Cena de Dia do Sim

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

Netflix

Crítica

Simples e despretensioso, Dia do Sim é uma ótima Sessão da Tarde

Filme estrelado por Jennnifer Gardner e Édgar Ramírez é uma verdadeira explosão de carisma

Henrique Haddefinir
12.03.2021
17h45
Atualizada em
12.03.2021
18h28
Atualizada em 12.03.2021 às 18h28

O que define se um filme é bom ou não? Suas características técnicas ou seu potencial de catarse? Certa vez, numa sequência da série Dawson's Creek (1998), uma crítica de cinema pergunta ao protagonista qual é seu filme favorito. Ele lhe dá uma resposta intelectual, elegendo Corra, Lola, Corra (1998). Ela, então, refaz a pergunta e o questiona não sobre o filme favorito que lhe fará parecer erudito, mas o filme favorito que pode até ter a pior fama, mas que sempre lhe faz feliz quando ele assiste. O cinema – segundo ela – está cheio desses títulos de reputação questionável, mas que podem alcançar o coração das pessoas como nenhum projeto oscarizado consegue fazer.

Talvez Dia do Sim seja um desses títulos. O longa baseado no livro de Amy Krouse Rosenthal e Tom Lichtenheld é pura Sessão da Tarde. Essa categorização, inclusive, não tem nenhuma conotação perjorativa. Apesar de seu enredo simples e despretensioso, o filme tem aquela atmosfera Pixar, onde todo o desenvolvimento parece fluir sozinho, sem força, com uma simpatia inevitável; e os coadjuvantes parecem funcionar perfeitamente no entorno dos acontecimentos principais. Mesmo que com apenas uma hora e meia de duração, nada é apressado e nem longo, tudo tem o tempo certo, a respiração certa, o riso mais ajustado. Em muitos momentos, é exatamente isso que o filme parece: uma animação da Pixar.

A história gira em torno de Allison Torres (Jennifer Garner), uma mulher que na juventude viveu todas as aventuras que quis, até se tornar mãe e virar uma máquina de dizer “não”. Como sempre acontece, o pai vivido por Édgar Ramírez ocupa uma posição passiva, deixando que a esposa seja o “carrasco” na educação das crianças. Até que Kate (Jenna Ortega) e Nando (Julian Lerner) começam a protestar contra as regras da mãe e, para provar a eles que ainda pode ser divertida, ela decide aceitar a instauração do “Dia do Sim”, em que, por 24 horas, não poderá dizer “não”. Ao lado da pequena e encantadora Ellie (Everly Carganilla), os três irmãos planejam um dia intenso que vai servir, também, para que Katie prove para a mãe que pode ser independente.

Sim Para Dia do Sim

Dirigido por Miguel Arteta com uma especial atenção à comunidade latina, o longa traz o nome de Jennifer Garner na linha de frente. Mesmo que Édgar Ramírez e boa parte do elenco seja naturalmente latino, a história gira em torno da mãe, e o rosto de Garner no pôster é a suposta garantia de que “tudo vai funcionar”. Sabemos que tudo isso parte de decisões comerciais, mas o roteiro de Justin Malen é tão carinhoso que logo a presença de Jennifer deixa de ser um porém e se transforma numa grande vantagem. Tanto ela quanto Édgar entendem que esse tipo de trama só funciona se tiver carisma, e investem tudo nessa direção.

Conhecemos bem a fórmula “dia de aventura” que costuma reger esse tipo de filme e, no final das contas, Dia do Sim não faz absolutamente nada que outros filmes não tenham feito. Contudo, o cuidado com o equilíbrio emocional do texto acaba fazendo diferença. Os diálogos conseguem – na maioria das vezes – fluir sem cafonice; os trechos com piadas físicas e escalatógicas estão ali, mas na medida certa para manter o charme e não se tornarem muletas. O bom humor do roteiro e da direção sugere uma diversão mútua, entre produção e espectador, que se reflete em sequências surpreendentemente sagazes, como a daquela espécie caótica de paintball, ainda lá no começo do filme.

Entretanto, a grande força do longa está nos coadjuvantes. Há presenças marcantes como as de Nat Faxon e Fortune Feimster, mas o trabalho de Arturo Castro como o Oficial Jones é competentíssimo e digno de premiações. Não se pode esquecer que, assim como também é comum no gênero, um astro da música aparece para fazer as honras. H.E.R foi a escolhida. É na reta final do longa (ali quando o show de H.E.R acontece), que o bom desenvolvimento de Dia do Sim escorrega para o lado errado da pista. Com tanta diversão e bons momentos no bolso, o filme pode ser perdoado pela pieguice. Se um roteiro consegue nos envolver até a chegada de momentos como esse, eles parecerão muito menos apelativos.

Ao final, a experiência acaba sendo extremamente positiva. O roteiro não perde a oportunidade de discutir o conflito parental sob uma ótica perfeitamente identificável e que não vilaniza e nem santifica nem pais, nem filhos. Dia do Sim tem escopo e espírito para sequências, mas, se só ficar por aqui, está ótimo. Ele é diversão pura e simples... E da melhor qualidade.

Dia do Sim
Yes Day
Dia do Sim
Yes Day

Ano: 2021

País: EUA

Classificação: LIVRE

Duração: 89 min

Direção: Miguel Arteta

Roteiro: Justin Malen

Elenco: Jennifer Garner, Julian Lerner, Jenna Ortega, Edgar Ramírez

Nota do Crítico
Ótimo

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