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Neil Gaiman, Warcraft, Invencível, Clássicos Marvel e DC e O Traça

A cozinha
04.06.2007
00h00
Atualizada em
01.11.2016
23h02
Atualizada em 01.11.2016 às 23h02

Na coluna irmã da LÁ FORA, o Omelete mergulha nas bancas e livrarias para comentar os principais lançamentos recentes. Nesta edição: Dias da Meia-Noite, Invencível, Warcraft, Clássicos do Poderoso Thor, Clássicos dos Vingadores, Gotham City Contra o Crime, Witchblade, Darkness e O Traça.

Dias da Meia-Noite
Por Érico Borgo

Neil Gaiman virou sinônimo de luxuosos volumes encadernados no Brasil. Das suas grandes obras aos trabalhos menores, todas as histórias em quadrinhos que ele já escreveu para as grandes editoras ganharam republicações capa-dura por aqui. Curiosamente, porém, os seus trabalhos independentes (Mr. Punch, Violent Cases e Signal to Noise) seguem inéditos nas nossas livrarias, mesmo tendo sidos criados ao lado de outra unanimidade entre os fãs, o artista plástico Dave McKean (capista de Sandman)...

Mas voltando ao assunto deste texto, Dias da Meia-Noite reúne três obras do escritor inglês criadas para a DC Comics. A primeira, do Monstro do Pântano, conta a história de um elemental da natureza do passado, o Jack In The Green, encarnação do século 17 da criatura floral. Gaiman, que imaginou a HQ em 1985 mas só a realizou em 1999, trata o assunto com seriedade - ele atribui ao Monstro de Alan Moore seu interesse pelos quadrinhos, que levaram sua carreira ao grande sucesso que é hoje. Nos excelentes e tradicionais traços da história, dois veteranos do personagem, que não trabalhavam juntos há um década - Steve Bissette e John Totleben.

A edição segue com "Me Abraça", um conto de horror de John Constantine publicado aqui e lá fora na revista de linha Hellblazer. Nela, o ocultista mais famoso da DC, atraído a um bairro de Londres pela promessa de uma noite de sexo, encara um fantasma mendigo. A história, lindamente ilustrada por McKean a nanquim, tornou-se uma das mais famosas de Constantine.

Sandman - Teatro da Meia-Noite fecha a HQ com a republicação de um encontro interessante. O Sandman, herói das revistas pulp da década de 1930 que Gaiman foi originalmente contratado para reformular, encontra-se com Sonho, o resultado da pouco convencional reformulação. Para o roteiro, Gaiman trabalhou com Matt Wagner, o responsável na década de 1990 pela HQ do herói de chapéu, sobretudo e máscara de gás. Curiosamente, boa parte da aventura policial foi criada quando Gaiman visitava o Brasil. As belíssimas pinturas que ilustram a HQ são de autoria de Teddy Kristiansen.

Toda a edição, publicada pela Pixel Media, é irretocável. Há uma introdução geral e textos separados de Gaiman para cada história, explicando sua criação. Mas quem sabe não é hora de olhar também para os primeiros trabalhos independentes do inglês nos quadrinhos - e não apenas nas suas colaborações menores para as editoras norte-americanas?

(Midnight Days) Editora Pixel Media. Formato americano. 49,90 reais.

Invencível - Volume Três
Por Érico Borgo

Pouco mais de uma ano após sua estréia no mercado editorial brasileiro, a HQ Maniacs provou não ser mais uma editora "fogo de palha". Conseguiu baixar os preços e manteve a qualidade gráfica do início. Enquanto a primeira edição de Invencível custava 36 reais e tinha 120 páginas, esta tem mais páginas (136) e custa 29,90 reais. Claro que o dólar baixo ajuda, mas a publicação não deixa de ser honesta. Afinal, por que quando o dólar sobe (e o papel, os licenciamentos...) as revistas de todas as editoras sobem também e quando ele despenca as revistas não ficam mais baratas?

A nova história de Invencível, "Perfeitos Estranhos", é a mais legal até aqui. O herói Mark Grayson descobre a origem de seus poderes e sua herança - e não fica nada satisfeito. A virada no roteiro de Robert Kirkman dá uma nova e promissora dimensão à saga, que deve melhorar ainda mais a partir daqui. Uma série que merece cada vez mais ser acompanhada.

Nos traços, Ryan Ottley assume definitivamente a HQ, já que seu antecessor, Cory Walker, não conseguia manter a periodicidade do trabalho. A mudança é pra pior, mas por pouco tempo. Não demora para que Ottley se solte (a briga final é senscional) e faça um trabalho à altura de Walker. Como bônus, a edição traz ainda uma galeria de sketches e comentários do autor sobre a produção deste volume.

(Invincible - Perfect Strangers) HQ Maniacs Editora. Formato 16,5 x 24 cm. 136 páginas. R$ 29,90.

Warcraft - Trilogia da Fonte do Sol
Por Érico Borgo

Oito milhões de usuários no mundo inteiro. Bom, pelo menos eram 8 até março passado... do jeito que o MMORPG (game para milhares de jogadores simultâneos online) World of Warcraft ganha fãs é possível que já estejam com 9 milhões... ou 10. De qualquer forma, essa massa de consumidores empolgou a produtora Blizzard a criar novos produtos desse universo campeão de vendas. Um filme vem aí - e o mangá já está nas nossas bancas.

Warcraft - Vol. 1 - Trilogia da Fonte do Sol é a primeira edição da minissérie em três partes que a Conrad Editora traz ao nosso mercado.

Na trama, o dragão azul Kalec é enviado pelo seu clã para proteger a Fonte do Sol - verdadeira bateria ilimitada de energia mágica. Perseguido por anões, porém, Kalec é quase morto, não fosse a intervenção da jovem Anveena. Transformado em humano, ele se esconde na casa da garota. Esse é o início de uma jornada ainda mais difícil, que inclui a captura por um feiticeiro élfico e seu exército de mortos-vivos.

A aventura é decente (diferente de muito mangá, ou mangwa, mensal por aí dá até pra entender, veja só!). Mérito de Richard Knaak, que tem no currículo outros games levados à nona arte, como Diablo e Ragnarok. As boas, mas convencionais ilustrações são do sul-coreano Jae-Hwan Kim (King of Hell). Fica a ressalva apenas para uma complicadíssima introdução que larguei logo na página dois, já com o pé atrás esperando uma HQ confusa. Felizmente, não é o caso.

(Warcraft - The Sunwell Trilogy) Conrad Editora. Parte 1 de 3. Formato 13,4 x 20,2 cm. 160 Páginas. 9,90 reais.

Os Maiores Clássicos do Poderoso Thor - Volume 2
Por Marcus Vinicius de Medeiros

Em meio a uma batalha de proporções épicas em Nova York entre os Vingadores e o Quarteto Fantástico e um ser que teve sua gênese nos início dos tempos e matou deuses, o Poderoso Thor viveu uma fase inesquecível que marcou a história da Marvel Comics. Escrita e desenhada pelo versátil Walter Simonson, A Saga de Surtur foi um dos grandes destaques entre o material publicado pela editora na década de 1980.

A primeira metade deste encadernado reúne na íntegra os cinco capítulos da Saga de Surtur. O demônio consegue congelar a Terra e arquiteta um plano para dominar Asgard. As batalhas envolvem diversos super-heróis, e o vocabulário empolado de Thor marca o lugar de um herói corajoso e íntegro, mas ainda assim, dotado de emoções que facilmente ecoam em nossos corações. Walter Simonson está muito mais à vontade agora que nas histórias anteriores, fazendo da trama uma mistura perfeita de ação típica de super-heróis, temas mitológicos, drama psicológico e bom-humor. Seus quadros são perfeitos e cada detalhe parece minuciosamente planejado.

Depois da saga principal, há um atrativo extra que é uma história ilustrada por outro grande mestre dos quadrinhos que ajudou a consolidar os alicerces da Marvel ao longo das décadas, o grande Sal Buscema. Além de Thor, ganham destaque o alienígena Bill Raio Beta, e figuras como Sif, Loki e a bela Lorelei, que lança um feitiço de amor no Deus do Trovão, garantindo momentos de pura diversão. Deve-se ressaltar o apuro técnico do autor em alinhavar diferentes tramas, como os personagens de Asgard, vilões convencionais na Terra e os dilemas de Thor de forma convincente e eficaz. Definitivamente um exemplo do melhor que os quadrinhos de super-heróis já nos ofereceram.

(The Mighty Thor 349-359) Panini Comics. Edição especial, formato americano, 236 páginas. 26,90 reais.

Grandes Clássicos DC 10 - Lendas
Por Marcus Vinicius de Medeiros

A tarefa de produzir o primeiro grande crossover da DC Comics depois da revolucionária Crise Nas Infinitas Terras ficou a cargo dos roteiristas John Ostrander e Len Wein, acompanhados por John Byrne nos desenhos e Karl Kesel na arte-final. No lugar de infinitas realidades se desfazendo e a tarefa de reinventar a cronologia do Universo DC, Lendas apresentou a proposta de reconstruir a própria noção do heroísmo.

Tematicamente, a história toda funciona bem. O soberano do planeta Apokolyps, Darkseid, almeja a destruição do conceito das lendas que dão esperança e elevam o espírito humano. Para tanto, orquestra um plano que envolve seu lacaio Glorioso Godfrey numa trama que joga a opinião pública contra os super-heróis. Em termos narrativos, contudo, a história não tem tanta força, uma vez que Ostrander limita-se a cenas que apenas repetem exaustivamente a premissa inicial e fazem pouco para torná-la digna de atenção.

É interessante notar, todavia, o quanto Lendas esteve à frente de seu tempo, por fazer uso de uma mega-saga que lançaria novas séries mensais, no caso as versões reformuladas da Liga da Justiça, do Flash e do Esquadrão Suicida, para abordar questões como a confiança da humanidade em seus protetores dotados de habilidades fora do comum, e incluiu até uma ordem presidencial do presidente dos Estados Unidos da América proibindo a ação dos heróis uniformizados. Basta olhar a sinopse da recente Crise Infinita e da vindoura Guerra Civil para notar as semelhanças.

Na arte, John Byrne faz seu trabalho de excelência, como de costume, dando vida e energia aos super-heróis que formariam uma nova fase da editora, valorizando ao máximo as cenas de ação da revista. Ainda assim comete equívocos, como desenhar uma criança com aparência de adulto, mas sua interpretação de ícones como Super-Homem e Batman provam alguns dos motivos pelos quais ele sempre será considerado um dos artistas definitivos de super-heróis. No final das contas, temos uma saga que perde por explorar pouco a personalidade dos protagonistas, que não funciona tão bem neste encadernado por deixar capítulos importantes de fora, e que poderia imprimir mais ritmo à trama, mas cuja força ainda se mantém ao menos no campo do simbolismo dramático.

(Legends 1 a 6) Panini Comics. Formato americano. 164 páginas. 18,50 reais.

DC Especial 13 - Gotham City Contra o Crime - Volume 4
Por Marcus Vinicius de Medeiros

Roteiristas de talento inegável para dramas urbanos, Greg Rucka e Ed Brubaker continuam o espetáculo visceral nas histórias da série Gotham City Contra o Crime, que ganham vida através do visual atmosférico de Michael Lark. A equipe criativa prova seu valor neste conceito que, de início, deixou os leitores apreensivos e, a cada novo volume lançado, conquista mais apreciadores e surpreende pela abordagem corajosa. Os policiais da cidade do Batman continuam tendo tarefas ingratas e uma vida nem um pouco invejável, para nosso mais puro deleite, é claro.

Inegavelmente, torna-se clara a vantagem de histórias ambientadas no Universo DC que não se prendem às suas restrições e ainda abordam temas inusitados, constroem personalidades verossímeis, problemáticas e ousadas, ao mesmo tempo em que fazem uso dos personagens recorrentes da mitologia do Homem Morcego e da cronologia da editora. A primeira história trata de um massacre ocorrido há um tempo e é bastante emblemática por apresentar todas as maiores virtudes da série. O crime investigado é uma explosão que vitimou esportistas colegiais, mas os desdobramentos se estendem por trilhas extremamente sombrias.

Além de explorar o cotidiano dos detetives da polícia de Gotham, a trama de Brubaker aborda, com toda a proeza que já se espera desde expoente dos quadrinhos realistas, temas como crueldade adolescente no colégio, o submundo das apostas, uma mãe de família conservadora e facetas inusitadas da loucura humana, bem representada por um conhecido vilão. Como tempero adicional está o comportamento autodestrutivo que passou a dominar Harvey Bullock após os eventos da saga em que o comissário Gordon foi baleado. E a retomada destes ganchos funciona perfeitamente.

A história de Greg Rucka que fecha o volume é claro exemplo de como até crossovers pouco chamativos podem gerar frutos apetitosos nas mãos de um chefe de cozinha experiente. "Jogos de Guerra" já pareceu forçado desde o início, uma jogada para interligar as sagas do Morcego e fazer mudanças no status quo do personagem, em revistas descartáveis. Em Gotham City Contra o Crime, as conseqüências da cisão entre Batman e o departamento de polícia rende um confronto antológico entre o vigilante e o novo comissário. Se há dúvidas quanto a classificar o título como drama policial ambientado em Gotham City ou histórias do Batman com ênfase na força policial, a certeza é de que temos o melhor resultado possível.


(Gotham Central 19 a 25), Panini Comics, 160 páginas, formato americano.  

O Traça
Por Marcus Vinicius de Medeiros

Ele veste uniforme, tem identidade secreta e combate o crime. Sendo assim, nada mais justo que imaginar o Traça como apenas mais um super-herói. Contudo, o álbum compilando as histórias da criação de Steve Rude apontam justamente na direção oposta. Temos finalmente uma revista em quadrinhos original, que foge dos padrões justamente por assumir um compromisso não com ideais megalomaníacos de revolucionar tudo, mas com a originalidade e o talento.

O Traça pode ser considerado por muitos um gibi de super-herói à moda antiga, mas mesmo essa definição não faz jus ao material apresentado. Também não é moderninho, com cenas de impacto calculadas para impressionar adolescentes. É um conceito diferente, que faz uso coerente de anos de bagagem de cultura pop, e investe com vigor numa narrativa ágil, cheia de piadas e ação na medida certa. A ambientação circense bem construída e as motivações, personalidades e idiossincrasias dos protagonistas garantem diversão esperta, acompanhada do domínio completo da linguagem dos quadrinhos pelas mãos de Steve Rude.

A única reclamação a que se tem direito é a pequena defasagem entre o talento do criador e desenhista do personagem com o seu parceiro, o roteirista Gary Martin. Todas as idéias e a verve narrativa de Steve Rude estão impecáveis, ao passo que Martin, infelizmente, ainda peca por buscar soluções fáceis. Exemplo disso são os deliciosos absurdos visualizados pelo desenhista - a heroína Liberdade Americana é apenas um deles -, que perdem um pouco de sua força com diálogos cheios de clichês que parecem se fundar apenas em referências a celebridades ou seriados antigos. Não que ele seja ruim. Há tiradas divertidas que provavelmente não existiriam sem a parceria Rude/Martin, mas o escritor ainda não alcançou o nível de excelência necessário para o que seria um clássico instantâneo.

Motivos para ler O Traça, contudo, não faltam. Desde a imagem de capa, que já sugere uma fuga dos padrões tradicionais, até as páginas introdutórias que comprovam o valor de uma idéia realmente nova, passando por cada confronto com criaturas místicas ou bandidos desafortunados, a sensação é de ter em mãos uma obra que compensa os anos da mesmice de criadores sem talento. Terminamos a edição com a promessa de uma nova minissérie com o personagem pelos mesmos criadores. Se Rude continuar afiado, e Gary Martin melhorar só um pouquinho, teremos certamente uma revista a ser celebrada por décadas.

(The Moth Double-Sized Special e The Moth #1 a 4) Pixel Media, 160 páginas, formato 17 x 29 cm, R$ 32,90.

The Darkness - Ressurreição Sombria
Por Marcus Vinicius de Medeiros

A saga do mafioso dotado das mais sinistras forças da escuridão ganha fôlego renovado e alcança novas dimensões pelas mãos do roteirista Paul Jenkins. Acompanhado pelo traço de Dale Keon, o veterano roteirista da linha Vertigo, que também tem no currículo carreira brilhante na Marvel, fez o que nem Garth Ennis conseguiu: tornou The Darkness um título realmente interessante, capaz de fazer o leitor se importar.

Se as histórias de Ennis que introduziram o personagem Jackie Estacado eram estritamente pueris e insossas, não passando das piadinhas de banheiro, o atual volume lançado pela Panini, com a - literalmente - nova vida do anti-herói atormentado se aprofunda num tom carregado de angústia e violência. Mesmo num personagem menor, cuja mitologia era tão banal e enfadonha que fazia coisas como a série inicial de Marc Silvestri na Cyber Force parecer empolgante, Paul Jenkins faz o seu usual estudo de personalidades doentias, temperado por cenas brutais. Temas como vingança, relações entre famílias de mafiosos e paixões sacrificadas garantem certa profundidade à trama.

Em meio a inúmeros monólogos internos de Estacado, sempre muito bem conduzidos e que contribuem para a sensação de desespero crescente, há algumas situações meio caricatas e um certo exagero na sucessão de massacres. Contudo, o grande diferencial é que desta vez nada é gratuito, e ao menos o protagonista ganhou mesmo personalidade e motivações que nos despertam para o lado sombrio que gostaríamos de ignorar no mundo. Confrontos com vilões bizarros e um seqüestro de uma personagem de identidade surpreendente deixam o leitor cada vez mais envolvido.

Pode-se dizer até que Paul Jenkins fez o caminho oposto de Garth Ennis, que brilhou com intensidade máxima em Hellblazer e atingiu a perfeição com Preacher, para logo começar a escrever em modo automático em séries da Marvel. Jenkins havia suavizado a série Hellblazer quando substituiu Ennis, mas mostrou-se cada vez mais agressivo a partir de Inumanos, cujo desenhista, Jae Lee, também marca presença em The Darkness, e agora revela sem restrições todo o poder da Escuridão.

(The Darkness Vol.2 1 a 6) Panini Comics, 164 páginas, formato americano, R$ 15,90

Witchblade - Série Clássica: Laços de Família
Por Marcus Vinicius de Medeiros

Neste segundo encadernado da personagem Witchblade, um dos pistolões do estúdio Top Cow na ocasião de seu lançamento, temos compilada uma seqüência completa de histórias que inclui o crossover com o título The Darkness. É a prova que faltava de que no mundo dos quadrinhos, o valor negativo de certas obras permanece inalterado com o tempo. A série parecia meia-boca nos anos 90, e continua parecendo meia-boca em 2007.

O universo concatenado por Michael Turner para a policial Sarah Pezzini gira em torno de uma luva mística que confere poderes fantásticos a sua usuária. Sarah é investigadora do departamento de polícia, e se envolve naturalmente com forças sobrenaturais. Como estamos falando de Michael Turner, fica óbvio que qualquer trama não passa de desculpa para exibir as formas da bad girl.

Os roteiristas da série, David Whol e Christina Z, parecem figuras decorativas que só tiveram o nome nos créditos para não ficar óbvio o descaso com um enredo coerente. E claro, há o crossover com The Darkness. Aí está algo que na época poderia despertar o interesse dos fãs, pois até segue bem a fórmula de histórias de encontros de personagens e transmite a sensação de se acompanhar um universo compartilhado. Mas é difícil que alguém se importe atualmente com tamanha falta de criatividade.

(Witchblade 9 a 19 e The Darkness 9 e 10)  Panini Comics, 316 páginas, formato americano.