Música

Artigo

Oscar 2018 | Conheça os indicados na categoria Melhor Trilha Sonora

Entrega do prêmio acontece no dia 4 de março

Julia Sabbaga
01.03.2018
15h41
Atualizada em
29.06.2018
02h43
Atualizada em 29.06.2018 às 02h43

Oscar 2018 está chegando e preparamos um especial explicando cada categoria e os filmes indicados. Entenda melhor o prêmio de Melhor Trilha Sonora.

MELHOR TRILHA SONORA

O Oscar de melhor trilha sonora existe desde 1935, a 7ª cerimônia do Oscar, mas ele era um pouco diferente: ao invés de premiar composições, ele entregava as estatuetas ao filme mais bem musicado, isto é, poderia ser dado a um trabalho não original. Em 1942, quando o filme 100 Homens e uma Menina levou o prêmio sem nenhum compositor creditado, e com apenas músicas clássicas pré-existentes, a categoria mudou. Desde então, existe a categoria de Melhor Trilha Sonora, que premia trilhas descritas como “corpo musical que serve como acompanhamento dramático e que tenham sido compostas especificamente para o filme”.

Enquanto os candidatos para melhor trilha sonora são selecionados por músicos que fazem parte da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, os vencedores são escolhidos por votação geral dos membros. Só uma estatueta é dada, ao compositor principal, a não ser que mais de um compositor seja creditado igualmente como colaborador.

Hans ZimmerDunkirk

Indicado dez vezes ao Oscar, Hans Zimmer ganhou apenas em 1995, por seu trabalho em O Rei Leão. Com Dunkirk, ele vem com sua parceria mais frequente, com o diretor Christopher Nolan, colaboração que também lhe rendeu suas duas últimas indicações, em A Origem e Interestelar. Este ano, Zimmer foi elogiado pelo uso de uma técnica peculiar para criar tensão; a escala Shepard. Nas composições de Dunkirk, conforme as linhas instrumentais vão ficando mais agudas, os volumes vão diminuindo e dando lugar a linhas instrumentais mais graves. A ilusão contínua de que a música está mais aguda cria um clima de tensão peculiar, que foi usado de forma diferente nas três linhas narrativas do filme. Ao fim do longa, Zimmer uniu os temas de cada uma das linhas, caminhando em tempos diferentes até atingir o mesmo clímax.

Jonny GreenwoodTrama Fantasma

Jonny Greenwood também frequente colaborador de um diretor, Paul Thomas Anderson. Já tendo trabalhado em seu último filme Vício Inerente, e ainda em O Mestre e Sangue Negro, Greenwood é sempre aclamado, mas foi apenas este ano, com Trama Fantasma, que ele foi reconhecido com uma indicação na Academia. Conhecido também como guitarrista e tecladista do Radiohead, Greenwood disse que nas composições de Trama Fantasma, o diretor e o protagonista, Daniel Day Lewis, deram sugestões: “Nós conversamos muito sobre como fazer uma música soar tão britânica e tão romântica ao mesmo tempo?”. Lewis sugeriu a influência do compositor Thomas Tallis, e Anderson, como frequentemente faz, incluiu no filme alguns trechos de Debussy e Schubert. Segundo a Variety, a trilha acompanha 90 minutos do filme, representando 70% do tempo total. Ao saber disso, o condutor da trilha comentou “Isto não é um filme, é um musical!”.

Alexandre DesplatA Forma da Água

O compositor francês Alexandre Desplat foi a escolha de Guillermo Del Toro para a fantasia de A Forma da Água. Desplat já tem uma carreira não apenas longa, como notável, no cinema, com nove indicações ao Oscar, incluindo uma vitória em O Grande Hotel Budapeste em 2015, além de diversos outros prêmios, no BAFTA, no Globo de Ouro, no Grammy, e muitos outros. Em A Forma da Água, Desplat criou uma série de composições que se baseiam no som, no ritmo e na fluidez do movimento da água, para que a trilha funcionasse do mesmo jeito que o filme, explicando: “Como você coloca a plateia em um estado de submersão? São algumas cordas, mas elas não tem um grande destaque (...) São as flautas e sopros que são elementos que soam como se você estivesse mergulhado. Quando você ouve música debaixo d’agua, à distância, é quase como se ela tivesse embaçada, opaca. Eu queria achar esta sensação e enfatiza-la”.

John WilliamsStar Wars - Os Últimos Jedi

Em sua 51ª indicação ao Oscar, John Williams concorre com Star Wars: Os Últimos Jedi, que traz alguns dos mais lendários trechos que Williams já compôs em sua longa carreira. Williams é a pessoa viva com o maior número de indicações na Academia, e já ganhou cinco vezes: em A Lista de Schindler, E.T: O Extraterrestre, Tubarão, Star Wars: Uma Nova Esperança e Um Violinista no Telhado. Sua última indicação aconteceu em 2016, por Star Wars: O Despertar da Força. Em Os Últimos Jedi, o compositor continuou na linha tradicional de criar leitmotifs para os personagens, usando a trilha intensamente para marcar o desenvolvimento da história. Um artigo na New Yorker explicou bem: “Nas primeiras cenas nas ruínas do templo Jedi, nós ouvimos bem ao fundo e discretamente uma versão do tema da Força, o que enfatiza a renúncia de Luke aos Jedi. Na medida em que Rey começa a extrair os sentimentos de Luke, o tema da Força vai se tornando mais forte, até aparecer de vez”.

Carter BurwellTrês Anúncios Para um Crime

Para Três Anúncios Para um Crime, o diretor Martin McDonagh chamou o mesmo compositor com quem trabalhou em seus dois últimos filmes, Carter Burwell. Conhecido principalmente pelas colaborações com os Irmãos Coen, o compositor foi indicado ao Oscar no ano passado por seu trabalho em Carol e ganhou o Emmy em 2011, pela composição na mini-série Mildred Pierce. Burwell criou uma trilha sinistra e com toques de faroeste para o drama/comédia de McDonagh. Ao Gold Derby, Burwell comentou que a ideia principal foi identificação com o cenário do filme: “Eu sei que Martin queria um sentimento do local, e eu transmiti isso com instrumentos tradicionalmente americanos”.

Oscar 2018 acontece em 4 de março, com apresentação de Jimmy Kimmel. Confira a cobertura completa do Omelete no site e nas redes sociais.