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Elekfantz | Performances poderosas e mistura musical equilibrada

Dupla brasileira foi um dos destaques do palco eletrônico no Lollapalooza Brasil 2019

Jacídio Junior
15.04.2019
15h35

Elekfantz, o duo formado pelos catarinenses Daniel Kuhnen e Leo Piovezani é um daqueles bons casos da música eletrônica criada com originalidade e que chama a atenção logo à primeira vista. Sempre entregando uma sonoridade marcante em conjunto com apresentações ao vivo sempre empolgantes, o projeto está na estrada desde 2013 e tem entre seus principais trunfos a mistura entre o peso do techno e a leveza de faixas que apostam em elementos do pop de maneira original e única.

Os músicos conversaram recentemente com o Omelete, pouco depois da apresentação na edição do Lollapalooza Brasil 2019, e comentaram sobre o novo disco, os remixes para a pista, as parcerias com Vintage Culture e as expectativas para o próximo ciclo que deve trazer ainda mais novidades para o trabalho realizado pelos brasileiros. Você pode ler tudo abaixo.

Logo no início da conversa, junto com as histórias sobre a carreira e as considerações sobre novos elementos sonoros na música da dupla, o nome de Vintage Culture surge de forma muito espontânea. Isso acontece pois, de alguma forma, a carreira dos catarinenses e do DJ do Mato Grosso do Sul têm se cruzado de forma constante, algo destacado por Daniel Kuhnen: “Desde o começo dos trabalhos do Elekfantz sempre tivemos um grande carinho pelo Vintage”, e ele segue, “Ele fez um remix, eu lembro, de “Wish”, nossa primeira música, depois “Diggin on You”, um remix não oficial de “She Knows”, que acabou explodindo. Mais recentemente, ele também foi responsável pelo remix oficial da “Blush””.

A admiração mútua entre os músicos, gerou uma situação inusitada para Kuhnen e Piovezani, que mesmo depois de terem contado com o remix oficial de Vintage Culture para “Blush”, uma das faixas mais recentes do Elekfantz, receberam uma ligação surpresa após a divulgação de “Work it Out”, o single que estão trabalhando atualmente:

“No dia seguinte ao lançamento de “Work it Out”, ele [Vintage] ligou pro Leo e pediu as partes da música. O Léo mandou, à noite, e cinco da manhã já tínhamos o remix quase pronto. Aí a gente ouviu, pirou, e teve que lançar oficialmente”.

Ainda sobre essa aproximação de longa data com o produtor sul-mato-grossense, Leo comenta que a ideia, em um futuro não muito distante, é fazer o processo contrário do que acontece sempre.

“Não agora, porque estamos no meio da divulgação do disco novo. Mas a ideia é que ele envie uma música pra gente, não precisa ser pra pista, e aí nós entramos com a nossa colaboração sonora”.

Não dá para negar que essa relação constante com Vintage Culture deixa em evidência como é natural para o duo trabalhar conceitos mais amplos dentro das faixas que criam. Afinal de contas, não é de hoje que é possível perceber a inserção de elementos pop nas faixas do Elekfantz, algo que deve vir com mais força no novo disco.

Sobre isso, Kuhnen comenta que o primeiro disco do duo era constituído por duas propostas: Dark Tales e Love Songs. Dark Tales, é um lado mais sombrio, mais techno, um lado mais instrumental. Love Songs, tem “She Knows”, “Diggin' On You”, “Cryptographic Love”... Para o nosso segundo disco, naturalmente, as composições do lado love songs falaram mais alto. Então, todas essas novas músicas têm esse formato canção. O show continua com o formato pista, com a raiz no techno. Um show para tocar no clube, num festival, mas na composição a gente conversou muito sobre isso. E até o Gui [Boratto], que produziu o disco com a gente, falou: ‘Vamos fazer um disco de canções’. Esse projeto que sai em junho, não é um disco feito pra pista, ele tem versões pra pista, tem remixes pra pista, a gente produz versões especiais pro show, mas a gente não se ateve à pista para criá-lo”.

Com esses quesitos em evidência, vale a pena comentar sobre a forma como a dupla comanda as pistas nas quais toca, sempre transitando entre sons mais pesados e canções com elementos pop, mas tudo sem perder a atenção de quem está ali, por nenhum momento. Sobre esse detalhe, Leo comenta que na história do Elekfantz, essa mistura de nuances sempre aconteceu, com shows mais voltados para o techno - como os que eles realizaram em festivais como o DGTL ou no Watergate, em Berlim, por exemplo - com a parte eletrônica mais conceitual, até um show que é o extremo oposto, “como a apresentação realizada em em Florianópolis, com orquestra. São os dois lados do projeto que conversam e são potencializados ao vivo”, comenta.

Daniel segue explicando que o fator de entregar performances ao vivo ainda mais potentes é algo que está diretamente ligado à história musical da dupla:

“A gente cresceu ouvindo bandas de rock dos anos 70/80, somos amigos há muito tempo, desde os tempos da escola de música, Leo na bateria, eu no baixo. Eu era e ainda sou muito fã de Led Zeppelin e bandas dos anos 70 que os discos eram incríveis, mas os shows eram ainda mais. Você vê uma apresentação desses caras e eles são monstruosos. Muitas bandas dessa época eram muito melhores ao vivo do que em estúdio, até por causa dos recursos de gravação. Já hoje, a maioria dos artistas é muito melhor em estúdio do que ao vivo, e a gente não quer que seja dessa forma. Queremos que a gravação seja incrível, mas que o show seja essa porrada. Estamos trabalhando sempre para isso e não vamos sossegar”.

Sobre a apresentação no Lolla, em um line-up que mistura diversas vertentes da música eletrônica, e conversar com um público diferente do usual, a dupla destaca que a experiência de 2019 foi bem diferente da vivida por eles há cinco anos:

“Quando a gente tocou em 2014, o Lolla não era o que é hoje. O Lolla já era conhecido lá fora, mas não tinha o impacto que tem hoje, e pra gente é o que bate, a relevância musical de fazer parte de um festival como esse”, destaca Leo.

Daniel segue complementando, “Na nossa primeira apresentação no Lolla, o Elekfantz tinha menos de um ano de vida, tínhamos lançado algumas músicas, só. Fizemos poucos shows no Brasil, seguimos para uma turnê nos Estados Unidos e no Canadá, em março, e em abril tocamos no Lolla. A gente nem tinha lançado o primeiro disco. Nós éramos aquele grupo que ninguém conhecia, porque tínhamos acabado de começar”.

Agora, trabalhando o lançamento do próximo disco e esquentando os motores com algumas das faixas que irão fazer parte do novo projeto, quais são os planos do Elekfantz? “No momento nós estamos focados no lançamento do disco novo e do show novo. Estamos nessa fase pré-disco e pré-show. O álbum com nove faixas sai em junho e esse é o nosso objetivo em curto prazo”.

O próximo single de trabalho do Elekfantz será “When We Were Young”. O lançamento acontece no próximo dia 17 de abril, com exclusividade no Omelete, e no dia 19 segue para todas as plataformas.