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Cabu, Charb, Tignous e Georges Wolinski são mortos em atentado a jornal na França

Saiba quem eram os cartunistas; ataque deixou 12 mortos e 10 feridos

Bruno Silva
07.01.2015
12h45
Atualizada em
04.11.2016
16h07
Atualizada em 04.11.2016 às 16h07

Os cartunistas franceses Charb, Cabu, Tignous e Georges Wolinski foram assassinados em um atentado terrorista à redação da revista satírica Charlie Hebdo, em Paris, nesta quarta-feira (7). Segundo a polícia francesa, o ataque com rifles automáticos deixou 12 mortos e 10 feridos (quatro em estado grave).

A revista já havia sido alvo de um ataque, após publicar uma charge do profeta Maomé. Segundo a polícia francesa, que já protegia a sede da Charlie Hebdo desde 2006, quando as primeiras caricaturas de Maomé foram publicadas, os autores do atentado desta quarta teriam gritado "Vingamos o Profeta!", em referência à charge que irritou os extremistas.

Cabu

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Charb

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Tignous

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Tignous

Georges Wolinski

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Georges Wolinski

Georges Wolinski tinha 80 anos e começou sua carreira nos anos 1960, na revista satírica Hara-Kiri. Em meio aos revolucionários protestos estudantis de 1968, Wolinski cofundou a revista satírica L'Enragé, com Siné. Na década de 1970, ele colaborou com Georges Pichard para criar a controversa personagem Paulette, na revista Charlie Mensuel. No Twitter, o cartunista André Dahmer (Malvados), lamentou sua morte. "Wolinski influenciou todo mundo que vocês conhecem: Ziraldo, Jaguar, Nani, Henfil, Fortuna... O cara era uma escola. Que dia tenebroso!", escreveu.

Morto aos 76 anos, Cabu (nome artístico de Jean Cabut) também começou a carreira nos anos 1960 e foi um dos fundadores da Hara-Kiri. Nos anos 1970 e 1980, ficou famoso ao desenhar para o programa infantil Récré A2. Sua criação mais popular é Mon Beauf, uma sátira do esterótipo machista e racista do francês que, de tão popular, acabou virando um adjetivo para todos os homens com esse tipo de comportamento na França.

Charb (nome artístico de Stéphane Charbonnier) tinha 47 anos e era o diretor do Charlie Hebdo. Sua carreira foi marcada por tiras com críticas ao governo, como Maurice et Patapon, que tinha um cachorro e um gato anti-capitalistas. Charb também era ligado ao Partido Comunista Francês. Em 2013, após a publicação da charge de Maomé, ele foi colocado na lista de mais procurados da organização terrorista Al-Qaeda. No Brasil, Charb teve charges suas publicadas no livro Marx, Manual de Instruções, da editora Boitempo, em 2013.

Morto aos 58 anos, Tignous (nome artístico de Bernard Velhac), começou a publicar em 1991 e, além da Charlie Hebdo, também desenhou para as revistas Marianne e Fluide glacial.