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Resenha: Asterix e Latraviata

Resenha: Asterix e Latraviata

Pedro Hunter
16.04.2001
00h00
Atualizada em
28.12.2016
13h06
Atualizada em 28.12.2016 às 13h06
Capa do novo Asterix. Notem o título reduzido e o fundo azul, diferente do tradicional fundo branco.

Asterix é, indiscutivelmente, uma das melhores histórias em quadrinhos de todos os tempos. Infelizmente, a morte do roteirista, René Goscinny, em 1977 foi um duro golpe para a série que, sob a batuta do ilustrador Albert Uderzo, oscilou muito, entre bons (A odisséia de Asterix) e maus (A rosa e o gládio) momentos. Para saber mais sobre a série, leia o especial do Omelete.

O recém-lançado álbum Asterix et Latraviata também tem seus altos e baixos.

A história é interessante. As mães de Asterix e Obelix chegam à aldeia para comemorar o aniversário de seus filhos, trazendo cada uma um belo presente: uma espada e um capacete romanos magnificamente trabalhados. O que elas não sabem é que ambos foram roubados de Pompeu, rival de César pelo domínio de Roma (que, na arte de Uderzo, não guarda a mais vaga semelhança com a figura histórica...). Ele pretende recuperá-los com um plano ambicioso: infiltrar na aldeia uma atriz romana - a Latraviata do título - disfarçada da grande paixão de Obelix, Falbalá - de Asterix Legionário. Neste meio tempo, as mães dos dois gauleses tentam convencer os irredutíveis solteirões a se casar.

Resumido desta forma, parece tudo muito interessante, mas a idéia promissora não foi bem executada. Há várias falhas no roteiro (como os romanos descobriram tanta coisa sobre a vida pessoal de Asterix e Obelix, afinal&qt;&), poucas piadas boas e muitas recicladas de outros títulos. As idéias têm pouco desenvolvimento (como a referida determinação das mães dos protagonistas em casá-los) e mesmo algumas das "instituições" da série (como os infelizes piratas que cruzam o caminho dos nossos heróis) estão sem o brilho costumeiro.

Seja como for, este ainda é um álbum de Asterix, o que compensa muitos dos defeitos! A arte de Uderzo continua espetacular como de hábito (feito considerável, levando em conta a avançada idade do ilustrador e os elevadíssimos padrões artísticos da série); a história traz de volta alguns coadjuvantes subaproveitados anteriormente como Falbalá, que teve papel de destaque no filme de Claude Zidi (leia a resenha aqui), interpretada pela bela Laetitia Casta; e introduz os pais dos protagonistas presentes anteriormente apenas na história curta "O Nascimento de Asterix e Obelix", uma espécie de prelúdio a este álbum. A obrigatória aparição especial de Júlio César também foi bem executada, embora inclua uma piada que só faz sentido para franceses...

Uderzo, como de praxe, disse que este álbum será o último (como se alguém ainda acreditasse...). Não é um final com chave de ouro, mas também não faz feio. Uderzo costuma se sai melhor nos álbuns pares (este é seu sétimo álbum solo). Então, vamos esperar que o próximo seja mais saboroso. Ainda assim, como já disseram antes, mais vale meio Asterix do que nenhum!

Nota final: uma das personagens mais importantes da série arranja uma companheira no final. Não revelo quem é para não estragar a surpresa...

Nota Omelete
3 ovos e meio

Astérix et Latraviata
Publicado pelas Éditions Albert René
Criado por René Goscinny & Albert Uderzo
Roteiro e Arte: Albert Uderzo / Cores: Frédéric e Thierry Mébarki
Preço: 56 francos / 48 páginas em capa dura



Imagens © e TM 2001 Les Éditions Albert René / Goscinny-Uderzo