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Os lançamentos nos EUA

Érico Assis
29.07.2005
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h18
Atualizada em 21.09.2014 às 13h18
Na coluna semanal LÁ FORA, o Omelete lê e comenta todos os grandes lançamentos em quadrinhos nos Estados Unidos.

ALL-STAR BATMAN & ROBIN, THE BOY WONDER #1

É o grande lançamento do verão? Sem dúvida. É Frank Miller voltando ao Batman? Claro (ele sempre volta). Desenhos do Jim Lee? Sim, pode babar. Tem tudo pra ser um ótimo excelente? Tem. É? Não.

Quando você lê a primeira edição de All-Star Batman & Robin, fica procurando onde está a marca de Frank Miller. O ritmo que só ele sabe dar, o texto curto e grosso, o Batman "millerístico". Aí você começa a se esforçar para achar a tal marca. Tem algumas pistas no texto, algo que cheira a Miller, mas que você pode estar confundindo com outra coisa. Jim Lee domina a cena. De repente acaba. E você não viu nada de Frank Miller.

Então. All-Star Batman & Robin, do jeito que está, poderia ter sido escrita por qualquer roteirista de segunda linha. Aliás, venderia do mesmo jeito - Jim Lee é o chamariz. Ou pode ser que Miller esteja se afundando mais em sua obsessão pelos quadrinhos da metade do século, e está ressuscitando coisas óbvias como o parceiro-mirim que se identifica com o leitor, o questionamento da autoridade (veja a polícia de Gotham na revista), bem e mal precisamente definidos, mulheres sexy como coadjuvantes inúteis...

Isso não é Frank Miller como eu queria. Nem como você queria. Ao invés de All-Star, leia Cavaleiro das Trevas pela 357ª vez. Ou vá juntando esperança para a segunda edição.

CATWOMAN: WHEN IN ROME #6 (de 6)

Não me pergunte sobre a história. Esta minissérie levou tanto tempo para chegar ao capítulo final (meses e meses de atraso) que no capítulo 2 eu já tinha me esquecido de tudo. Além do mais, o roteiro é do Jeph Loeb - não devia ser algo muito genial...

O motivo para eu falar de Catwoman: When In Rome é a arte de Tim Sale. Sale é um dos maiores desenhistas de quadrinhos cuja carreira você testemunhará. Como acontece com muitos bons desenhistas, a cada trabalho ele vem diminuindo o número de linhas, chegando na síntese de seu estilo. Mas essa diminuição é acompanhada de outras descobertas - experimentos com materiais e técnicas diferentes, testes de composição, brincadeiras com ângulos. Os resultados têm sido fantásticos.

Sale é genial. Com todo seu talento, você devia agradecer por cada página - a ele e a alguma força divina que o impele a continuar nos quadrinhos.

SMOKE / DESOLATION JONES

Duas novas revistas que deixam você imaginando se personagens albinos são parte indispensável na fórmula das boas histórias. Smoke e Desolation Jones são ótimas.

Desolation, o personagem-título, não é propriamente albino. Ele é cinza. Um ex-espião inglês que acaba de passar por um experimento secreto no qual perdeu todo seu medo e provavelmente todas as outras emoções. Atuando em Los Angeles, sua primeira missão na série é encontrar o filme pornô feito por Adolf Hitler, que acaba de ser roubado de um colecionador. Ou algo assim.

Já falei que gosto mais dos textos de prosa de Warren Ellis do que de seus quadrinhos? Pois é. Desolation é como uma lata de lixo onde Ellis está jogando todas as estranhices que encontra na sua Busca Pelo Bizarro. Até agora não está tão ruim, mas falta uma história, um fio da meada, se é que você me entende. O legal mesmo da série é a arte de J.H. Williams III - recém-saído de Promethea, Williams é um monstro da ilustração que explode a cada página. Seu trabalho é incrível.

Smoke, de Alex DeCampi e Igor Kordey, é o tradicional quadrinho europeu de desenhos luxuosos e roteiro complicado. Algo a ver com um atentado à monarquia britânica; não me peça pra explicar. Só destaco aqui porque, ao contrário de 99% das minisséries que eu leio hoje em dia, Smoke foi a primeira que me conquistou na primeira edição. E com uma roteirista totalmente desconhecido. DeCampi - e a mini - têm um bom futuro pela frente.

JLA CLASSIFIED #9

Me arrependo profundamente de ter detonado a primeira minissérie da volta de Giffen/DeMatteis/Maguire à Liga, Já Fomos a Liga da Justiça. Devia saber que era uma oportunidade rara, que tinha que ser apreciada.

Lendo esta segunda mini - que não é bem minissérie, pois saiu dentro da série JLA Classified -, fui mais cuidadoso. Agora é certo (por motivos que você vai saber em breve) que não veremos essa gente junta novamente. Então você tem que aproveitar cada piadinha, cada uma das deliciosas expressões faciais de Maguire, cada tirada de GNort. Eles não voltarão.

Mas, verdade seja dita, I Cant Believe Its Not The Justice League é bem melhor que Já Fomos... O ritmo das tiradas é intenso e, ao contrário de Já Fomos..., agora há um bom contexto pra desenvolver as piadas. Foi muito divertida.

Adeus, Giffen, DeMatteis e companhia. Vocês já estão fazendo falta.

EISNER AWARDS

Hoje li um comentário excelente, do Tom Spurgeon, sobre a premiação do Eisner. Ganha quem entretém, mais do quem contribui para a evolução dos quadrinhos. É um bom resumo da política do Eisner Awards.

Dá pra adicionar a essa teoria que os juízes do Eisner buscam destacar quadrinhos que não ganharam a atenção merecida. Muitos trabalhos foram "descobertos" no Eisner. Unfamiliar, de Evan Dorkin e Jill Thompson, que ganhou melhor história curta, é um exemplo. Saiu numa obscura antologia da Dark Horse, que não vendeu nada e nem apareceu nas colunas de resenhas. Mas que é uma história, mesmo que bem inocente e sem pretensões, divertidíssima.

Brian K. Vaughan, que concorria em 6 categorias, levou 2 prêmios. Kyle Baker, concorrendo em 5, também levou 2. Eric Powell, quatro indicações por The Goon, 2 de novo. Eram os grandes favoritos do Eisner, e só não ganharam mais para o povo não achar que é marmelada. Por outro lado, Astonishing X-Men, seis indicações, só ficou com melhor desenhista - John Cassaday, que na verdade tem oito braços e estava concorrendo por outros três trabalhos além de Astonishing.

Para quem estava na cerimônia, o grande momento foi a entrega do prêmio de melhor antologia. Ganhou The Amazing Adventures of the Escapist, série baseada no personagem criada pelo romancista Michael Chabon em As Incríveis Aventuras de Kavalier & Clay. Chabon, na platéia, gritou: "mas vocês VIRAM a McSweeneys???", fazendo referência ao pesado livrão que reúne a nata dos quadrinhistas alternativos dos EUA (do qual falei aqui faz um tempo), e que também estava concorrendo na categoria. Quem viu, realmente não entende como Escapist ganhou. Impossível prever os Eisner.

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