Favela, funk e chuva: como foi a noite de estreia do Rock in Rio 2019

Créditos da imagem: Matias Maxx/Reprodução

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Favela, funk e chuva: como foi a noite de estreia do Rock in Rio 2019

Primeiro dia de festival privilegiou o funk carioca

Tereza Novaes
28.09.2019
09h38
Atualizada em
28.09.2019
10h22
Atualizada em 28.09.2019 às 10h22

O Rock in Rio 2019 começou na última sexta-feira (27) e, já de cara, com sua noite mais black. Não só pelo headliner Drake, a principal atração inédita deste ano, mas pela escalação que priorizou várias nuances da música negra.

Lellê abriu os trabalhos na Cidade do Rock fazendo justas homenagens a Ágatha Félix e Marielle Franco, que se repetiram mais tarde no palco Favela. Na sequência, no mesmo palco Sunset, Karol Conka surgiu escoltada pela drag Gloria Groove e por Linn da Quebrada, e gritou: "fogo nos racistas!".

Iniciativa inédita, o palco Favela foi alvo de polêmica, acusado de mau gosto e de explorar a dor dos moradores de comunidade. O principal argumento contra era uma sonoplastia que o público nem chegou a ouvir. Vídeos gravados no dia teste, na última quarta-feira (25), capturaram uma espécie de vinheta com o som de helicópteros, usados com frequência em operações policiais e dos quais, não raro, são disparados tiros.

Por outro lado, o palco deu visibilidade ao funk carioca, estilo adorado pelos millennials e muitas vezes esnobado em eventos desse porte. Crias de comunidades do Rio ganharam espaço, tanto os empreendedores vendendo quitutes, quanto seus influencers de blogs e jornais comunitários, que tiveram o mesmo acesso que o da "grande mídia".

Quem garantiu a festa de favela foi o coletivo Heavy Baile. Os hits sobre a Gaiola, que ganhou fama de o "melhor baile do Rio de Janeiro", fizeram o público, majoritariamente branco, dançar e cantar com vontade. No final, o MC Tchelinho saudou um dos pais do funk 150 bpm, que está preso por associação ao tráfico. "Rennan da Penha está privado de liberdade por conta de uma Justiça fascista e racista", bradou o cantor no fim da apresentação, que teve também MC Carol Bandida e Tati Quebra-Barraco.

A noite ainda teve Mano Brown que trouxe uma lenda do funk gringo para reforçar sua banda, o baixista Bootsy Collins, também mentor do estilo celebrado em seu projeto solo, Boogie Naipe.

Durante o dia, o sol havia aparecido um pouco tímido e havia promessa que o tempo iria firmar, depois de uma semana nublada. Mas, por volta das 21h, uma chuva, fraca e intermitente, começou a cair.

Capas de plástico, que fora custavam R$ 15 e dentro, R$ 10, uniformizaram o público -guarda-chuvas são proibidos. Poças d'água se formaram e o funcionamento de algumas atrações, como a roda-gigante, foi interrompido, frustrando os que vieram em busca desse tipo de diversão. Afinal, não é só de música que se faz o Rock in Rio.

Matias Maxx/Reprodução

O tempo ruim acabou por esvaziar a Cidade do Rock antes do fim. Os fortes que resistiram até o fim testemunharam a entrada de Drake, que vetou fotos e transmissão pela TV. Curiosamente, no lugar foi exibido o show de Rihanna, de 2015, ex-namorada do canadense. Ele entrou no palco ao som de "Aquarela do Brasil", na voz de João Gilberto, e várias referências brasileiras foram pipocando no decorrer da apresentação.

Apesar de deixar na mão quem estava em casa, o rapper não parava de falar e, à la Freddie Mercury, até tentou conduzir os presentes. "Tenho um objetivo aqui: fazer a maior festa que vocês já participaram". Os hits ficaram para o final, quando a chuva voltou. Houve um momento de catarse e devoção dos jovens que estavam mais próximos ao palco.

Os fãs brasileiros corresponderam a expectativa de Drake e foram calorosos, cantando as músicas "palavra por palavra". Mais uma vez, o público do RiR provou que é ele quem faz o festival ser memorável.


ESTRUTURA E TRANSPORTE

Com bastante experiência acumulada ao longo de várias edições, o RiR deste ano não decepcionou na organização. Para quem saiu antes das 17h em direção ao Parque Olímpico, a dobradinha metrô e BRT expresso funcionaram bem e são sem dúvida a melhor opção para quem vem da Zona Sul. A volta também foi tranquila.

O sinal de celulares funcionam bem e há um serviço para carregar a bateria por 20 reais - o valor é para usufrui-lo o dia inteiro. Há também tomadas gratuitas em outros espaços no Rock District. Vendedores de bebidas circulam e abastecem o público de água, refrigerante (ambos a R$ 5) e chope (R$ 13) de forma rápida. Tampouco há fila nos banheiros químicos.

O Rock in Rio acontece nos dias 27, 28 e 29 de setembro e 3, 4, 5 e 6 de outubro de 2019. Neste sábado (28), sobem ao palco as bandas Foo Fighters, Weezer e Tenacious D, além do combo CPM 22 e Raimundos