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The Witcher | O que esperar da 2ª temporada da série da Netflix

Trama deve ficar mais linear e focar na relação entre Geralt e Ciri

Arthur Eloi
27.12.2019
20h14
Atualizada em
08.01.2020
18h01
Atualizada em 08.01.2020 às 18h01

[Cuidado! Spoilers da primeira temporada de The Witcher e de alguns eventos do livro O Sangue dos Elfos]

Após desenvolver paralelamente o rumo de seus três personagens, The Witcher conclui sua primeira temporada reunindo o bruxo Geralt de Rivia (Henry Cavill) com Ciri (Freya Allan). Para onde a série vai a partir daí? A resposta é enfim se tornar mais linear, sem variações de linhas temporais.

Como o programa da Netflix adapta a obra de Andrzej Sapkowski, é possível prever alguns dos rumos da trama. Acontece que o ano um “costura” muitos dos contos individuais publicados pelo autor a partir da década de 1980. O último episódio, por exemplo, retrata “Algo Mais”, o conto final da segunda coletânea, A Espada do Destino. Assim como na história original, o seriado mostra o destino do protagonista novamente se entrelaçando com o de Ciri, através de outro uso da chamada Lei da Surpresa. Ao invés de fugir novamente, Gerallt aceita sua responsabilidade. Isso é bastante importante para o que vêm a seguir, já que Sapkowski desenvolveu essa relação a fundo a partir de O Sangue dos Elfos, o primeiro romance da franquia.

O livro, originalmente publicado na Polônia em 1994, tem ritmo diferente das histórias curtas. Boa parte da narrativa se torna dedicada ao amadurecimento de Ciri, que é levada à Kaer Mohen - a base da Escola do Lobo, onde Geralt foi criado - para treinar defesa pessoal. Muito é discutido se a garota deve se tornar uma witcher, mas ela não chega a passar pelo Teste das Ervas, o processo rigoroso de mutação que define os caçadores de monstros. Cenas do tipo não são estranhas estranhas mesmo para quem não leu os livros: um trecho dessa época, em que o protagonista e seu mentor Vesemir treinam a menina, é retratado nos momentos iniciais de The Witcher 3: Wild Hunt, ainda que como parte de um pesadelo.

Quem também terá papel importante nesse estágio da trama é Yennefer (Anya Chalotra). Assim como Geralt, a feiticeira desenvolverá uma relação quase-maternal com Ciri, especialmente importante para ela pelo trauma de ter se tornado infértil. A mentoria da feiticeira também é vital para que a garota aprenda a controlar seus poderes, e também serve como ponte para juntar Geralt ao arco dos bruxos e da academia mágica de Aretuza, que terá grande significado quando chegar a hora de adaptar o segundo livro, Tempo do Desprezo. Mesmo assim, a personagem que ganha um pouco de holofote é Triss Merigold, interpretada na TV por Anna Shaffer. Enquanto Yen está ausente, Geralt passa a se envolver com a outra feiticeira, que também ajuda Ciri em momentos delicados de seu amadurecimento.

Porém nada garante que a série se manterá unicamente focada em O Sangue dos Elfos. O livro é vital para motivar os personagens durante toda a jornada, mas também é um pouco mais parado que os demais já que “estaciona” em Kaer Morhen por bastante tempo. Nada impede que o seriado acelere esses eventos e combine com um pouco de ação do sucessor, ou então use alguns dos contos que ficaram de fora para criar dinâmica própria. Uma boa pedida, por exemplo, seria levar paras telas “Um Fragmento de Gelo”, em que Geralt briga com o feiticeiro Istredd pelo amor de Yennefer. Seja como for, o caminho daqui para frente deve ser narrativamente mais simples do que a primeira temporada - mas não menos recheado de drama e ação na vida do bruxo.

A primeira temporada de The Witcher já está disponível no catálogo da Netflix. Já a segunda é prevista para 2021, também com oito episódios.