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Artigo

<i>Mickey X</i>

<i>Mickey X</i>

Roberto Elísio dos Santos
29.04.2003
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h14
Atualizada em 21.09.2014 às 13h14

Mickey X 1

A arte interna da revista,
por Alessandro Perina


Dicas de filmes

Desta vez, a Abril acertou.

Mickey X, recém-chegado às bancas, é uma prova de que ainda existe material de qualidade sendo realizado com as personagens Disney. Especialmente na Itália, onde a criatividade dos artistas é valorizada tanto pela empresa quanto pelo público.

A Walt Disney Itália, que passou a publicar as revistas com suas personagens nos anos 80, após três décadas vinculados à editora Arnoldo Mondadori, incentivou a formação de novos talentos dos quadrinhos (que estudaram na Università Disney com os melhores quadrinhistas de lá, como Giovan Battista Carpi e Romano Scarpa) e segmentou sua produção, colocando no mercado edições voltadas para o fã mais antigo, para as meninas e para os adolescentes.

Assim, a Disney Witch, que a Abril lançou em 2002, apresentava as aventuras de um grupo de bruxinhas adolescentes no estilo de mangá feminino (quadrinho japonês). Tratando de problemas e dos relacionamentos característicos da faixa etária do público, conseguiu despertar o interesse das meninas por quadrinhos, inclusive no Brasil, o que é uma vitória.

Na mesma linha, mas voltada para os adolescentes do sexo masculino, a revista Donald Super (PK - Paperinik New Adventures, na Itália), retoma a personagem Superpato (Paperinik, criado na Itália em 1969 pelo roteirista Guido Martina e pelo desenhista Giovan Battista Carpi), em aventuras futuristas e recheadas de tecnologia e alienígenas. O novo ambiente e os roteiros acabam por ofuscar o que o Superpato original tinha de melhor: o anti-herói (calcado no protagonista dos fumetti neri Diabolik, lançado no início dos anos 1960, e seus imitadores, a exemplo de Satanik) exacerbava a personalidade conturbada do Pato Donald, que entrava em conflito com seus sobrinhos, Tio Patinhas, Margarida e Gastão. Superpato vingava-se dos desafetos de Donald e ainda posava de herói.

De todas as novas criações italianas, contudo, Mickey X (o título, na Itália, é X Mickey, uma alusão à série televisiva Arquivo X) é a melhor. O ratinho protagonista volta a ser mostrado como um detetive, mas, desta vez, tem de resolver mistérios em outra dimensão, o Mundo do Impossível, lugar onde qualquer absurdo pode acontecer. Lá, Mickey conhece novos personagens como Patetosco (um lobisomem parecido com o Pateta) e Manny (versão da Minie com cabelos brancos).

Os desenhos de Alessandro Perina seguem a linha dos grandes quadrinhistas italianos (em especial de Giorgio Cavazzano e de Massimo De Vita) e o roteiro escrito por Brunno Enna é inteligente e instigante. Como sempre, os autores não foram creditados.

A edição brasileira apresenta dicas de games, DVD, livro, cinema etc. voltadas para o público da revista. Mickey X é uma publicação bimestral de 84 páginas e custa R$ 6,90.

* Pesquisador Sênior do Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP, jornalista, doutor em Comunicação pela ECA-USP, professor do Centro Universitário de São Caetano e autor do livro Para reler os quadrinhos Disney (Editora Paulinas).