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Exóticos quadrinhos orientais

Exóticos quadrinhos orientais

Pedro Hunter
29.11.2000
01h00
Atualizada em
11.12.2016
15h03
Atualizada em 11.12.2016 às 15h03
A edição nacional dos mangás Dragon Ball Z e Cavaleiros do Zodíaco possui algumas curiosidades que devem ser mencionadas.

A primeira é que os dois gibis - assim como 99% dos mangás - estão em preto e branco! Embora execrada no Brasil, a publicação de quadrinhos em P&B; é usada no mundo inteiro como forma de reduzir os custos das HQs e assim editar mais páginas a baixo custo. Vale mencionar que justamente os países onde os quadrinhos são mais populares - Japão e Itália - publicam mais séries em P&B.; Embora o público brasileiro não tenha muito apreço pela ausência de cor - em que pese a longevidade de Conan e Tex no país -, a Conrad decidiu publicar as séries na sua forma original.

Não, nós nunca pensamos em colorizar nosso material, afirmou o editor da linha Conrad Mangá, Cassius Medauar. Nós temos confiança de que o mangá tem espaço no mercado editorial brasileiro em seu formato original. Achamos que é uma alternativa ao que existe por aí. Ele também descartou a possibilidade das (poucas) páginas coloridas no original saírem por aqui coloridas, pois na própria edição encadernada [japonesa], colocaram só páginas P&B.; Seria complicado colori-las no Brasil.

A segunda peculiaridade é que as onomatopéias são as mesmas da edição original japonesa, na qual a versão nacional foi baseada. O público brasileiro certamente vai estranhar aquele monte de ideogramas espalhados pelas páginas, mas a Conrad colocou mini-legendas em todos para facilitar a compreensão. Vale mencionar que algumas poucas onomatopéias de Dragon Ball estão em nosso alfabeto, pois foram feitas assim no original. Akira Toriyama, criador da série, é apreciador de quadrinhos norte-americanos, principalmente do Super-Homem - há toneladas de referências à personagem em Dragon Ball, especialmente na origem de Goku - e fez alguns efeitos sonoros em inglês a título de homenagem.

A terceira característica, e mais importante, é que as revistas serão publicadas sem a habitual inversão de páginas quando se publicam HQs japonesas no ocidente. Ou seja, as páginas serão lidas da direita para a esquerda e as revistas começam no que normalmente seria a última página, terminando na que seria a primeira! Isso foi feito a pedido dos autores. Eles mencionaram que, se possível, seria legal se publicássemos no original. Daí, estudamos o assunto e achamos que seria interessante tentar [publicar] dessa forma, exatamente para dar uma sacudida no mercado.

E que sacudida! O efeito, para quem vê pela primeira vez, é desconcertante. Acompanhar os quadrinhos da direita para a esquerda enquanto se lê os diálogos da esquerda para a direita não é uma tarefa das mais fáceis. Com um pouco de treino, porém, é possível. Mas e para as pessoas que já lêem pouco e nunca leram HQs na vida&qt;& OK, realmente as pessoas lêem pouco, mas as que o fazem normalmente se interessam por coisas novas. Otimista, Cassius acrescenta Por isso, achamos que vai funcionar, pela novidade.

A quarta particularidade é que serão revistas de 100 páginas em formatinho - para variar é um formato maior do que os das encadernações originais - em papel grosso, de boa qualidade. O formato original é muito pequeno e sumiria nas bancas de jornal, diz Cassius. Faz sentido, tanto que as encadernações nesse formato são normalmente vendidas em livrarias. Perguntado se haveria planos de publicar essas encadernações no futuro, se a série fizesse sucesso, ele respondeu: Há sim, mas beeeeem pro futuro.

Apesar do volume de páginas - e de Dragon Ball ser quinzenal! -, as duas séries levarão bastante tempo para serem terminadas. Cerca de 4 a 5 anos! A editora se compromete a publicar as sagas até o final... a não ser que algum governante resolva confiscar a poupança novamente...

Torcemos para que não. Não apenas as séries da Conrad, mas o Brasil não sobreviveria a outra dessas.