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Lembra desse? Tokyo - o berço do Supla

Lembra desse? Tokyo - o berço do Supla

Alexandre Nagado
31.01.2002
01h00
Atualizada em
21.11.2016
18h05
Atualizada em 21.11.2016 às 18h05
Quem acha que o Supla "surgiu" no programa Piores clipes do mundo (MTV) ou, mais recentemente, na famigerada Casa dos artistas (SBT), talvez não saiba que o filho da prefeita de São Paulo e do digníssimo senador do PT é um autêntico sobrevivente dos anos 80.

À frente do grupo Tokyo, ele apareceu no auge do movimento do pop-rock brasileiro, que fervia com o sucesso de Paralamas, Legião, Titãs, RPM, Kid Abelha, Ritchie, Blitz e outros. E diferente de muitos que ficaram pelo caminho (como Absyntho, Metrô, Heróis da Resistência, Hanói Hanói e etc...), Supla resistiu e sobreviveu depois do fim da banda.

O grupo Tokyo era formado por Supla (vocais), Andrés (baixo e vocais), Bidi (guitarras e vocais), Marcelo Zarvos (teclados) e Rocco (bateria, percussão e vocais). Seu som, a maioria de composições do quinteto, era um rock básico, cheio de influências new wave e esbanjando irreverência. Na época, já chamava a atenção o performático vocalista Supla, figuraça dos mais carismáticos.

O primeiro hit a emplacar nas rádios, "Humanos", foi também o primeiro disco da banda de "punks de butique", como a imprensa tratou logo de rotulá-los. Outra música famosa, "Garota de Berlim", contava com a participação da homenageada, a roqueira alemã esquisitona Nina Hagen. Em outra participação inusitada, Cauby Peixoto cantava com Supla toda a cafonice explícita e escrachada da faixa "Romântica". Mas, bobagens à parte, o disco tinha também uma grande balada, a bonita "Estações", além de "Programado" e "Intenções", todas muito legais.

Para o segundo álbum, O outro lado (1987), a formação havia mudado. O tecladista Marcelo saiu, assim como o guitarrista Bidi, sendo este substituído por Conde. Menos new wave e mais roqueiro, o segundo disco não teve o mesmo sucesso, com algum destaque para "Metralhar e não morrer".

A produção dos dois discos foi de Luiz Carlos Maluly, que também produzira o álbum de estréia do maior blockbuster daquela década, o RPM. No entanto, o segundo do Tokyo não brilhou na mídia e pouco tempo depois o grupo acabou, dando lugar à carreira-solo do Supla.

Disco após disco, ele ficou perseguindo o sucesso em várias empreitadas e andou sumido até que sua participação na Casa dos artistas ano passado o catapultou à condição de astro da mídia. Nessa onda, a grudenta "Green Hair" (Japa Girl) virou mega-sucesso, ofuscando até os hits da época do Tokyo.

Aproveitando o embalo, a Sony juntou os dois discos do Tokyo em um único CD, totalizando 19 faixas; uma homenagem mais do que merecida ao Tokyo e ao Supla, que nunca caíram nas graças da imprensa especializada em música. Em seu livro BRock - O rock brasileiro dos anos 80 (Editora 34), o jornalista Arthur DaPieve faz uma única referência ao Tokyo, classificando-o apenas como "uma piada". Podia até ser. Mas era, sem dúvida, uma piada muito divertida.

Site oficial (Supla): www.supla.com.br