Jacidio, who? | Os melhores discos de música eletrônica de 2018

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Jacidio, who? | Os melhores discos de música eletrônica de 2018

Qual foi a descoberta mais bacana e o melhor festival do ano

Jacídio Junior
28.12.2018
15h25

O ano chega ao fim e as famosas listas com os melhores discos, shows, artistas e tudo puder ser listado começam a pipocar como se nada mais importante estivesse acontecendo… E na verdade, não está :)

Mas antes de listar os melhores lançamentos da música eletrônica de 2018, temos outras coisas para relembrar na última coluna do ano. 

Artista descoberta do ano - Mira

Aproveitando que estamos nessa seara de falar sobre coisas boas, esse ano tive o prazer de ser impactado da melhor forma possível pela DJ alemã Mira. Com uma sonoridade que viaja entre a sobreposição de texturas simples e que progressivamente te conduzem a um outro lugar, Mira é excepcional na forma como vê e entrega suas músicas. Abaixo vai um set recente da berlinense que pude ver ao vivo e recomendo: Se puder vê-la ao vivo, faça isso. Ela integrou uma das melhores experiências musicais que tive esse ano, como parte de uma festa organizada pelo núcleo MBR de São Paulo, que a trouxe pela 1ª vez ao Brasil e valeu cada gota de suor que deixei na pista. Pra ouvir você já sabe.

Dekmantel: A melhor experiência completa para um festival

Em 2018 diversos eventos de renome vieram para o Brasil, mas o Dekmantel conseguiu melhorar o que já tinha feito de forma excelente em sua primeira edição. Com total atenção aos detalhes, cuidado com os visitantes e preços acessíveis, estar lá durante os dois dias foi algo fora da curva. 

Sem dúvida, um dos grandes momentos de 2018 para quem esteve em busca de dançar bastante, curtir a presença dos amigos e mergulhar no mais amplo espectro que a música eletrônica pode oferecer. Infelizmente a data da edição 2019 ainda não foi anunciada o que leva a crer que ficaremos órfãos, mas a esperança é a última que morre.

Os melhores álbuns de música eletrônica de 2018

Para não perder o momento, listamos aqui alguns álbuns que marcaram 2018, seja pela sonoridade, seja pela proposta, pela originalidade ou só porque me fizeram dançar pra caramba.

No geral são discos que tocaram pesado em diversas partes do mundo e também nos meus players. Vale lembrar que eles não estão em ordem de importância, todos compõem a lista de melhores e quem escolhe a ordem é você. 

Fevereiro está logo ali e a gente retorna com algumas das coisas mais bacanas do universo da música eletrônica e tudo que ela significa pra gente. Nos vemos na pista em 2019, certo? Fui!

 

Jon Hopkins - Singularity

Jon Hopkins é um criador que simplesmente desenvolveu uma linguagem musical que vai muito além de quase tudo que vem sendo desenvolvido atualmente. Seu disco mais recente, Singularity, lançado no primeiro semestre, é uma daquelas obras que estimulam todos os sentidos e te pegam em qualquer momento. A mistura de atmosferas capazes de te colocar pra dançar, sorrir e chorar, tudo ao mesmo tempo, é algo que poucos conseguem construir e ele sabe disso. Tudo compilado em nove faixas que criam uma jornada indispensável para quem gosta de música. Dá o play e me conta o que você sentiu.

Gui Boratto - Pentagram

Elogiar os trabalhos de Gui Boratto é chover no molhado. O produtor brasileiro entendeu perfeitamente sua forma de criar, suas ideias sonoras e a cada lançamento do paulistano, a mistura entre a surpresa e todas as sensações causadas por seus sons milimetricamente calculados se torna um caminho sem desvio. Boratto é peça rara, atento a tudo que o cerca e por isso entrega tantos presentes para seus fãs ao redor do mundo. Pentagram é alento aos ouvidos, pode colocar pra tocar sem medo.

Bob Moses - Battle Lines

O terceiro disco do duo canadense chegou de mansinho, mostrando sonoridades mais maduras e apostando em uma pegada menos acelerada, com uma mistura instigante entre elementos eletrônicos e orgânicos. Faixas como “Heaven Only Knows”, “Back Down”, “Enough to Believe” e “Listen to Me” trabalham todos esses elementos de forma única, e deixam em evidência o cuidado na concepção sonora que agora ganhou a possibilidade de ser apresentada por uma banda, o que garante nuances ainda mais interessantes para toda a obra criada por Jimmy Vallance e Tom Howie. Para ouvir o disco é só clicar aqui.

San Holo - album1

O primeiro álbum de San Holo é uma daquelas surpresas que botam o queixo no chão. A mistura entre composições eletrônicas e riffs de guitarra criam um lugar que quase nenhum produtor foi capaz de chegar até agora, é o tempero ideal para conduzir mentes e corações para uma reflexão sobre os pontos que música pode nos levar. O disco é repleto de momentos introspectivos que, de alguma forma, podem ser encaixados na pista de dança, mas que - em primeiro lugar - trabalham e apresentam muito mais da essência do criador do que a busca por se encaixar em uma tendência sonora ou algo para vender. Trabalho que dá orgulho de ouvir, dançar e sentir. Ouça o disco na íntegra aqui.

Adriatique - Nude

Talvez esse tenha sido um dos álbuns que, como parte do universo da música eletrônica, mais gerou expectativa nos últimos anos. O duo suíço é conhecido pela entrega de faixas sempre muito bem produzidas, capazes de criar histórias sonoras que conduzem desde a audiência de um pequeno clube até a massa de um festival de forma uniforme e sem surpresas. E, no fim das contas, todo o hype em torno do disco não desaponta. Nude é um projeto que te pega desde o primeiro momento e te leva para dentro de um universo sonoro já conhecido por quem segue o Adriatique, mas que se aprofunda à medida que cada faixa vai sendo desvendada. A abertura com “Dawning” dá o sinal de que as coisas serão soturnas, pesadas, mas sempre dançantes. “Awakening Machines” te joga em um turbilhão sonoro do qual parece que nunca mais seremos capazes de sair. Para ouvir o disco na íntegra é só clicar aqui.

Lane 8 - Little by Little

Lane 8 é um daqueles produtores raros. Little by Little deixa isso em evidência graças a apostas musicais suaves e que se constroem de forma delicada a cada nota. O disco todo funciona como se alguém sussurrasse algo lindo ao pé do ouvido por tanto tempo que a gente deixa até mesmo de ser capaz de entender e controlar o que estamos ouvindo e os arrepios que isso causa. O norte-americano aposta no desenvolvimento de atmosferas que surgem lentamente e abraçam os ouvidos, como se não houvesse mais nada para ser sentido durante todo o período. Faixas como a incrível “No Captain”, “Atlas”, “Little by Little”, mostram toda a tranquilidade do produtor no momento de trabalhar suas criações com vocais que funcionam como complemento para cada nota. Experiência sonora para impactar a alma. Para ouvir o disco é só clicar aqui.

Andrew Bayer - In My Last Life

Bayer é reconhecido há um bom tempo como um criador de jornadas. Desde o início de sua carreira, ainda como produtor de trance, o norte-americano aposta em elementos que quase sempre precisam ser desconstruídos na pista de dança, mas que nos conduzem por lugares que só ele consegue imaginar. Com In My Last Life, Bayer dá um passo ainda mais impressionante ao misturar a sonoridade de vozes e elementos orquestrais à sua ampla gama de criação sonora. O disco marca 2018 justamente por forçar o ouvinte a escutar o álbum ativamente, já que algo novo surge a cada nova audição. Sem dúvida, uma obra rara. Para ouvir o disco na íntegra clique aqui.

L_cio - Poema

L_cio (Laércio) é um daqueles produtores que não decepcionam. Encontrá-lo na pista é certeza de um set que vai surpreender, com escolhas originais e sonoridades que só ele vai reproduzir. Em Poema, seu primeiro disco pela DOC Records, o produtor mostra um pouco de todos os temperos que fazem de sua música algo tão peculiar e especial. E o melhor, o álbum consegue - em momentos muito especiais - recriar algumas sensações e arrepios da pista de dança. Ouça tranquilo, não tenha pressa para absorver a sonoridade que L_cio apresenta. Dê o play aqui.

Rhye - Blood Remixed

Às vezes parece que discos de remixes não podem fazer parte de listas de melhores do ano, né? Bem, ao menos no caso do grupo Rhye, esse disco precisa estar entre os melhores do ano. A banda tem em sua discografia algumas faixas excepcionais e parece que, enfim, encontrou um bom time de produtores para dar um embalo um pouco mais eletrônico para criações cheias de sentimentos que compõem sua trajetória. O álbum tem pouco mais de uma hora de duração e apresenta releituras impressionantes de faixas que já são excelentes. Recomendo a busca pelos álbuns anteriores, pérolas que precisam ser apreciadas. Pra ouvir é só clicar aqui.