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Carl Barks, Pato Donald & Cia.

Carl Barks, Pato Donald & Cia.

Jotapê Martins
30.08.2000
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h11
Atualizada em 21.09.2014 às 13h11
Carl Barks nasceu e foi criado na fazenda de seus pais em Merril, Oregon nos Estados Unidos. Em 1910, sua família mudou-se para a Califórnia onde lá permaneceu por dois anos. Aos dez, o menino já manifestava grande talento para desenho. Cinco anos mais tarde, quando sua mãe faleceu, Carl largou a escola para ajudar o pai na fazenda. Tirando vantagem da escassez de mão de obra durante a Primeira Guerra Mundial, o rapaz dedicava quase todo seu tempo livre a prestar serviço em outras fazendas. Desta forma, chegou a ganhar até cinco dólares por dia, o que era muito dinheiro na época, e desenvolveu habilidades como carpinteiro, lenhador e vaqueiro. No entanto, jamais deixou de desenhar, chegando a fazer o curso por correspondência da London School of Cartooning.

O SONHO DE DESENHAR

Ilustração de Barks para a
Calgary Eye-Opener

Em dezembro de 1918, ele tomou a decisão de ganhar a vida como ilustrador e partiu para São Francisco. No entanto, após dois anos frustrantes, Barks retornou ao Oregon, onde se casou em 1923. Sem condições de manter a fazenda, mudou-se com sua esposa para Roseville, onde, durante mais de cinco anos, trabalhou para a Pacific Fruit Express. Ainda assim, não havia desistido de seu sonho de desenhar. Em 1928, começou a criar charges para a revista Calgary Eye-Opener de Minneapolis.

Em 1930, separado de sua esposa e desempregado, Barks voltou ao Oregon e decidiu fazer dos desenhos sua principal ocupação. Depois de mais um ano como freelance na Calgary Eye-Opener, mudou-se para Minneapolis a fim de trabalhar regularmente como roteirista e ilustrador de charges e humor.

OS ANOS NOS ESTÚDIOS DISNEY

Em 1935, soube, através de um classificado, que os estúdios Disney estavam contratando desenhistas. Sem perda de tempo, enviou seu currículo acompanhado de quatro amostras. Tais desenhos foram seu passaporte para o mundo Disney. Leia mais

O PATO EM QUADRINHOS

Pouco antes do final da década de 30, Barks recebeu a incumbência de bolar um longa-metragem do Pato Donald que se chamaria Donald Duck finds Pirate Gold. O projeto, no entanto, acabou engavetado, mas serviu de base para uma história de 64 páginas que a Dell Publishing Co. (também conhecida como Western Publishing) publicou na revista Four Color Comics nº 9 de 1942, com desenhos do próprio Barks e de outro ilustrador da Disney chamado Jack Hannah. A iniciativa foi um sucesso. Por isso, em novembro de 1942, farto da rotina e da pressão do estúdio, Barks deixou a Disney, mudou-se com sua segunda esposa para San Jacinto, Califórnia e fez a oferta à Dell de desenhar mensalmente uma história original do Pato Donald para a Walt Disney Comics & Stories. Leia mais. Nos anos seguintes, Barks desenhava enquanto cuidava das galinhas de sua granja. Os leitores adoraram as novas histórias e teve início a idolatria ao desenhista anônimo que criava as peripécias mirabolantes da família Pato. O anonimato devia-se à uma exigência dos estúdios Disney de que se creditasse apenas ao chefão, Walt, toda e qualquer obra ligada a suas personagens.

AS CRIAÇÕES DE CARL BARKS

As narrativas de Barks centravam-se em aventuras cotidianas de Donald e seus sobrinhos Huguinho, Zezinho e Luisinho (Huey, Dewey and Louie) ou em sagas maravilhosas espalhadas por cantos exóticos do mundo, nas quais seu autor não poupava consultas à revista National Geographic a cata de referências.

Pouco a pouco, o grande quadrinhista foi acrescentando um rico elenco de coadjuvantes como o primo Gastão (Gladstone Gander), a bruxa Maga Patalogika (Mágica de Spell), o Professor Pardal (Gyro Gearloose) e até mesmo uma cidade para reuni-los, Patópolis (Ducksburg). No entanto, nenhuma de suas criações compara-se ao genial Tio Patinhas. Leia mais

APOSENTADORIA PRODUTIVA

Em 30 de junho de 1966, Barks aposentou-se de seu trabalho para a Dell Publishing. No entanto, este não foi o fim de sua carreira. Em 1971, a Walt Disney Company concedeu-lhe uma inédita permissão de pintar telas a óleo do Pato Donald e seus coadjuvantes, o que lançou definitivamente a turma de Patópolis no mundo das belas artes. De 1971 a 1976, pintou 122 quadros a óleo retratando os patos da Disney em situações inspiradas nas histórias que havia criado. Quando a especulação em torno dos quadros cresceu demais, a Disney revogou a autorização. Nos últimos anos, porém, outra licenciada, a Another Rainbow, contratou Barks para pintar novos quadros, que foram impressos e vendidos como litogravuras. Atualmente, elas chegam a custar milhares de dólares e até inspiram outros artistas a criar obras correlatas. É o caso da escultura em porcelana capodimonte de Enzo Arzenton, This Dollar Saved My Life at Whitehorse, ou do ovo Fabergé Scrooge McDuck Midnight Egg elaborado por Theo Fabergé, neto de Carl Fabergé, o criador da técnica.

A obra de Barks, hoje reconhecido como responsável pelo sucesso de Donald, foi compilada em inúmeras edições luxuosas como The Life and Times of Scrooge McDuck de 1981, The Fine Art of Walt Disneys Donald Duck e trinta volumes da impressionante Carl Barks Library. Nestes, estão contidas as 6215 páginas, 190 capas que Barks desenhou e os 396 roteiros que escreveu para as HQs Disney.

Suas criações quadrinhísticas inspiraram também a série de desenhos animados para TV, DuckTales, que estreou em 1987 e foi sucesso no mundo inteiro. Um longa metragem do Tio Patinhas chamado DuckTales: The Movie, Treasure of the Lost Lamp chegou aos cinemas em 1990.

Em 1991, os Estúdios Walt Disney homenagearam Barks, tornando-o parte do seleto grupo a receber o prêmio Disney Legends.

Em 25 de agosto de 2000, aos 99 anos, em Grants Pass, Oregon, Carl Barks faleceu de leucemia, deixando sua filha Dorothy bem como um casal de netos, uma sobrinha e vários bisnetos e sua última história de Donald, ainda inédita, Somewhere in Nowhere, elaborada em 1997.

Todas as imagens nesta página são (c) Disney Enterprises, Inc. Exceto a ilustração de Barks para a Calgary Eye-Opener que é (c) Carl Barks.