séries, especiais e mini-séries, mas o número já foi maior.

NOVELA: desde a entrada de Chris Claremont em meados da década de 70, não há nada mais importante na série do que o relacionamento entre as personagens, seus casos amorosos, discussões, laços familiares e brigas. Como as longas soap operas da TV americana, X-Men é uma longa novela sobre amizade, família e luta.

ORIGENS: como quase tudo no Universo Marvel dos anos 60, a origem dos X-Men era ligada ao perigo da radioatividade. Afinal, tratava-se do grande tema da época, após duas bombas atômicas na II Guerra e os vários experimentos militares na década de 50. Mutantes nasciam com poderes em função de seus pais terem contato com a energia nuclear ou outros elementos radioativos.

PRECONCEITO: Destinados a salvar um mundo que os teme e odeia. O bordão serve para definir o grupo há décadas. Humanos temem mutantes por suas características especiais, e o embate entre as duas raças é o tema predominante nas histórias.

QUADRINHOS: X-Men são símbolo da indústria americana de histórias em quadrinhos, nunca saindo do Top 10 de vendas. Quando vende mal, é porque a indústria vai mal.

REVISTAS: a partir da década de 80, os mutantes foram ganhando dezenas de séries adjacentes, que variam muito em duração - Novos Mutantes/X-Force chegou a mais de duzentas edições, enquanto várias outras não alcançaram o número 20. As duas séries principais são a primeiríssima, Uncanny X-Men, que já passou das 420 edições, e X-Men, lançada em 1991 e aproximando-se do número 150. Era comum, nos anos 80 e 90, fazer histórias que continuavam de uma série para outra, levando o leitor a comprar toda a linha. Hoje em dia, cada série costumam seguir suas próprias histórias.

SUPER-HERÓI: gênero dos quadrinhos do qual os X-Men fazem parte e são a expressão máxima em vendas. Por mais que o quadrinho americano seja visto apenas como quadrinho de super-herói, existem diversos outros gêneros que vêm ganhando expressão.

TELEVISÃO: após uma tentativa na década de 80, que só rendeu um piloto, os X-Men finalmente chegaram à TV como desenho animado em 1992, numa série própria de cinco temporadas. Foi o que sedimentou os heróis como ícones pop mundiais - se antes eles já eram conhecidos, agora estavam presentes em tudo graças ao merchandising. A série de TV mais recente, X-Men evolution, foi muito bem recebida por fãs e continua levando os mutantes a novas alturas.

ULTIMATE: novo universo criado pela Marvel em 2000, remodelando suas principais personagens para o século XXI. Ultimate X-Men, publicada no Brasil em Marvel Millenium: Homem-Aranha, é um dos grandes sucessos da linha. A base é a mesma e os protagonistas são os mesmos, mas com personalidades e abordagem bastante diferentes.

VILÕES: o primeiro e mais importante até hoje foi Magneto, desde a primeira aventura dos X-Men com seus planos para unir a raça mutante e dominar a humana, em oposição ao sonho do Professor X. Não há uma galeria de vilões muito extensa, mas há alguns expressivos, como Apocalipse, mutante super-poderoso que quer destruir a raça humana, e os robôs Sentinelas, projetados por humanos para exterminar mutantes.

WOLVERINE: personagem mais famosa dos X-Men, da Marvel e quem sabe até de todos os quadrinhos. Nos X-Men desde 1974, ganhou série própria em 1988 e é estrela de diversas edições especiais, mini-séries e ainda das próprias X-séries principais. É senso comum entre a Marvel que, para alavancar as vendas de qualquer série, o ideal é ter uma participação especial de Wolverine.

XAVIER: do primeiro quadrinho da primeira história até hoje, o Professor X é, sem dúvida, o elemento mais constante no universo X. Desaparece de tempos em tempos, seja morrendo, viajando pelo espaço ou desistindo do sonho. É este sonho de coexistência pacífica entre humanos e mutantes que gerou a Escola Para Jovens Superdotados e todos os X-grupos, movimentando os X-Men até hoje.