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Música
Entrevista

Omelete entrevista: Samuel Rosa - Skank

Omelete entrevista: Samuel Rosa - Skank

TT
04.09.2006, às 00H00.
Atualizada em 06.12.2016, ÀS 18H02
Carrossel
Skank
(Sony/BMG)

Adepto da filosofia do escritor inglês Nick Hornby (autor do idolatrado Alta fidelidade e ícone da literatura contemporânea), de que o que não é música clássica ou jazz pode ser definido como pop, Samuel Rosa, vocalista e guitarrista do Skank, não despreza os rótulos e afirma que "O que falta no pop nacional hoje é criatividade".

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E é fácil perceber que o quarteto mineiro, que chega aos 15 anos de estrada, aposta mesmo numa mistura de experimentalismo e a mais básica "fórmula" de sucesso em seu sétimo CD de estúdio, Carrossel (Sony/BMG). O disquinho fecha uma espécie de trilogia - que inclui Maquinarama (2000) e Cosmotron (2003) - trazendo 15 faixas que vão desde a mais radiofônica, caso do primeiro single "Uma canção é para isso", até composições mais sombrias, como a derradeira "Um homem solitário". Isso, sem esquecer, é claro, das baladas, como "Lugar".

"Não estamos querendo fugir do rótulo pop", diz Samuel. "A questão não é essa. O que acontece hoje é que se convencionou chamar de pop tudo o que é concessivo, sem qualidade e comercial, enquanto o sentido da palavra é muito mais amplo que isso". Segundo ele, o que aconteceu com a banda de hits arrebatadores de meados da década passada foi um amadurecimento natural. "Não renegamos nosso passado. Não temos nenhum problema com nada que já fizemos até agora. Sempre fizemos as coisas do nosso jeito e nunca nos preocupamos em seguir este ou aquele caminho. O que incomoda é essa fórmula pré-fabricada. Nunca nos encaixamos nela e sempre fomos honestos com nosso público", desabafa.

As vendas dos trabalhos mais recentes do grupo confirmam esta declaração. Depois de quase dois milhões de cópias vendidas de Calango e Samba poconé, eles retornaram a um patamar mais realista, em torno das 200 mil cópias. "Não significa que as vendas tenham despencado", explica Samuel. "O momento econômico é outro. A realidade do país é outra. É claro que queremos vender discos e estar na preferência do público. Não somos hipócritas para negar isso. Mas estamos muito satisfeitos com esses números e a maior prova de que temos razão em estar é o fato dos shows continuarem lotados".

Lotados por um público que cresceu e amadureceu com a banda, aceitando e absorvendo a sofisticação do som, que hoje conta até com instrumentos como banjo - presente na faixa "Trancoso", escrito em parceria com Arnaldo Antunes. "Não foi uma mudança pensada, proposital. As coisas foram acontecendo de forma gradual e natural. Nossas influências do psicodelismo, do Clube da Esquina, de Beatles, estão mais claras em nossa música", diz o vocalista.

Um bom exemplo desse psicodelismo está em "Cara nua", parceria com Humberto Effe (Picassos Falsos), que traz tons cariocas e setentistas à música dos mineiros. Entre os parceiros, destaque para o conterrâneo César Maurício, ex-Virna Lisi e atual Radar Tantam, na belíssima "Lugar". Nando Reis volta a freqüentar o trabalho do Skank em "Eu e a felicidade", faixa que abre o CD. E Chico Amaral aparece mais uma vez como o parceiro mais constante do quarteto.

A produção ficou novamente a cargo de Chico Neves, responsável por 11 das 15 faixas. As outras quatro ficaram nas mãos de Carlos Eduardo Miranda, que apostou no grupo desde o início, quando ainda faziam parte da cena independente de Belo Horizonte. "São pessoas que entendem e curtem nosso trabalho", diz Samuel. O disco foi todo gravado, produzido e mixado no estúdio da banda, na capital mineira, só precisando viajar para os Estados Unidos na hora da masterização.

Todo o cuidado com a produção e a crença de que é com honestidade e não com velhos modelos que se faz boa música pop talvez sejam responsáveis pelo fato de que o Skank é hoje uma das poucas - se não a única - banda de sua geração que venceu o tempo e conquistou seu lugar entre os grandes nomes do pop brazuca. "Não temos do que reclamar. Gostamos de poder viver de música e de fazer isso com dignidade", comemora o vocalista.

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