WME: Um hub para mulheres na música e por que homens precisam estar lá e ouvir

Créditos da imagem: Crédito: Melissa Haidar

Música

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WME: Um hub para mulheres na música e por que homens precisam estar lá e ouvir

Womens Music Event reuniu mulheres de todo o Brasil e coloca em pauta tópicos do segmento musical que precisam ser compreendidos por todos

Jacídio Junior
01.04.2019
14h47

Sempre me questionei sobre como os homens (eu inclusive) poderiam participar de um evento focado no fortalecimento da presença das mulheres no mercado musical, de forma que agregasse ao evento e à ideia.

Na edição 2019 do WME - Womens Music Event - essa visão ficou muito clara. O evento este ano, além das apresentações com nomes de diversos segmentos musicais, mais uma vez, entregou painéis diversos, abordando temas como músicas feitas por refugiadas no Brasil, o feminino muito além do RG, como as DJs estão criando novas oportunidades fora da cabine, entre outros tópicos capazes de mostrar como um evento com essa perspectiva é essencial para que os homens possam ouvir, entender e se engajar (de forma consciente e assertiva) nessa necessidade de transformar, por meio da ação real, o mercado e os ambientes nos quais convivemos em algo mais igualitário.

Ouvir é essencial

Assim, com essa perspectiva, acompanhando algumas dessas conversas, ouvindo com atenção, ficou claro que participar de um evento como esse é, sim, muito importante para os homens que trabalham no mercado musical (em todos os segmentos, na verdade), mas - nessa hora - é de extrema necessidade estar preparado para ouvir.

Falar não é o foco, mas sim entender as demandas, as histórias, as necessidades que as mulheres que estão no ramo musical passam. Assim, estar ali, faz com que seja possível para o público masculino compreender, de maneira mais clara, as possíveis formas de como nos posicionar e agir diante de tópicos realmente importantes.

A presença de managers, promoters, donos de festas, curadores e realizadores é necessária em um ambiente com esse foco, justamente por proporcionar a experiência de ouvir discussões importantes e de absorver informações essenciais para que eles possam se tornar uma ferramenta real no crescimento do protagonismo das mulheres em todo o setor.

Detalhe que vai ao encontro do que Cláudia Assef, parte da dupla idealizadora e criadora do evento, comentou em entrevista ao Omelete, no ano passado:

“O melhor jeito de ajudar nesse equilíbrio (entre homens e mulheres no mercado) é abrindo as mentes para que você saia do dia a dia teu, de chamar a mesma equipe técnica, formada por cinco, seis homens, a mesma equipe de filmagem, formada 100% por homens. O mesmo line-up de DJs formado por 90% de homens, e pensar que as mulheres trazem novidades. As mulheres trazem outras formas de fazer. Então, se o contratante e quem está encabeçando não tiver uma postura de estar aberto a novas propostas, o mercado não vai sair do lugar”.

Por isso, para um homem, estar em um espaço no qual as participantes e a plateia vão externar suas ideias da forma mais franca possível, ouvi-las e ser capaz de se relacionar com os tópicos, é essencial para que seja possível compreender o quão necessário é fazer parte desse ambiente.

Por fim, ouvir em um espaço como o WME é importante para que seja tenhamos mais empatia no momento de falar, mostrar e agir - sempre em conjunto com essas profissionais - para que a mudança do panorama de um segmento artístico ainda tão masculino, possa acontecer com todos juntos.