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Aqui Dentro e Lá Fora - 24 de junho

Homem Gravidade Zero e Justice League: The Rise of Arsenal

Érico Assis
24.06.2010, às 00H00

As colunas AQUI DENTRO e LÁ FORA se fundiram e ganharam uma periodicidade semanal, dando mais vazão para as coisas que saem no Brasil e manter você também atualizado sobre o que está acontecendo longe das nossas bancas.

Veja os destaques da semana:

AQUI DENTRO: HOMEM GRAVIDADE ZERO

O QUÊ: Um botânico vai às selvas do Peru para uma viagem científica que acaba virando viagem espiritual - e descobre poderes que podem ajudar a salvar o mundo de uma catástrofe. Lançamento da editora Jaboticaba.

QUEM: Roteiro do filósofo Leo Slezynger, junto a Filippo Croso, com desenhos de Kris Zullo.

POR QUÊ: Há um ponto negativo gritante em Homem Gravidade Zero que é impossível não mencionar neste primeiro parágrafo: por que a capa só traz o nome de um dos autores? Leo Slezynger, descobrimos na página 5, é apenas um dos roteiristas da HQ, que tem ainda co-escritor e desenhista. Putz, nem o desenhista ser mencionado na capa (nem na contracapa) de uma HQ? É no mínimo estranho.

Lendo a HQ, este estranhamento começa a fazer um pouco mais de sentido. Texto e desenhos parecem nunca ter se visto. Hoje se faz muita piada dos quadrinhos dos anos 50, em que uma caixa de texto gigante dizendo “O HERÓI ENTÃO ABRIU A PORTA DO CARRO” está sobre uma imagem do personagem abrindo a porta de um carro. Por que narrar em texto se a imagem já está mostrando a ação?

Mas este erro dos primórdios dos quadrinhos está em TODAS as páginas de Homem Gravidade Zero - e não é por nostalgia. O texto não parece ter sido escrito como roteiro, mas sim como um texto independente das imagens. As ilustrações, por sua vez, narram a história de uma maneira que, se apagássemos todos os recordatórios, o álbum seria três vezes melhor.

Aliás, um dos pontos a elogiar-se do álbum é a arte. Num estilo cartunesco, de poucas linhas, o desenhista Kris Zullo consegue dar expressão aos personagens e às cenas, bem como construir uma ótima narrativa visual. Mas quando chega uma página que diz “O LOCUTOR FEZ UMA PAUSA” para explicar um quadrinho sem balões, tudo se perde.

Quanto ao tema, é algo que Avatar parece ter resgatado: aquele velho discurso da holística das coisas, das forças ocultas da natureza, dos perigos da civilização industrial e de abraçar as árvores (sim, há cenas em que o personagem principal abraça árvores)... Assim como no estilo narrativo, tenta-se empurrar ideias que podiam parecer legais anos atrás, mas hoje ficam restritas a livraria esotérica.

Com tanta editora brasileira investindo em quadrinhos, era provável que algum desastre como esse poderia acontecer.

ONDE E QUANTO: O álbum custa R$ 39,90. Compre aqui.

LÁ FORA: JUSTICE LEAGUE: THE RISE OF ARSENAL #3

O QUÊ: Minissérie em quatro capítulos com Arsenal, que trata do que acontece com o herói após a minissérie Justice League: Cry for Justice. Lançamento da DC Comics. O review abaixo contém spoilers!

QUEM: J.T. Krul, roteirista que está assumindo a linha Novos Titãs-Arqueiro Verde da DC, e o desenhista brasileiro Geraldo Borges.

POR QUÊ: O pior gibi da história? É o que sites como o Savage Critic têm dito sobre Justice League: The Rise of Arsenal #3. Há duas cenas da HQ que circulam pela web para exemplificar o caso: uma em que Arsenal está com cara de poucos amigos após brochar com a namorada, e outra em que luta contra uma gangue para defender um gato morto que, no meio de uma alucinação, ele acredita ser sua filha morta. No site Bleeding Cool você vê algumas imagens.

A minissérie deveria tratar do renascimento de Arsenal - Roy Harper, o antigo Ricardito, parceiro do Arqueiro Verde - após os eventos da minissérie Justice League: Cry for Justice (execrada lá fora). Roy teve um braço cortado pelo vilão Prometeu - o mesmo que também matou sua filha durante a destruição de Coast City.

Na mini, o herói ganha um novo braço biônico, prontamente oferecido por seus amigos heróis, e tenta lidar com suas outras perdas. Desde a edição 1 está tendo alucinações que o puxam para as drogas - e vale lembrar que ele já foi o super-herói drogado mais famoso dos quadrinhos, na década de 70.

A minissérie, porém, é um desastre. Não há motivo para ela existir, na verdade - é um arco que se resolveria em poucas páginas, e com menos situações constrangedoras. O roteiro é uma piada. Os diálogos não chegam a ser do estilo tão-ruins-que-são-bons - são simplesmente rasos. E os desenhos, totalmente inconstantes de quadro a quadro - veja a sequência da brochada, por exemplo.

Mas o que chamou atenção dos resenhistas que a tacharam de pior HQ da história é a inconsistência da obra toda. Numa história sobre perda e recuperação, viram piada cenas que deveriam ter um grande peso dramático.

A DC tem se esmerado em HQs ruins nos últimos tempos. Não se vê investimento da editora em bons escritores, mas sim em uma leva de novatos pouco promissores - desde que consigam entregar um roteiro em poucos dias, atendendo mandos e desmandos editoriais. Da mesma forma, a política oficial de “melhor um gibi mal desenhado do que um gibi atrasado” gera aberrações. Rise of Arsenal é o cúmulo.

ONDE E QUANTO: Sério que você ainda quer ler? Veja de novo a coletânea de reviews e cenas desastrosas no site Bleeding Cool.

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