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Oscar 2018 | Conheça os indicados a Melhor Montagem

Cerimônia acontece neste fim de semana

Camila Sousa
02.03.2018
18h09
Atualizada em
29.06.2018
02h43
Atualizada em 29.06.2018 às 02h43

A 90ª edição do Oscar será realizada no próximo dia 4 de março, e o preparamos um especial explicando as categorias do prêmio. Agora vamos entender melhor o prêmio de Melhor Montagem:

Divulgação

MELHOR MONTAGEM

Parte do Oscar desde 1934, o prêmio de melhor montagem honra os profissionais responsáveis por reunir na pós-produção todo o material captando, selecionando, ajustando e ordenando os planos de um filme para atender os objetivos narrativos e estéticos do diretor.

A Forma da Água

Sidney Wolinsky (House of Cards, Ray Donovan) é o indicado pelo filme de Guillermo del Toro. A trama sobre a jovem faxineira que se apaixona pelo Homem Anfíbio mantém um equilíbrio entre as cenas tensas no laboratório e o mundo lúdico e simples de Elisa. “Editar é um processo de fazer escolhas, do que você vai mostrar e não mostrar, e por quanto tempo mostrar, sabendo que o público está olhando para tudo na cena. O diretor precisa estar ciente disso nas filmagens e preciso estar ciente disso também quando estou cortando”, diz o editor. Falando ao Collider, Wolinsky explica que Guillermo del Toro gosta de editar todos os dias o material que foi filmado, e isso também aconteceu em A Forma da Água. Fazendo isso, de acordo com o editor, del Toro já tinha praticamente seu corte do diretor pronto quando as filmagens terminaram. Com esse material em mãos, Wolinsky avaliou os pontos mais fracod do filme e o que poderia ser tirado. “Muitas coisas deixam as cenas travadas, você percebe que não precisa delas. É engraçado quando você lê o roteiro e pensa ‘uau, isso está funcionando’, e quando vemos a cena ela é apenas uma repetição do que já sabemos”.

Dunkirk

Intercalando cenas na terra, na água e no ar, o filme de guerra de Christopher Nolan chama a atenção por sua montagem, que também lida com as questões temporais de cada núcleo de personagem. O responsável pelo trabalho é Lee Smith, colaborador de longa data do diretor, em filmes como A Origem, Batman: o Cavaleiro das Trevas Ressurge, Interestelar, entre outros. Antes de fazer a edição de imagens, Lee também trabalhou como editor de som, o que ajudou no longa indicado ao Oscar. Diferente do que aconteceu em A Forma da Água, ele explica que monta um corte durante as filmagens, mas Nolan prefere não olhar nada antes do final: “Ele confia em mim se eu sinto que tudo está funcionando e temos o que precisamos. Ele se sente muito mais feliz ao se concentrar apenas nas filmagens, ao invés de ter que pensar sobre o corte também”. O diretor dava algumas dicas do que queria ao final do dia, principalmente se alguma cena estava muito diferente do roteiro, mas não passava disso. “Acho que ele realmente gosta de ver as minhas ideias primeiro, porque elas nem sempre são iguais às dele. Ele gosta dessa abordagem, em que você pode ver como outra pessoa enxerga as cenas”.

Em Ritmo de Fuga

A montagem precisa em conjunto com a música torna Em Ritmo de Fuga um dos favoritos da categoria, ao lado de Dunkirk. Paul Machliss (Brotherhood) e Jonathan Amos (Scott Pilgrim Contra o Mundo) assinam o trabalho. Machliss explica que os dois trabalharam de perto com o diretor Edgar Wright na ligação entre cenas e música, montando uma playlist em sequência e colocando-a em combinação com a leitura do roteiro e efeitos sonoros. “Eu precisava ter a certeza que a música, os diálogos, a ação e todas as pequenas coisas que queríamos colocar juntas estavam mais ou menos no lugar”, completa o editor, afirmando que ficou no set de Atlanta entre janeiro e maio, editando as cenas conforme eram filmadas. “O desafio era não fazer um clipe de música de 100 minutos, em que tudo está imerso. É um filme - e não um musical - mas tudo é guiado pela música. Queríamos música de fundo até nas cenas de diálogos”.

Eu, Tonya

Tatiana S. Riegel (Horas Decisivas) é a indicada pelo filme que mostra a história da patinadora artística Tonya Harding. Os grandes diferenciais da montagem são as cenas da prática do esporte, que mesclam Margot Robbie e as dublês de patinação, e o equilíbrio do tom do filme. “Estava lidando com um assunto muito sério e pessoas em situações difíceis e vulneráveis, certamente não queria fazer isso de forma desrespeitosa”, diz. Outro desafio, segundo Riegel, foi equilibrar os diferentes narradores da história: “Mas também foi divertido, porque nos permite quebrar todos os tipos de regras - tudo se torna meio aceitável quando você aceita que as pessoas estão mentindo para você”. Questionada sobre como balanceou o ritmo do filme, a editora afirma que seguiu o instinto ao ver as cenas e reagir à elas. “Também é importante o meu entendimento de Craig Gillespie [diretor], sua sensibilidade e o que ele quer”. Já as cenas de patinação tiveram o auxílio de efeitos visuais e cortes entre Robbie e as dublês.

Três Anúncios para um Crime

Jon Gregory (Um Reino Unido) é o indicado pelo filme na categoria. Diferente dos outros longas da categoria, a edição de Três Anúncios para um Crime usa elementos clássicos para destacar os personagens e seus dramas. Gregory já tinha trabalhado anteriormente com o diretor Martin McDonagh e afirmou que os dois conhecem bem o trabalho um do outro. Assim, eles se encontraram algumas vezes para acertar o tom e o diretor fez algo que Gregory considera inédito. “Martin leva os materiais para casa e fica cerca de 10 semanas com eles, fazendo anotações. Algo incrível. Então ele me passa isso de volta e eu tento transformar em um filme. Muitas vezes não é possível. Algumas escolhas você não consegue unir, porque visualmente fica bagunçado. É difícil, mas eu preciso trabalhar nisso”. O editor afirma que um dos personagens mais desafiadores foi Dixon, interpretado por Sam Rockwell. Como ele diz, no começo o policial não é um personagem que o público gosta, mas havia a necessidade de criar uma empatia por ele. Outro ponto importante foi colocar o flashback de Mildred com a filha no terceiro ato do longa, quando a delegacia é incendiada: “Mesmo no meio daquele ato extremo, você simpatiza com ela”.

Oscar 2018 será apresentado novamente por Jimmy Kimmel, com cobertura completa do Omelete no site e nas redes sociais.