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Lá Fora

Monte sua gibiteca de quadrinhos importados aproveitando o dólar baixo

Érico Assis
04.03.2008
11h00
Atualizada em
16.01.2017
22h04
Atualizada em 16.01.2017 às 22h04

Na coluna "LÁ FORA", o Omelete lê e comenta todos os grandes lançamentos em quadrinhos nos Estados Unidos.

Você já viu o câmbio do dólar hoje?

Starman

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Demolidor

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Next Men

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Parece papo de investidor internacional, né? E é mesmo. Como bom leitor de quadrinhos, você deve saber que estamos em tempos cada vez mais propícios para fazer os melhores investimentos da nossa vida: uma boa gibiteca de importados. Com o dólar em queda, é hora de começar a ler no original e - veja só - pagar menos pelos seus quadrinhos.

Isso mesmo: está mais barato comprar quadrinhos nos EUA do que no Brasil. Não somente devido à queda do dólar. As editoras norte-americanas estão cada vez mais voltadas para o mercado das livrarias, lançando coletâneas de minisséries ou pedaços de séries a preço acessível. Nada de gibis de 30 e poucas páginas - que lá fora chamam de floppies ou, pegando a analogia musical, singles -, mas sim livros em quadrinhos, com lombada quadrada ou capa dura.

A idéia para esta coluna surgiu quando vi, na minha lista de pedidos em pré-venda, três volumes pesadões: The Starman Omnibus Volume 1, Daredevil by Brian Bendis & Alex Maleev Omnibus Volume 1 e John Byrne's Compleat Next Men. Cada um de uma editora diferente, o menor deles com 430 páginas, o mais caro por uns US$ 70 - R$ 115, no câmbio de hoje. Todos de criadores que admiro, dois deles com material que nunca deu as caras no Brasil.

Starman Omnibus, para começar. A DC vai reunir em 3 ou 4 coletâneas de capa dura a série de James Robinson que fez sucesso de crítica nos anos 90. A série chegou a ter coletâneas com menos páginas, mas muitas delas já estão esgotadas - e a importação de todas saía relativamente mais caro. Agora (em junho, na verdade, quando o Omnibus sair) você pode comprar uma edição de luxo com as primeiras 18 edições pelo equivalente a uns R$ 65 - que é menos do que você pagou pelas poucas histórias do personagem que saíram no Brasil.

Omnibus, na verdade, é uma palavra que começou sendo utilizada pela Marvel para referir-se a suas pesadas coleções de luxo. A primeira delas foi de Alias, a série de Brian Bendis na linha Max - com todas as 28 edições em um único volume de 600 páginas. Logo depois, veio New X-Men Omnibus - nada menos que 1096 páginas (!) com toda a passagem (mais de 40 edições) de Grant Morrison pelos mutantes. O Omnibus do Demolidor de Bendis e Maleev vem na seqüência de um outro que trazia todas as histórias de Ed Brubaker no Capitão América - até a morte do herói - e de uma série de volumes com material clássico da editora: Homem-Aranha, X-Men, Homem de Ferro e Hulk de Stan Lee, o Demolidor de Frank Miller (todo reunido em dois volumes, mais um de Elektra), entre outros.

O mais interessante é que, apesar de terem sido sucesso no seu lançamento original, o material continua vendendo bem na sua versão Omnibus. Muitas das coleções que mencionei já estão esgotadas e são disputadas a preços exorbitantes por colecionadores. O prazer de ter uma lombada gigante e bonita na prateleira fala mais alto, para os fãs de lá. Para nós, no Brasil, o que fala mais alto é o preço: mais barato que comprar as histórias individuais quebradas nas antologias tupiniquins (ou nos floppies), com a vantagem de papel especial e texto no original.

A DC tem seu próprio modelo de coleções gigantes, que chama de Absolute. A ênfase, porém, é mais no luxo e menos na quantidade, então os preços podem não ser tão convidativos. Mas as coleções campeãs de vendas Absolute Sandman - cada uma com aproximadamente 20 edições da famosa série de Neil Gaiman - até valem a pena. Já as de Kingdom Come, Watchmen, Batman: The Long Halloween e The New Frontier talvez pesem um pouco no bolso - apesar de serem lindas.

A novidade é que as editoras menores entraram na moda. O já mencionado Compleat Next Men reúne toda a série de John Byrne - publicada pela Dark Horse no início dos anos 90 - em um volumão em preto-e-branco. Falando em Dark Horse, a editora adotou também o nome Omnibus para lançar suas melhores histórias de Star Wars, Exterminador do Futuro, Buffy, Predador, Aliens e outros. A pequena Oni Press começou a juntar a ótima série de espionagem Queen & Country, de Greg Rucka, em quatro volumes de 300 páginas, na média. Até a líder dos quadrinhos independentes, a Fantagraphics, lançou Hate, o marco dos anos 90 por Peter Bagge, completa em dois volumões.

Onde comprar? Há várias opções. Se você tem um cartão de crédito internacional, a poderosa Amazon geralmente é a melhor opção: é líder em descontos e recentemente baixou alguns valores de frete. Vale a pena pesquisar os preços também de lojas como Things From Another World, My Comic Shop, Khepri (as três específicas de quadrinhos), Abe Books, A1 Books e Better World (as três últimas são agregadoras de sebos e pequenas livrarias). De vez em quando também é possível encontrar ótimas pechinchas no eBay. Cuidado apenas com os valores de frete, que variam bastante.

Se você preferir comprar em lojas brasileiras, as três melhores são Submarino, Saraiva e Livraria Cultura. Os preços geralmente são mais altos que das lojas estrangeiras (mesmo com o frete destas), mas vez por outra você encontra um descontão.

Enfim, a época é cada vez mais propícia para começar uma boa coleção de TPBs (trade paperbacks, o nome americano das coletâneas). Se você ainda não está afiado no inglês, corra atrás de fazer os books on the table virarem books on the bookshelf (e, se possível, invista também em francês, italiano, espanhol e japonês, os idiomas essenciais para ler gibi do mundo inteiro). Está mais do que na hora de trazer o que só estava "lá fora" para cá.