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Morre o quadrinista Renato Canini

Desenhista ficou conhecido por abrasileirar o Zé Carioca

Érico Assis
31.10.2013
09h15
Atualizada em
04.01.2017
10h02
Atualizada em 04.01.2017 às 10h02

Faleceu nesta quarta-feira, em Pelotas, o quadrinista Renato Canini. Com mais de 50 anos de carreira nos quadrinhos e na ilustração, ele ficou conhecido por suas HQs com o Zé Carioca e por várias outras criações nas décadas de 60 a 80. Canini tinha 77 anos.

Renato Canini

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Nascido em Paraí, no Rio Grande do Sul, o autor começou a carreira de desenhista em Porto Alegre na revista infantil Cacique, em 1957. Dez anos depois, mudou-se para São Paulo, onde trabalhou como ilustrador de uma publicação da Igreja Metodista e, pouco depois, na Editora Abril.

Tendo participado inicialmente da revista Recreio, Canini posteriormente entrou no estúdio de produção dos quadrinhos Disney. Desenhou sua primeira história do Zé Carioca em 1971, fugindo do estilo que a Disney havia traçado para o personagem e criando cenários, figurino e enredos mais adequados a um papagaio malandro carioca. As histórias são consideradas marcos na carreira do personagem, e foram reeditadas diversas vezes nos últimos anos.

Canini esteve envolvido na criação do Morcego Verde (versão super-herói de Zé Carioca) e das versões do personagem em outros estados brasileiros (Zé Baiano, Zé Candango, Zé Pampeiro, Zé Paulista etc.), fora os coadjuvante PedrãoAfonsinho. Em fins dos anos 70, a Disney solicitou à Abril que ele parasse de desenhar histórias de Zé Carioca, pois seu estilo ia contra os padrões da editora. O quadrinista ainda envolveu-se com roteiros do personagem até início dos anos 1980.

Ainda na Abril, o desenhista esteve envolvido na revista Crás!, com a sátira de western Kactus Kid, e no Projeto Tiras, para o qual criou o índio Tibica. Outra criação sua, o psiquiatra Dr. Fraud, também é desta época.

Canini ainda fazia ilustrações para livros infantis e, no ano passado, lançou uma coleção de cartuns chamada Pago pra Ver. Na última década, felizmente, recebeu várias homenagens: foi reconhecido como Mestre do Quadrinho Nacional pelo Troféu Ângelo Agostini em 2001 e como "Grande Mestre" pelo HQ Mix em 2003; também foi homenageado pelo FIQ em 2009, com exposição retrospectiva de sua carreira, e este ano pela Multiverso ComicCon.