Serial killers, folclore e mais: 10 HQs de terror para ler no Halloween

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Serial killers, folclore e mais: 10 HQs de terror para ler no Halloween

Histórias para morrer de medo nesse Dia das Bruxas

Gabriel Avila
31.10.2019
19h04

O Halloween é a época perfeita para os fãs de terror, que procuram indicações de produções voltadas ao medo. Com a variedade de fobias e temas, o gênero é um terreno fértil para autores que buscam infligir o pavor em sua audiência. Propagado desde o início da literatura, o medo se expandiu por todas as mídias, chegando aos quadrinhos, onde se desenvolveu nas mais variadas vertentes, de serial killers a apocalipses zumbi. Confira abaixo 10 quadrinhos para morrer de medo nesse Dia das Bruxas:

Do Inferno

Devido a seus cruéis métodos e o mistério a respeito de sua identidade, Jack, o Estripador se tornou o mais famoso serial killer da história. Pouco depois de romper com a DC Comics e as HQs de super-heróis, Alan Moore se juntou ao artista Eddie Campbell e se propôs a criar uma espécie de biografia do assassino baseada em uma extensa pesquisa que reuniu documentos e visitas a Whitechapel, o bairro em que aconteceram os crimes brutais. Conhecido por revolucionar os quadrinhos de horror com sua fase à frente do Monstro do Pântano, Moore retornou ao gênero em grande estilo, apresentando não só um retrato crível de quem poderia ser o assassino, como desenvolveu uma narrativa que liga as mortes à uma conspiração envolvendo o reino da Inglaterra.

Indicado para quem gosta de: serial killer, suspense policial, biografia e gore.

Gideon Falls

Jeff Lemire se tornou um dos grandes autores na indústria dos quadrinhos na última década. Graças a seu trabalho versátil, que agrada tanto nas grandes editoras como Marvel e DC, o quadrinista canadense chama atenção com seus trabalhos autorais. Em 2018, Lemire se reuniu ao artista Andrea Sorrentino - com quem colaborou nas HQs do Arqueiro Verde e do Velho Logan - para criar Gideon Falls, sua primeira HQ de horror. A história acompanha Norton, um rapaz que passa seus dias mexendo em lixo em busca de fragmentos de um lugar amaldiçoado chamado Celeiro Negro. Enquanto Norton empreende sua busca, o padre Wilfred chega a uma pequena cidade para substituir o antigo cerimonialista da região que sumiu de forma misteriosa. Ligando seus dois protagonistas por forças sobrenaturais, a trama aproveita das possibilidades das formas de se contar uma história e experimenta através de uma narrativa enervante.

Indicado para quem gosta de: horror sobrenatural e psicológico.

Hellboy

Em uma indústria dominada por Marvel e DC, poucos personagens de quadrinhos conseguiram se tornar relevantes como Hellboy. Esse sucesso se deve principalmente ao empenho de seu criador, Mike Mignola, que incorporou a abordagem descolada dos super-heróis em uma trama que incorpora elementos clássicos de horror. Além de contar a história de um demônio invocado na Terra que se dedica a fazer o bem, as HQs prestam homenagens a mitologias, contos folclóricos e personalidades históricas em um amálgama cultural que se inspira abertamente em toda a literatura de horror.

Indicado para quem gosta de: monstros, suspense, horror clássico.

O Imortal Hulk

O Hulk é um dos heróis mais famosos do Universo Marvel, mas sua premissa de monstro que nasce da raiva o torna difícil de escrever, visto que seus enredos podem se tornar repetitivos. Evitando cair no senso comum da dinâmica “homem versus monstro”, o roteirista Al Ewing e o artista brasileiro Joe Bennett investiram na atmosfera do terror para voltar às raízes do personagem como um homem em constante conflito consigo mesmo. Indicada ao prêmio Eisner, o Oscar das HQs, a fase equilibrou discussões filosóficas e sociais, como abuso e fé, com um suspense que bebe de fontes óbvias como body horror, mas também ousa ao mirar no horror cósmico, difundido pela obra de H.P. Lovecraft.

Indicado para quem gosta de: monstros, suspense, body horror, terror social.

Dylan Dog: Prelúdio para Morrer

Dylan Dog é um dos mais tradicionais personagens dos quadrinhos italianos. Publicado pela Sergio Bonelli Editore, o investigador paranormal é o segundo título mais vendido no país, ficando atrás apenas de Tex. Em seus mais de 30 anos, Dog passou pela mão de vários roteiristas, com destaque para Dario Argento, cineasta conhecido como um dos maiores nomes do giallo, o horror italiano. O diretor de Suspiria escreveu Prelúdio para Morrer, uma história que coloca o Detetive do Pesadelo em busca de Laís, uma garota ligada à cultura sadomasoquista que some de forma repentina.

Indicada mesmo para quem nunca leu HQs de Dylan Dog, Prelúdio para Morrer é um suspense que brinca com a sanidade do protagonista enquanto constrói uma trama que aproveita sua estrutura de investigação para fazer críticas sutis a padrões e tabus. Como curiosidade, Argento é lembrado também pelo filme Prelúdio para Matar (Profondo Rosso, no original), cujo título é referenciado na HQ, publicada no Brasil com o título de Prelúdio para Morrer (originalmente Profondo Nero).

Indicado para quem gosta de: suspense, investigação

Uzumaki

Uzumaki é a obra-prima de Junji Ito, autor conhecido como um dos maiores quadrinistas de horror de todos os tempos. O mangá é composto por histórias curtas focadas em Kirie Goshima e seu namorado, que passam a testemunhar eventos estranhos ligados a espirais (uzumaki, em japonês). A narrativa da publicação começa fragmentada, com uma sequência de histórias aparentemente não relacionadas que se amarram em torno de uma bizarra maldição que tomou conta da cidade de Kurouzu. Com um grande esmero por parte de seu autor, Uzumaki é capaz de aterrorizar qualquer fã de horror graças ao nível de detalhes na arte, que cria mal-estar não só através do gore, como também da ambientação claustrofóbica.

Indicado para quem gosta de: gore, terror psicológico, sobrenatural.

O Despertar de Cthulhu em Quadrinhos

A obra de H.P. Lovecraft se tornou um dos marcos da literatura do terror ao desenvolver e popularizar o sub-gênero do horror cósmico, muito presente na obra de Edgar Allan Poe. Com contos focados em divindades ancestrais de aparência alienígena e monstruosa que já habitaram a Terra, o autor criou uma vasta mitologia que gera fascínio desde a década de 1920. O Despertar de Cthulhu em Quadrinhos é uma antologia com oito histórias inéditas inspiradas no terror Lovecraftiano, apresentando o inominável horror através de sonhos, acontecimentos históricos e até a fé.

Indicado para quem gosta de: horror cósmico, gore, monstros, drama histórico.

Meu Amigo Dahmer

Obras dedicadas a contar a vida de serial killers geralmente focam na parte criminosa dos assassinos, encontrando em seus crimes a maneira de causar medo no espectador. O quadrinista Derf Backderf tomou o caminho oposto e decidiu investigar o que fez com que Jeffrey Dahmer, seu esquisito colega de escola, começasse a matar. Meu Amigo Dahmer acompanha a adolescência de Jeff, um adolescente criado em um lar negligente que reprimia a própria sexualidade, conheceu o álcool muito cedo e que no futuro viria a se tornar um dos maiores assassinos em série da história.

Indicado para quem gosta de: serial killer, biografia e suspense

I Am a Hero

Zumbis sempre tiveram seu espaço na cultura pop, mas sua relevância nos anos 2000 está diretamente ligada a The Walking Dead, uma franquia que engloba de séries de TV a videogames, mas que começou nos quadrinhos. Desde então, as criaturas voltaram a aparecer com força em diversas produções, que buscavam alcançar o mesmo sucesso. Um dos melhores exemplos dessa nova corrente é I Am a Hero, mangá de Kengo Hanazawa que acompanha Hideo Suzuki, um assistente em um estúdio de mangás que precisa lutar para sobreviver em um mundo dominado por mortos-vivos.

Além da detalhada arte de Hanazawa, que experimenta perspectivas incomuns e retrata os zumbis com uma podridão que assusta por si só. Somada à verossimilhança e excentricidade com que cria seus personagens, o mangá se tornou um sucesso a ponto de servir de inspiração para um filme live-action de mesmo nome lançado em 2016.

Indicado para quem gosta de: zumbis, humor absurdo e gore

Mula Sem Cabeça

O folclore nacional está cheio de lendas que incorporam elementos de terror para criar a sua moral da história. Um dos mitos mais clássicos é o da Mula Sem Cabeça, que foi recontado em quadrinhos por Marcatti, um dos mais importantes artistas nacionais. Tradicionalmente, a criatura é na verdade uma mulher que se transforma no animal após se envolver com um padre. Se aproveitando da premissa, Marcatti constrói um suspense dramático com toques de humor absurdo em uma versão que contesta o moralismo que sustenta a lenda original.

Indicado para quem gosta de: suspense e horror sobrenatural.