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Oscar 2018 | Conheça os indicados a Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som

Cerimônia deste ano tem os mesmos filmes nas categorias

Camila Sousa
01.03.2018
16h02
Atualizada em
29.06.2018
02h46
Atualizada em 29.06.2018 às 02h46

Oscar 2018 está chegando e preparamos um especial falando sobre cada categoria. Agora é a vez de Edição de Som e Mixagem de Som, que têm os mesmos filmes indicados este ano.

Divulgação

MELHOR EDIÇÃO DE SOM

A categoria existe desde 1963 e já apareceu com diversos nomes: Melhores Efeitos Sonoros, Melhor Edição de Efeitos Sonoros e Melhor Edição de Som. Consiste na criação de todos os elementos sonoros do filme (menos a trilha), incluindo efeitos sonoros e diálogos gravados no set. O prêmio é geralmente recebido pelo Editor de Som Supervisor, que pode ser acompanhado pelos Designers de Som.

MELHOR MIXAGEM DE SOM

Se a Edição de Som é como a composição de uma sinfonia, a Mixagem de Som é como um maestro, que busca o equilíbrio entre música, diálogo, efeitos sonoros e outros elementos. A categoria existe desde 1929 e quem recebe o prêmio são os "sound mixers de produção" (que gravam os sons no set e mixam para referência e montagem) e os "re-recording mixers" (que mixam o material captado no set com o material criado na pós-produção, chegando ao formato definitivo do filme).

A Forma da Água

O filme de Guillermo del Toro tem equipes diferentes indicadas nas duas categorias. Em edição de som concorrem Nathan Robitaille e Nelson Ferreira (ambos de The Expanse), enquanto em mixagem de som estão Christian Cooke e Brad Zoern (ambos de Shadowhunters) e Glen Gauthier (xXx: Reativado). Embora as categorias sejam separadas, as duas equipes trabalharam em conjunto, principalmente para criar o som emitido pelo Homem Anfíbio. O resultado ouvido nos cinemas é uma fusão de vozes de animais com uma humana: “Tivemos uma grande discussão com ele sobre ‘isso será uma criatura e não um monstro. Ele tem mais emoções, mais raiva’”, explica Robitaille. Outra preocupação do editor foi com o som dos elementos do laboratório: “Ele [Guillermo del Toro] queria garantir que aquele tempo fosse mostrado, então ele me passou uma lista de coisas de limpeza que ele se lembrava daquele tempo. Sou novo - nem estava vivo naquela época - então isso me levou para uma pesquisa profunda”. Já Zoern diz que se preocupou principalmente na mixagem com o som emitido pelo Homem Anfíbio, para deixá-lo o mais real possível. “Há muita emoção ali que precisa ser passada por ações e sem idioma (...). É difícil fazer algo completamente do zero e fazer soar como se estivesse de verdade sentado ali no quarto”.

Blade Runner 2049

Vencedor do Oscar pela edição de som de Mad Max: Estrada da Fúria, Mark Mangini concorre novamente ao prêmio ao lado de Theo Green (O Apostador). Falando ao Gold Derby, Mangini explica que se inspirou no filme de 1982, mas tomou o cuidado de não copiá-lo. “Uma de nossas primeiras tarefas foi entender o que tornou o primeiro filme tão rico e interessante em termos de som, e então encontrar uma forma de desconstruir isso e fazer algo nosso”. Ao lado de Green, Mangini passou meses criando várias texturas musicais para conseguir a imersão de som desejada pelo diretor Denis Villeneuve. Passando para a mixagem de som, concorrem ao prêmio Ron Barlett (xXx: Reativado), Doug Hemphill (Maze Runner: Correr ou Morrer) e Mac Ruth (Atômica), sendo que Barlett e Hemphill trabalharam na remasterização do filme original lançada há 8 anos. Sobre balancear sons ambientes com a trilha sonora, Doug Hemphill  afirma que o segredo é deixar tudo o mais natural possível para o público: “Às vezes tudo isso está bem intercalado. Você não deve conseguir falar a diferença entre o que é o som da rua ou o que é a trilha sonora, e esse é nosso objetivo. Nem sempre pensamos nos efeitos e na música de forma separada, os dois são peças do mundo distópico de Blade Runner, então eles estão juntos”.

Dunkirk

Se Em Ritmo de Fuga é o favorito nas categorias de som, o filme de Christopher Nolan também aparece forte na disputa, ao reproduzir os sons da Batalha de Dunquerque. Em Edição de Som, estão indicados Richard King (vencedor de 3 Oscars por Mestre dos MaresBatman: o Cavaleiro das Trevas e A Origem) e Alex Gibson (Transformers: o Último Cavaleiro). Falando com a Forbes, King explica que a ideia era inovar, já que grande parte do público já assistiu filmes de guerra e está acostumado com os sons. “Como uma explosão deve soar perto de você? E como um tiro deve soar à distância? Tentamos encontrar ângulos únicos no filme, questionando todos os sons até o final. Continuamos tentando encontrar sons que são evocativos e poderiam colocar o público na situação dos personagens. Esse é o objetivo”. Na parte de Mixagem, concorrem pelo filme Gregg Landeker (vencedor de 3 Oscars por Star Wars: Episódio V: o Império Contra-AtacaIndiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida e Velocidade Máxima), Gary Rizzo (vencedor do Oscar por A Origem) e Mark Weingarten (Cães de Guerra).

Em Ritmo de Fuga

Favorito das duas categorias, Em Ritmo de Fuga é dirigido por Edgar Wright, que apostou na música e nos sons como um componente da história. Julian Slater (Mad Max: Estrada da Fúria) trabalhou tanto na edição de som, quanto na mixagem, dividindo a segunda categoria com Tim Cavagin (Amy) e Mary H. Ellis (A Chefa). Em entrevista ao site Waves, Slater explica que Wright escreveu o filme baseado nos sons e isso foi algo inédito para se trabalhar: “Nosso objetivo principal era retratar a paisagem musical pela perspectiva do protagonista, Baby. Ele tem uma deficiência auditiva chamada Tinnitus, uma condição que causa a percepção de barulho nos ouvidos. Ele ouve músicas o filme inteiro para bloquear isso. Para fazer as fugas com sucesso, ele precisa ouvir a música certa para entrar no movimento”. Para conseguir esse efeito, Slater detalha que utilizou os sons ambientes dentro das músicas, para colocá-los no mesmo ritmo. Ele destaca, por exemplo, o momento em que Baby ouve música apenas em um lado do fone e o mesmo efeito é reproduzido para o público: “Isso não é convencional em termos de mixagem, mas queríamos que o público entendesse como Baby vive e sua percepção do mundo com o Tinnitus”. 

Star Wars - Os Últimos Jedi

Matthew Wood (Rogue One: Uma História Star Wars) e Ren Klyce (House of Cards) são os indicados pela edição de som de Star Wars - Os Últimos Jedi. Wood classifica os sons de Star Wars como um “legado” da franquia, incluindo naves, viagens pelo hiperespaço e os duelos com sabres de luz. Exatamente por isso vários sons não foram mudados, como os das TIE Fighters. Mas a produção teve novos desafios, como os Porgs. Em uma entrevista anterior, Klyce explica que a base do som são pequenas galinhas que estavam na Skywalker Sound. Depois de gravá-las, a equipe de som mudou algumas coisas e acrescentou o som de pombas. Em mixagem de som estão David Parker (Rogue One), Michael Semanick (LEGO Batman: o Filme), Ren Klyce novamente e Stuart Wilson (007 Contra Spectre). Falando ao Post Perspective, Semanick fala sobre a importância de não sobrecarregar o público com sons, algo que aconteceria facilmente em um filme tão grandioso: “Rian não queria fazer isso. Ele queria criar dinâmicas nas faixas e deixar tudo realmente quieto, para quando o som aumentar, não ser tão alto assim”. Segundo ele, grande parte do trabalho é pensar na cena e decidir até onde vale a pena diminuir a trilha sonora para o efeito de uma explosão, por exemplo, e depois voltar com a música. “Não quero distrair o público. Há tantas coisas acontecendo visualmente que você não pode colocar som em tudo. De outra forma, o público não vai saber no que focar”.

Oscar 2018 acontece em 4 de março, com apresentação de Jimmy Kimmel. Confira a cobertura completa do Omelete no site e nas redes sociais.