Montagem com imagens da Mulher-Maravilha Brasileira, Quino e Cascão

Créditos da imagem: Divulgação/DC Comics;Miguel Riopa/AFP;Reprodução/MSP

HQ/Livros

Lista

O ano de 2020 nas Histórias em Quadrinhos

Mulher-Maravilha brasileira, impacto do COVID-19 e muito mais

Gabriel Avila
31.12.2020
17h30
Atualizada em
31.12.2020
17h41
Atualizada em 31.12.2020 às 17h41

Anualmente o Omelete reúne os grandes momentos no cinema, na TV, na música, e é claro que não poderiam faltar as Histórias em Quadrinhos. Em um ano tão atípico para o mundo todo, não poderia ser diferente para a indústria de HQs, que precisou se adaptar e reinventar para chegar ao público.

Entre a chegada de grandes histórias, a despedida a grandes mestres e fenômenos dentro e fora das páginas, esse foi um ano cheio. Então para fechar as tradicionais listas de final de ano do reunimos os grandes acontecimentos nas Histórias em Quadrinhos em 2020. Confira abaixo:

O Ano da Turma da Mônica

Capas das Graphic MSP lançadas em 2020
Divulgação/MSP

Em um ano tão conturbado para a indústria dos quadrinhos, é justo dizer que 2020 foi ótimo para os fãs da Turma da Mônica. Em primeiro lugar, esse foi o primeiro ano em que as principais Graphic MSP foram sequências. Com exceção de Cascão - Temporal, de Camilo Solano, o selo publicou continuações aguardadas, Astronauta: Parallax, de Danilo Beyruth, Jeremias: Alma, de Rafael Calça e Jefferson Costa, e Penadinho: Lar, de Cristina Eiko e Paulo Crumbim - que teve direito a texto do nosso querido Load Comics.

2020 marcou também três aniversários importantíssimos: os 85 anos de Mauricio de Sousa, a lenda dos quadrinhos brasileiros, os 60 anos da criação do Cebolinha e os 50 anos da revista da Mônica, que segue em publicação ininterrupta desde 1970.

Outro ponto alto para os fãs da turminha do Bairro do Limoeiro foram os anúncios para o ano de 2021. Além de um crossover com Garfield, o famoso gato criado por Jim Davis, e também de novas Graphic MSP de Chico Bento por Orlandeli, Magali por Lu Cafaggi, Franjinha por Vitor Cafaggi, e Piteco por Eduardo Ferigato.

A Mulher-Maravilha brasileira

Em outubro a DC Comics anunciou a estreia de Yara Flor, a Mulher-Maravilha brasileira. Criada por Joëlle Jones, a heroína vinda da Amazônia será apresentada no Future State, uma linha de HQs ambientadas no futuro da editora. A autora se mostrou muito entusiasmada com a personagem, que revelou ser inspirada no visual da modelo brasileira Suyane Moreira. Em entrevista ao Omelete, Jones detalhou sua extensa pesquisa no folclore brasileiro para a criação da personagem e revelou a presença da Caipora nas aventuras de Yara.

Antes mesmo de estrear, a Mulher-Maravilha brasileira ganhou destaque também fora das HQs com o anúncio de uma série de TV. Produzido por Greg Berlanti na CW, o seriado vai mostrar o início da carreira heróica de Yara Flor, no período em que ela ainda era a Moça-Maravilha.

O adeus a grandes mestres

Montagem com fotos de Quino e Albert Uderzo
MIGUEL RIOPA/AFP;BERTRAND GUAY/AFP

Nem só de alegrias foi feito 2020, e este ano infelizmente tivemos de nos despedir de grandes mestres dos quadrinhos. Dentre os grandes mestres que nos deixaram estão Albert Uderzo, co-criador de Asterix e Obelix, e Quino, o pai da Mafalda. Perdemos também Daniel Azulay, Denny O'Neil, Richard Corben, Juan Giménez, Mort Drucker e Martin Pasko.

Artistas brasileiros premiados em concurso internacional de mangás (novamente)

Imagem do Silent Manga Audition de 2019
Divulgação/Silent Manga Audition

Neste ano os quadrinistas Lucas Marques e Priscila Miranda foram premiados por sua obra Never Lateno Silent Manga Audition, competição internacional de mangás sem diálogo. O prêmio não é estranho a artistas brasileiros, que já premiou Max Andrade (Juquinha) por Lend a Hand em 2016.

Aclamada fase dos X-Men chega ao Brasil

Capas das novas revistas dos X-Men
Divulgação/Panini

Após anos sendo jogados para escanteio pela Marvel, os X-Men finalmente voltaram aos holofotes da editora. Para colocar ordem na casa e iniciar uma das mais ambiciosas eras dos mutantes, a Casa das Ideias contratou o roteirista Jonathan Hickman, que definiu novos rumos para os heróis nas minisséries Dinastia de X e Potências de X. Após o fim desse impressionante prólogo, teve início a chamada Aurora de X, fase que reuniu as HQs X-Men, X-Force, Novos Mutantes, Excalibur, Carrascos e Anjos Caídos em histórias independentes que se ligam de maneira consistente. Aclamada pela crítica internacional, essa fase chegou ao Brasil em agosto na nova revista dos X-Men, que teve sua numeração zerada e reúne todos esses títulos, organizados por ordem de leitura. Sem dúvidas a chegada de uma das mais importantes HQs de heróis dos últimos anos é um grande momento para 2020.

Death Note ganha sequência

Capa do novo capítulo de Death Note
Divulgação/JBC

Quatorze anos após sua conclusão, o mangá de Death Note ganhou uma inesperada sequência. Reunindo os autores originais Tsugumi Ohba e Takeshi Obata, a história se passa após o desfecho da história original e acompanha a nova queda do caderno de Ryuk no mundo dos humanos. Em uma trama curta que reflete sobre o impacto da obra nos tempos atuais, a publicação foi lançada no Brasil de forma digital pela JBC.

O retorno da Milestone

Capa da HQ Milestone Returns Zero
Divulgação/DC Comics

Durante o DC FanDome, a DC Comics anunciou o retorno da Milestone, selo de quadrinhos dedicado à diversidade racial que foi casa de grandes heróis como o Super-Choque. Antes de iniciar a publicação de materiais - novos e clássicos - do selo em 2021, a editora lançou a revista Milestone Returns Zero, que reuniu um incrível time de artistas para dar o pontapé inicial dessa nova fase do selo.

Última HQ de Alan Moore chega ao Brasil

Capa de A Liga Extraordinária: Tempestade, a última HQ de Alan Moore
Divulgação/Devir

Em 2016 Alan Moore anunciou sua aposentadoria dos quadrinhos. O criador de clássicos absolutos como Watchmen, Batman: A Piada Mortal, V de Vingança e muitas outras, revelou que largaria as HQs após concluir Cinema Purgatorio e A Liga Extraordinária - ambas desenhadas por Kevin O'Neil. O adeus marcado por A Tempestade, o último volume da Liga, chegou ao Brasil em março deste ano pela Devir.

Demon Slayer chega ao fim (e quebra recordes)

Imagem do filme Demon Slayer - Kimetsu no Yaiba - The Movie: Mugen Train
Divulgação

Que Demon Slayer é um verdadeiro fenômeno você já sabe, mas 2020 marcou a consagração da obra de Koyoharu Gotouge. No ano em que chegou ao fim, a publicação vendeu mais de 82 milhões de cópias no Japão quebrando os recordes de venda do mesmo título.

Demon Slayer impressionou também fora das páginas, já que o filme Demon Slayer - Kimetsu no Yaiba - The Movie: Mugen Train quebrou recordes de bilheteria no Japão - a ponto de ultrapassar Titanic nas bilheterias e se tornar o 2º maior filme da história no país.

A chegada do mangá de Jaspion

Capa do mangá O Regresso de Jaspion
Divulgação/JBC

Anunciado em 2018, o mangá que continua a série de Jaspion foi publicado pela Editora JBC. Com roteiro de Fábio Yabu e desenhos de Michel Borges, O Regresso de Jaspion continua a história do Campeão da Justiça do ponto onde a série de TV parou e já chegou fazendo barulho ao ficar em terceiro na lista dos livros mais vendidos do Brasil pela Nielsen PublishNews e a publicação mais vendida da Amazon Brasil em seu lançamento. E esse pode ser apenas o começo de uma nova era Tokusatsu nos mangás, já que durante o painel na CCXP Worlds a JBC revelou que Jaspion é o pontapé inicial de um universo dos heróis criados pela Toei.

Impacto do COVID-19

Montagem com desenhos de Jim Lee e Rob Liefeld para a caridade durante a pandemia do COVID-19
Reprodução/Jim Lee/Instagram;Reprodução/Rob Liefeld/Instagram

Assim como absolutamente qualquer área, a indústria de quadrinhos dos Estados Unidos sofreu com a pandemia do novo coronavírus. Além de praticamente paralisar suas publicações e sofrer um calote inédito por parte da Diamond - a maior distribuidora do mercado internacional -, as editoras tiveram que rever todo o seu planejamento para este ano.

Houve também um grande esforço para ajudar as comic shops, únicos locais dos EUA em que se pode comprar quadrinhos no formato de revista - já que encadernados também chegam a livrarias. Para auxiliar os comércios que tiveram de fechar durante a quarentena, houveram grandes doações por parte de editoras, como a DC, e também de grandes quadrinistas como Jim Lee e Rob Liefeld. No Brasil, as lojas de quadrinhos tiveram que se reinventar - seja turbinando seus sites, atendendo em horários alternativos e até promovendo lives para retomar o contato com os clientes.

Cascão lava as mãos

Imagem do personagem Cascão lavando as mãos
Divulgação/MSP

Durante a pandemia do novo coronavírus o mundo inteiro buscou maneiras de fornecer apoio e conscientização para as melhores formas de se proteger da epidemia. Uma das que mais chamou atenção veio dos quadrinhos, quando o Cascão apareceu lavando suas mãos em uma singela - mas impactante - mensagem.

Vale lembrar que outros personagens dos quadrinhos também se juntaram garoto do Bairro do Limoeiro. A DC enviou pôsteres que indicam a distância recomendada para as comic shops posicionarem seus clientes, a Marvel lançou tirinhas que imaginam o que seus heróis estavam fazendo durante a quarentena e Kevin Maguire recriou sua famosa capa para a HQ da Liga da Justiça imaginando como o time se reuniria em tempos de distanciamento social.

Tropa de Elite inspira mangá no Japão

Capa do mangá Kami no Caveira, inspirado no filme Tropa de Elite
Divulgação/Young Jump

Dentre as notícias mais inusitadas de 2020, sem dúvidas está o lançamento de um mangá inspirado em Tropa de Eliteno Japão. Intitulado Caveira de Deus (ou Kami no Caveira), a história se passa no Rio de Janeiro e acompanha Tobias, um jovem policial do BOPE que precisa dominar um território dominado pelo tráfico enquanto questiona os comandos de seu capitão Shindo. Escrito e desenhado por Shiori Amase (All Out!), Caveira de Deus foi lançado pela Young Jump.

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