Joss Stone faz show apoteótico em palco que não comporta sua grandeza

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Joss Stone faz show apoteótico em palco que não comporta sua grandeza

Apaixonada e apaixonante, cantora volta ao Brasil maior do que se presume dela

Omelete
2 min de leitura
Caio Coletti
02.06.2022, às 07H57

"Eu não sei o que alguém pode fazer depois disso. Ir para casa, talvez?", brinca uma Joss Stone exausta após colocar o Espaço Unimed abaixo com uma rendição de "Karma", do disco LP1 (2011), calcada em guitarras pesadíssimas, bateria inclemente e gritos furiosos.

Apesar da frase de Stone, ninguém iria para casa tão cedo. "Karma" foi só uma de muitas apoteoses do show da britânica em São Paulo, que muito cedo jogou a setlist pré-planejada pelos ares e passou a desfilar os hits e não hits favoritos dos fãs, em uma execução impecável após a outra.

Dois exemplos emblemáticos: "Tell Me What We're Gonna do Now", éterea e relaxante na versão de estúdio, ganhou guitarras terrenas e graves, que firmaram os pés da canção no chão sem tirar dela o romantismo; e "Teardrops" se apresentou como uma mistura curiosíssima de soul music doída e épico de pista de dança, com seu refrão aéreo contrastando com a parte final levada pelo violão e pela voz.

Foi fácil esquecer os 20 minutos de atraso para o começo do show, também, porque a cantora esbanjou simpatia. A sua alegria em cantar e conduzir um show (ela dava instruções para a banda com as mãos, no meio das músicas), sua paixão pelos sujeitos de suas letras e pelo público que as recebe, é intensa e expressada no corpo, nos gestos. Stone se dobra em direção à plateia, olha para o teto de forma sonhadora, cobre os olhos com as mãos para chamar uma nota que vem do fundo do estômago direto para o microfone.

Cheio de surpresas ("Harry's Symphony Dub", um reggae picotado tirado do disco Water for Your Soul, talvez o menos ouvido de Stone, foi a maior), o show também entregou muito do esperado - no melhor dos sentidos. "Super Duper Love" continua irresistivelmente funkeada, o cover de "It's a Man's World" ainda é um número soul rasgado e sensual, "Right to be Wrong" ainda produz uma experiência musical comunitária curiosamente incomparável.

O único porém é que Stone veio ao Brasil para cantar em um palco, e com uma turnê, que não comporta o tamanho do seu talento e da sua música. O som do Espaço Unimed falhava com a voz da britânica nos momentos mais graves, que saíam estourados nas caixas, e a estrutura limitada do show, em que Stone viaja com 4 músicos e 2 backing vocals (todos talentosíssimos, claro), não faz jus a um repertório de quase 20 anos cravejado de diamantes soul-pop.

Joss Stone é mais, merece mais, do que é dado para ela. E se, assim, ela já é um assombro... imagina o que ela seria com um show que justificasse sua apoteose artística.

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