Woody Allen por ANDER GILLENEA / AFP

Créditos da imagem: ANDER GILLENEA / AFP

HQ/Livros

Notícia

Funcionários de editora de livro de Woody Allen deixam prédio em protesto

Contrato do cineasta acusado de violência sexual foi assinado sem conhecimento da equipe da Hachette, responsável por publicar livro de Ronan Farrow

Nicolaos Garófalo
05.03.2020
22h53

Os funcionários da editora norte-americana Hachette deixaram seus escritórios em protesto na tarde desta quinta-feira (5), após o anúncio do acordo para publicar a autobiografia do cineasta Woody Allen, acusado de violência sexual, em abril. A ação dos funcionários aconteceu após Ronan Farrow, filho e um dos principais acusadores de Allen, repudiar o contrato da editora com o pai (via THR).

Em comunicado, a Hachette afirmou que respeita a opinião de seus funcionários e que irá “iniciar uma discussão mais profunda sobre o assunto assim que possível”. Confira foto do protesto, que contou com mais de 75 funcionários, abaixo:

De acordo com Farrow, cujo livro Catch and Kill, que fala sobre como homens poderosos como Allen evitam as consequências de seus crimes sexuais, também foi publicado pela Hachette, a editora não teria procurado por sua irmã, a também autora Dylan Farrow, para checar a versão sobre os abusos do pai.

A escritora, de 34 anos, acusa Allen há quase três décadas de violência sexual, e tem sua versão apoiada pela mãe e ex-esposa do diretor, Mia Farrow, e pelo irmão, jornalista investigativo que reuniu diversos depoimentos que deram origem ao movimento #MeeToo. Emocionada, Dylan foi às redes sociais agradecer o apoio dos funcionários da Hachette – confira:

Inacreditavelmente contente e incrivelmente agradecida pela solidariedade demonstrada pelo pessoal da Hachette e da Little, Brown & Co [subsidiária da Hachette] hoje. Do fundo do meu coração, obrigada

Woody Allen é acusado pela filha adotiva, Dylan Farrow, de tê-la violentado em 1992, quando ela tinha apenas sete anos. O diretor nega a acusação, que ressurgiu em 2013, quando Dylan, já adulta, recontou o caso na TV. Ela voltaria a repetir a acusação publicamente em 2014 e 2017, pouco antes da explosão dos escândalos que levaram ao movimento #MeToo.