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Whiteout, DC Especial: Gavião Negro, 1602, Aphrodite XI, Zombie World e Superman: Pelo Amanhã

A cozinha
13.11.2007
00h00
Atualizada em
05.11.2016
20h01
Atualizada em 05.11.2016 às 20h01

Na coluna irmã da LÁ FORA, o Omelete mergulha nas bancas e livrarias para comentar os principais lançamentos recentes. Nesta edição: Whiteout, DC Especial: Gavião Negro, Marvel 1602, Aphrodite IX , Zombie World e Superman: Pelo Amanhã.

Whiteout - Morte no Gelo
Por Érico Borgo

Finalmente no Brasil a inteligente história em quadrinhos de Greg Rucka - lançada anos antes de ele ser "o" Greg Rucka da DC Comics, autor de ótimas HQs como Gotham City Contra o Crime.

A edição reúne a minissérie completa, uma história policial passada na Antártida. Na trama, uma investigadora depara-se com um improvável caso: um assassino em série está agindo numa das regiões mais inóspitas do planeta. Pressionada pelo seu departamento, ela precisa descobrir e enfrentar o criminino, bem como seus próprios demônios interiores.

Trata-se de um excelente suspense, recheado de detalhes inteligentes e bem pesquisados sobre a vida na região. O "whiteout" do título, por exemplo, é o efeito de brancura absoluta que acontece durante violentas tempestades de neve por lá. Uma pessoa que sair nesse clima pode morrer a poucos passos de um abrigo, pois não enxergaria o caminho, tamanho o clarão. A cena em que a protagonista depara-se com o matador e o fenômeno, ao mesmo tempo, é, faz tempo, uma das minhas preferidas dos quadrinhos. Ponto para o versátil traço de Steve Lieber, que tem ali seu ponto máximo.

O ilustrador, aliás, varia seu estilo em cenas de flashback e emprega uma técnica de retícula que só posso comparar ao trabalho de um ótimo diretor de fotografia. Lieber e Rucka sabem muito bem como explorar o potencial da Nona Arte.

Revisitar a história (li a versão original, separada e pouco charmosa) na bacana edição da Devir é outro ponto positivo. A capa escolhida, uma ilustração belíssima de Lieber, é também um acerto. Com versões alternativas de Frank Miller, Brian Bolland e Mike Mignola disponíveis, a editora foi corajosa em optar pela imagem desenhada pelo autor. Um nome mais conhecido na capa poderia vender mais - mas não seria tão honesto. Ótimo. E melhor ainda: as citadas ilustrações estão dentro da HQ, como separadores de capítulos.

O único senão foi a demora nesse material em chegar por aqui. Precisou de um filme (estréia em 2008 - dirigido por Dominic Sena e estrelado por Kate Beckinsale) para que alguém se importasse com a HQ para trazê-la ao Brasil. Tive a sorte de conversar alguns minutos com Rucka há alguns meses e ele está empolgadíssimo com a adaptação, mas num mundo ideal, a qualidade da HQ deveria ser suficiente para justificar sua publicação. Felizmente, não deve parar por aqui. A editora promete Whiteout: Melt e a série derivada Queen & Country para 2008.

(Whiteout) Devir Editora. 16,5 x 24 cm. 128 páginas PB. R$ 25,00. Compre HQs aqui.

DC Especial 15 - Gavião Negro
Por Marcus Vinicius de Medeiros

Quando assumiu a ingrata tarefa de revitalizar a série mensal do Gavião Negro, o roteirista Geoff Johns tinha diante de si um dos maiores desafios do universo dos super-heróis da DC Comics. Não só o personagem estava esquecido havia anos, como sua cronologia havia se tornado confusa a ponto de ninguém entender nada sobre ele e sofrer de dores de cabeça ao pensar no assunto. Confiante, Johns prometia uma revista de super-heróis cheia de aventura com um toque de sofisticação. Agora que sua fase chega ao fim, pode-se dizer que ele teve sucesso.

Os dois heróis alados, o Gavião Negro e a Mulher-Gavião ganharam novas vidas na revista da Sociedade da Justiça da América, numa das sagas mais celebradas pelos leitores. De forma bem direta, Johns restabeleceu os pontos básicos do personagem, atualizando-o para os novos tempos e incluindo algumas reviravoltas geniais. O casal de amantes inseparáveis, desta vez, sofria um problema de rejeição. E a sua mitologia criou laços com personagens diversos da editora, tais como o Adão Negro e o Sr. Destino, numa obra de fã apaixonado por super-heróis.

Detalhes como a amizade com o diminuto Eléktron, a caracterização de uma nova cidade fictícia como personagem, e a mistura de cultura erudita com a ação dos antigos filmes policiais dos anos 80 e da literatura pulp logo fizeram do novo Gavião Negro um dos heróis mais populares também em sua nova encarnação. Na seqüência de histórias publicadas neste DC Especial, temos o drama do campeão dos céus ao adotar um cargo de professor numa universidade, enquanto um vilão demoníaco faz seus ataques. De quebra, histórias fechadas de mestres como John Byrne e Ed Brubaker. Vale a pena pegar toda a coleção do Gavião Negro e voar com ele num só fôlego.

(Hawkman 19 a 22, 26 e 27) Panini Comics. Formato americano (17 x 26). 148 páginas. R$ 14,90. Compre HQs aqui.

Aphrodite IX
Por Marcus Vinicius de Medeiros

A capa e as primeiras páginas de Aphrodite IX, gibi de ficção científica da Top Cow lançado pela Panini Comics, não prometem muito. Além de um papo que é pura filosofia de botequim sobre humanidade e criação divina que deixariam mestres como Arthur C. Clarke e Philip K. Dick constrangidos de vergonha alheia, temos e ênfase nas curvas generosas da protagonista, a bela máquina de matar de cabelos verdes. Contudo, prosseguindo a leitura, fica evidente que a produção de David Wohl e Dave Fich diverte bastante.

Voltando a abordar o fator apelação, é inegável o quanto ele se manifesta descaradamente, com ênfase no traseiro de Aphrodite e até uma cena de banho com nudez. Ainda assim, se não chega a ser uma revista em quadrinhos sofisticada, ela garante uma boa dose de identificação com a personagem, e o apelo sensual funciona como um aditivo à história, não uma muleta. Aphrodite é uma sintética, uma assassina indestrutível criada em laboratório, com o único intento de matar e perder a memória, para poder matar novamente depois.

E o diferencial é que tudo é mostrado com doses de sarcasmo e ironia, desde o fato da mulher ter formas perfeitas até o encontro romântico com o homem que ela deveria executar. Claro, há muito boas cenas de ação também, com notada influência da animação japonesa. O texto evoluiu bastante em relação ao que a Image publicava em seus primórdios, com reviravoltas e situações que cativam. Aphrodite IX nunca poderá ser considerada leitura sofisticada, mas sim um aperitivo delicioso. Ou dizendo melhor, deliciosa.

(Aphrodite IX 0 a 4) Panini Comics. Formato americano (17 x 26). 132 páginas. R$ 13,90. Compre HQs aqui.

Marvel 1602 - Edição Definitiva
Por Marcus Vinicius de Medeiros

O editor-chefe Joe Quesada, responsável por revitalizar os quadrinhos da Marvel Comics com os melhores artistas do mercado, queria uma história redigida pelo celebrado Neil Gaiman. Não seria pouca coisa, mas para quem lançou o Demolidor de volta às alturas ao lado do ícone nerd Kevin Smith, nenhum desafio seria intransponível. Logo a Marvel anunciou que Gaiman escreveria uma minissérie chamada 1602. Começaram as teorias de fãs sobre o que poderia significar o título. E quando a revista saiu, era uma das melhores obras da editora em anos.

Um apaixonado por mitologia de todos os povos, pelo poder das histórias e com vasto conhecimento de histórias em quadrinhos, embora através de uma visão distanciada dos super-heróis convencionais, Gaiman reinventou o Universo Marvel no ano de 1602. A princípio, pode parecer idéia de um "Túnel do Tempo", da DC Comics, no qual heróis aparecem tendo suas origens em períodos como a Revolução Francesa ou a Guerra de Secessão Americana. Não foi o caso, pois Gaiman não se restringiu a fórmulas, reinventou a própria essência do romance gráfico de super-heróis com sua formação literária e produziu um clássico instantâneo.

Ao contrário de Sandman, obra-prima do autor no selo Vertigo, em 1602 não temos uma história voltada para adultos exclusivamente, mas sim uma trama que captura a essência dos super-heróis Marvel, que hoje figuram no imaginário coletivo, e pode ser apreciada por leitores de qualquer idade, sendo que cada leitura permite diferentes interpretações. Temos Sir Nicholas Fury como líder da inteligência da Rainha Elizabeth, Stephen Strange como médico da corte, e os alunos de Carlos Javier como sanguebruxos perseguidos pela sociedade. Tudo isso numa narrativa cativante que conquista o leitor pela inteligência sem soar pretensiosa, e na qual o fascínio do fantástico mantém-se presente. Os enigmas cósmicos começam a se alinhavar no final brilhante, e temos a certeza de que o mundo dos quadrinhos não seria o mesmo sem Neil Gaiman.

(1602 1 a 8 + extras) Panini Comics. Edição especial, formato 17,5 x 28,5 cm, 256 páginas, capa dura. R$ 44,90 (capa dura). R$ 39,90 (capa cartão). Compre aqui.

Zombie World - O Campeão dos Vermes
Por Érico Borgo

Mike Mignola tem uma legião de fãs. E Mike Mignola, infelizmente, é um só. Assim, a Dark Horse Comics se aproveita de qualquer fiapo de história que ele invente para capitalizar em cima de seu nome. É assim com as séries derivadas de Hellboy - que têm muito pouco da genialidade da original - e é assim também com Zombie World - O Campeão dos Vermes, que a Pixel Media acaba de trazer para o Brasil.

É curioso como o próprio Mignola admite não ser grande responsável pela edição em seu posfácio, dando quase todo o crédito a Pat McEown. E deveria. Tem muito pouco de Mignola na história. Se ele realmente escreveu o roteiro (acredito que o tenha apenas delineado), o fez às pressas e entre um trabalho e outro.

Zombie World é uma história que apenas serve como ponto de partida para um novo universo da Dark Horse, no qual a múmia de um feiticeiro volta à vida e, com ela, despertam cadáveres mundo afora, lançando o planeta num holocausto zumbi. A trama tem personagens demais e pouco - ou nenhum - desenvolvimento. Tem começo e meio, mas termina abrupta, deixando ganchos para o desenrolar da série - para a qual a editora nacional se apressa a dizer que não tem qualquer plano. Só se a primeira for bem. Enfim, um trabalho bem descartável.

Pra não dizer que não gostei de nada, a edição da Pixel é simpática, bem acabada, e o traço limpo de McEown é agradável, "tintinesco", como o próprio Mignola o descreve. Mas sinceramente... há maneiras melhores de se gastar 30 reais. E olha que o autor é um dos meus favoritos!

(Zombie World) Pixel Media. 84 páginas, formato 17 x 26. R$ 29,90. Compre HQs aqui.

Superman - Pelo Amanhã - Edição Definitiva
Por Marcus Vinicius de Medeiros

A fase do Superman ilustrada pelo astro dos quadrinhos Jim Lee foi lançada pela DC Comics como um grande evento, que repetiria o sucesso do criador da WildStorm na saga Batman: Silêncio. Todavia, apesar do sucesso de vendas, Superman - Pelo Amanhã consegue desagradar a maioria esmagadora dos leitores por um motivo simples. A história, mesmo que abordando temas interessantes, é pedante e arrastada. E o culpado disso é o roteirista Brian Azzarello.

Cultuado pelos fãs da linha Vertigo, na qual faz um trabalho de qualidade inquestionável na série 100 Balas, Azzarello não conseguiu se encontrar escrevendo o Homem de Aço. Mais acostumado à violência policial e a corrupção da alma humana, aspectos que sempre trabalhou bem, Azzarello foi uma das escolhas mais equivocadas de um escritor para o Super-Homem desde a concepção do herói. Se na saga Silêncio o desenhista Jim Lee contava com o texto do apaixonado por super-heróis Jeph Loeb, que valorizava tanto a ação quanto a mitologia do Cavaleiro das Trevas, a situação aqui foi bem pior.

Azzarello perdeu suas 12 edições em divagações filosóficas que ligaram o nada dos restos de Krypton ao lugar nenhum da Zona Fantasma, tentando evidenciar o papel do Super-Homem como um messias da humanidade. Não se pode negar o mérito do roteirista por tentar a exploração de temas delicados e interessantes, como as razões do desaparecimento misterioso de parte da população da Terra e da culpa do Último Filho de Krypton. Mas ele falhou miseravelmente na execução da história, que vale mais por mostrar a Mulher-Maravilha e membros da Liga da Justiça sob a pena de Jim Lee.

Para quem busca histórias realmente empolgantes do Super-Homem, as séries de Grant Morrison em Grandes Astros, e Kurt Busiek e Geoff Johns em Superman e Action Comics, são recomendadas. Todos eles abordam o herói de forma moderna com respeito e valorização de seu passado. E ao roteirista Brian Azzarello, fica um conselho ainda mais válido. Um escritor trabalha melhor com aquilo que conhece, entende e gosta. Não foi o caso com Superman.

(Superman 204 a 214) Formato americano (17 x 26). R$ 46,00 (Capa Cartão) e R$ 62,00 (Capa Dura). 308 páginas. Compre aqui.