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Lá Fora

Os quatro gibis mais comentados nos Estados Unidos no momento

Érico Assis
17.08.2009
00h00
Atualizada em
30.12.2016
03h03
Atualizada em 30.12.2016 às 03h03

PARKER: THE HUNTER

Lá Fora

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Batman and Robin

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The Hunter

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Wednesday Comics

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Asterios Polyp

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O primeiro gibi mais comentado nos EUA no momento: a história de um herói amoral que percorre o submundo de Nova York atrás de vingança, nada mais que vingança. Este é The Hunter, adaptação para os quadrinhos do livro homônimo de Richard Stark - pseudônimo do romancista Donald Westlake (1933-2008) - criação de Darwyn Cooke.

Você provavelmente já conhece The Hunter. Se não leu o livro, já deve ter visto uma das adaptações cinematográficas: À Queima Roupa, com Lee Marvin, de 1967 (dir. John Boorman), ou O Troco, com Mel Gibson, de 1999 (dir. Brian Helgeland).

E provavelmente também conhece Darwyn Cooke: o designer que, envolvido com os desenhos animados de Batman, resolveu pular para os quadrinhos, fez a grandiosa DC: A Nova Fronteira e estava revigorando The Spirit antes de largar os super-heróis para dedicar-se a este projeto pessoal. Foi a partir do contato com o próprio Westlake que Cooke resolveu transformar seus livros em HQ.

Diferente dos filmes, a HQ busca ser extremamente fiel ao livro. Passa-se em 1962, reproduz o ambiente da época até no estilo de desenho e tem uma fantástica seqüência de abertura na qual Parker, derrotado mas movido por uma determinação que parece vir do inferno, entra em Nova York a pé e reestabelece sua vida. É possível conferir esta seqüência, que representa bem o poder narrativo da adaptação, aqui.

Crítica e leitores nos EUA responderam muito bem - o álbum já esgotou sua primeira tiragem. The Hunter está sendo tratada como ponto alto na onda de HQs policiais que vai de 100 Balas a Criminal.

Diferente dos quadrinistas que hoje decidem seguir a rota autoral para fazer grana vendendo os direitos para o cinema, Cooke resolveu investir em uma paixão pessoal para fazer boa HQ, nada mais do que isso (os filmes, afinal, já foram feitos). A única decepção de Cooke foi não ter conseguido mostrar nenhuma página para Donald Westlake, que faleceu em dezembro. Mas seus planos, já acertados com o criador do personagem, são de fazer pelo menos quatro graphic novels adaptando os livros de Parker (que são mais de 20).

WEDNESDAY COMICS

O segundo gibi mais comentado nos EUA no momento: um jornal semanal com aventuras dos maiores heróis da DC escritas e desenhadas pelos melhores colaboradores da editora. Com páginas de HQ do tamanho do maior jornal na sua banca.

Em época de webcomics, de Kindle e Sony Reader, de pirataria de quadrinhos na rede e de graphic novels luxuosas na livraria, Wednesday Comics quer a nostalgia da grande seção de quadrinhos coloridos do jornal de domingo. Gibi que você tem que ler esparramado no chão, coisa que hoje só os quarentões americanos lembram.

Em 35,5 por 50,8 cm, uma página de HQ tem que ter muito mais quadros que as no formato padrão. As de Ben Caldwell com a Mulher Maravilha, por exemplo, usam em torno de 40 quadros na página - para contar uma história cada, fazendo homenagens ao clássico Little Nemo. Já Neil Gaiman e Mike Allred, em Metamorfo, já chegaram a fazer uma imagem só para a página inteira, fora uma tirinha extra na parte de baixo onde são respondidas cartas fictícias dos fãs do personagem.

A idéia aqui é brincar com o formato. Subentenda-se que o conteúdo não tem que ser revolucionário nem arrebatador. A melhor tira, até agora, é a do Gavião Negro escrita e desenhada por Kyle Baker - cheia de detalhes cômicos e aproveitando para tirar sarro dos monólogos "metidões" de Frank Miller. Já as demais ganham pelo desenho. O que importa, afinal, é a alegria de ver grandes e coloridos personagens na página gigante.

ASTERIOS POLYP

O terceiro gibi mais comentado nos EUA no momento: o primeiro trabalho de David Mazzuchelli após 15 anos de silêncio, que retrata a busca de um homem por aceitar o ritmo natural do mundo após uma vida dedicada à racionalização de tudo e de todos.

Asterios Polyp é um professor de arquitetura cujos projetos arquitetônicos nunca foram realizados. Sua vida são as aulas onde reclama dos discentes - "tenho dois tipos de alunos: os que não sabem desenhar e os que não sabem pensar" - e as festas onde esbanja erudição para baba-ovos. Asterios conhece Hana, uma jovem artista cuja visão do mundo e da arte é completamente oposta. E é a partir do momento em que perdê-la que ele começará uma jornada para redescobrir-se e encontra outro sentido na vida.

É o álbum intelectual da temporada de lançamentos em quadrinhos. Já está sendo analisada em detalhe pelos primeiros resenhistas da Internet - e dos jornais de peso, como o New York Times, que já lhe dedicou dois textos. Scott McCloud, o autor de Desvendando os Quadrinhos, já publicou um pequeno ensaio sobre a obra, onde diz que ela deve ser lida pelo menos duas vezes para começar a entender sua profundidade de sentidos.

Mazzuchelli é lembrado por suas colaborações com Frank Miller em Demolidor: A Queda de Murdock e Batman: Ano Um. Depois da graphic novel Cidade de Vidro, publicada nos EUA em 1994 (e no Brasil, em 1998) dedicou-se a pequenas histórias bem esporádicas e às aulas como professor da School of Visual Arts de Manhattan. Asterios Polyp é um retorno pomposo, com uma combinação cuidadosa de estilos de desenho, estudos de cor, tipografia e narrativa. Detalhista é pouco para descrever a obra.

BATMAN AND ROBIN

O quarto e último gibi mais comentados nos EUA no momento: o que já era esperado. Novo Batman, novo Robin, nova série, novas idéias malucas de Grant Morrison desenhadas em um novo estilo de Frank Quitely. Não há por que não ler (e reler e reler e reler).

As duas primeiras edições são aventura de alta octanagem e nada mais. A primeira abre com a seqüência de perseguição motorizada na qual juro que consigo ver o novo Batmóvel se mexer. A segunda é para quem queria ver mais das pirações de Frank Quitely na composição de páginas de ação - como fez fantasticamente em We3. É uma pena que a leitura seja tão rápida.

Morrison chega a abusar. Faz o novo Batman usar parlari - um antigo idioma usado apenas por gente de circo - para falar com os inimigos. A idéia, em um escritor com menos capacidade, serviria para toda uma saga que exploraria as raízes circenses do novo Batman. Morrison usa-a por apenas dois quadros.

E Quitely é o melhor desenhista de ação da atualidade. É uma pena que não estará presente a partir da edição 4, mesmo que subtituído por gente com cacife: Billy Tan e Frazer Irving. Volta somente na edição 10, no ano que vem. Vai ser uma longa espera.