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HQ: <I>Bórgia - Sangue para o Papa</i>

HQ: <I>Bórgia - Sangue para o Papa</i>

Érico Borgo
31.08.2005
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h18
Atualizada em 21.09.2014 às 13h18
Bórgia - Sangue para o Papa
4 ovos

A produção de álbuns de quadrinhos de luxo no Brasil tem crescido mensalmente, com lançamentos fantásticos. Se nas bancas o domínio é mesmo dos mangás e super-heróis, nas lojas e livrarias a conversa é outra. Ótimo exemplo dessa diversificação é o álbum adulto Bórgia - Sangue para o Papa, lançamento recente da Conrad Editora.

A história em quadrinhos foi lançada na Europa em novembro de 2004 e trata-se do primeiro volume de uma obra que pretende contar uma das mais sangrentas e criminosas histórias da Igreja Católica, a saga da Família Bórgia.

Na Itália do século XV, o valenciano Rodrigo Bórgia (1431-1503), um cardeal espanhol, conseguiu através de intimidação, sedução, suborno e maquinações políticas, conquistar o papado. Ao ser eleito sumo pontífice, com o nome de Alexandre VI, consolidou seu poder com uma enorme rede de alianças criminosas que, segundo estudiosos, serviu como semente para a máfia italiana. Símbolo máximo da corrupção da Igreja na época (que mais tarde geraria a cisão entre católicos e protestantes), Alexandre era dado a todos os tipos de prazeres mundanos que a Bíblia condena e, por conta disso, tornou-se excelente material para boas histórias. Mario Puzo, autor do excelente romance Os Bórgias, que o diga!

No comando da adaptação para aos quadrinhos desse apetitoso período histórico estão dois gigantes da nona arte: o chileno Alejandro Jodorowsky (textos) e o italiano Milo Manara (desenhos).

Cineasta de poucos filmes e grandes projetos, Jodorowsky foi apresentado às HQs pelo francês Moebius e tem nas referências religiosas e mitológicas seu grande interesse. Sua série mais famosa é justamente uma exploração do tema: A Saga dos Metabarões. Assim, uma história como Bórgia, que destrincha ao máximo o lado negro da Igreja católica é verdadeiro parque de diversões para o autor.

Outro que deve ter se divertido horrores pintando pênis decepados, belos corpos femininos (sua especialidade), decapitações e velhos clérigos em atos de total devassidão, é Manara. O artista italiano mestre do erotismo está em sua melhor forma, não só no que diz respeito à carne e ao sangue, mas também na detalhada recriação de traçados arquitetônicos e cenários.

A edição primorosa da Conrad tem 60 páginas coloridas, formato 21x27 (capa dura, papel de alta qualidade) custa 39 reais. Vale avisar, no entanto, que o conteúdo herético e sexual de Bórgia - Sangue para o Papa pode ofender algumas pessoas, além de ser impróprio para menores.

O volume dois da série anual sairá na Europa em novembro de 2005.

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