Sabrina Sato e Ted Sarandos em vídeo de anúncio de Reality Z, da Netflix

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

Séries e TV

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Netflix aumenta apostas no Brasil em conferências na Rio2C

Streaming teve três apresentações com foco maior na produção nacional

Camila Sousa
25.04.2019
18h15
Atualizada em
28.04.2019
10h11
Atualizada em 28.04.2019 às 10h11

Diversidade é a palavra mais repetida nas apresentações da Netflix na Rio2C, conferência de inovação e criatividade realizada esta semana. A empresa de streaming teve três grandes eventos no primeiro dia, focando menos nos lançamentos internacionais e mais nas apostas para o território nacional.

O dia começou com Ted Sarandos, chefe de conteúdo, que subiu ao palco para uma conversa rápida com Wagner Moura. O ator brasileiro achou graça de fazer uma apresentação inteira em inglês em seu próprio país, mas ficou à vontade ao lado de Sarandos, que por sua vez revelou curiosidades sobre os conteúdos internacionais.

Narcos, por exemplo, foi uma grande aposta, porque o público dos Estados Unidos não têm o hábito de ler legendas, um conceito que foi quebrado também com 3%, a primeira série original Netflix feita no Brasil, que teve um enorme sucesso no exterior. Sarandos também deixou claro que a Netflix trabalha deixando de lado velhas convenções. Em relação à Stranger Things, por exemplo, o executivo afirmou que muitos duvidaram do sucesso, porque imaginavam que uma série feita para adultos não poderia ter crianças como protagonistas.

Wagner Moura também não poupou Sarandos de temas difíceis e o questionou sobre os novos serviços de streaming, incluindo o da Disney. Será que isso tira o sono do executivo? Sarandos deu uma resposta política, afirmando que a competição é boa para o mercado e dizendo que até demorou para aparecer tantos concorrentes de peso. Para ele, o fã vai sim assinar serviços como o da Disney, mas manterá a Netflix como o streaming principal.

Novas produções

Nas apresentações seguintes, que contaram com Maria Angela de Jesus, diretora de conteúdo original internacional, a Netflix deu detalhes sobre os novos projetos brasileiros. Um deles é Irmandade, série de Pedro Morelli com foco em facções criminosas. A trama é protagonizada por uma mulher coagida a entrar no mundo do crime, que leva o espectador pela história.

Morelli conta que uma das gravações da série foi feita em um presídio de Curitiba em funcionamento. A produção utilizou uma área desativada, mas os presos da vida real conseguiam ver tudo de suas janelas e até gritaram o nome da produção. Morelli completa que, acima de tudo, a série é um thriller de ação com foco no entretenimento do público.

O dia da Netflix terminou com a apresentação de Charlie Brooker e Annabel Jones, criadores de Black Mirror. Para quem esperava grandes novidades sobre o seriado, a palestra pode ter sido um pouco frustrante. Brooker e Jones falaram sobre a experiência de Bandersnatch, que definiram como um “pesadelo feliz” de produzir, e disseram que logo no começo ficou claro que as escolhas não poderiam ser 100% livres, porque isso criaria milhares de possibilidades.

Mas o foco da apresentação foi o anúncio da série Reality Z. Inspirada no seriado britânico Dead Set, feita por Brooker em 2008, a produção nacional se passa no Rio de Janeiro, contando a história de um reality show invadido por zumbis. É um destaque curioso que o vídeo de anúncio de Reality Z mostrou Ted Sarandos ao lado da carismática Sabrina Sato. Enquanto o público brasileiro riu com as já conhecidas brincadeiras da apresentadora, os espectadores estrangeiros presentes no evento ficaram um pouco confusos com tamanha repercussão - saiba mais sobre a série aqui.

Esse detalhe resume bem a participação da Netflix na Rio2C. O foco foi em produções brasileiras feitas para o público local. Reality Z, assim como outras séries, tem grande potencial para fazer sucesso em vários países e isso é muito positivo. Mas a empresa entende a importância de investir em conteúdos e talentos genuinamente brasileiros.