Música

Entrevista

Benjamim Sallum | O DJ prodígio da cena paulistana

Com apenas 17 anos, Benja foi selecionado para o Red Bull Music Academy, um dos principais eventos para criadores no planeta

Jacídio Junior
26.09.2018
13h50

Histórias de artistas que descobrem seus caminhos ainda na adolescência (ou até antes disso) nunca foram incomuns. O DJ e produtor paulistano Benjamim Sallum faz parte dessa estatística com uma carreira iniciada aos 14 anos. O jovem que recentemente atingiu a maioridade, começou se apresentando para amigos e rapidamente foi catapultado para a cena eletrônica de rua de São Paulo, integrando o line-up de festas como Mamba Negra e Capslock, apostando no Techno e suas vertentes.

Ariana Miliorini/Divulgação

Agora, Benja - como é conhecido - pode ostentar mais uma conquista interessante em sua trajetória, já que o jovem foi um dos nomes selecionados para participar do Red Bull Music Academy (RBMA), encontro realizado bianualmente e que em 2018 comemora 20 anos.

O evento acontece em Berlim e se destaca não só por reunir artistas de sonoridades diversas e de várias partes do mundo, mas também por disponibilizar workshops, palestras, aulas e sessions com uma infinidade de nomes ligados à música. Com isso em evidência, vale destacar que o RBMA costuma ter sempre em suas turmas nomes que se destacam na cena musical a qual pertencem, para ficar só no segmento eletrônico,  já passaram por lá artistas como Black Coffee, Eli Iwasa, Nina Kraviz, Pedro Zopelar, Flying Lotus entre muitos outros.

Para esta edição - que está rolando desde o início de setembro e vai até o próximo dia 12 de outubro - foram selecionados 61 músicos de 37 países diferentes, com Sallum representando o Brasil.

Benja, atualmente, além de produzir e discotecar, também se apresenta no formato live, misturando Techno, House e Electro, é um dos DJs residentes da Mamba Negra e também administra seu próprio selo, o Oxi, lançado em 2017.

Com todas essas possibilidades à sua frente, o paulistano, antes de embarcar para a Alemanha, bateu um papo exclusivo com o Omelete e contou um pouco de sua trajetória e expectativas ao integrar um dos eventos mais interessantes e musicalmente instigantes do planeta. Você pode conferir tudo nas linhas abaixo.

Antes de mais nada, iniciar uma conversa com Benja sem entender como sua carreira começou, seria algo inaceitável. No entanto, ele conta que não tem uma ideia concreta de quando seu encontro com a música eletrônica aconteceu.

“Minha mãe sempre frequentou, ouviu e trabalhou nesse meio - da música eletrônica -, acabei sendo introduzido de forma quase que espontânea”.

Porém, mesmo estando na cena desde muito novo, Benja comenta que o interesse pela e-music demorou um pouco. “[...] não foi uma coisa que eu adotei de cara, demorou um tempo até eu perder um certo preconceito que caminhava comigo (pelo fato de eu ser uma criança e assemelhar essa cultura a minha mãe, coisas de adulto). Foi só em 2013 que comecei a olhar diferente para esse meio. A partir dessa época eu conheci a Laura, a Cashu e o Piero, a MAMBA NEGRA, a CAPSLOCK e muitas outras festas e pessoas que fizeram parte da minha formação. (Como clubber e pessoa)”.

Agora, depois dessa fase prolífica tocando e criando em São Paulo, o DJ comenta que participar do RBMA será uma forma de ampliar seu pensamento, não só na área musical. “Uma das coisas que mais me anima em ter sido selecionado para o RBMA é o fato de ter contato com músicos, artistas e produtores do mundo inteiro. Acredito que isso vá transformar, influenciar e - de certa forma - reestruturar meu pensamento de muitas maneiras, não só como DJ/produtor, mas também como pessoa”.

Sobre integrar um evento que já teve em suas cadeiras nomes importantes de segmentos diversos da música, Benja comenta não acreditar que irá fazer parte de um grupo seleto, “[...] pelo contrário, o RBMA foca justamente em pessoas, independe das gigs ou da fama delas, que estão desenvolvendo seu trabalho musical/sonoro”.

Idade, início e próximos passos

Com todas essas possibilidades à sua frente, Benja também relembra seu início não tão distante, e frisa que não sabe ao certo se a idade dele influenciava na forma como as pessoas ouviam e aceitavam sua música. Porém, ele faz questão de ressaltar que o auxílio de nomes criativos e importantes da cena paulistana foi essencial para o seu desenvolvimento.

“Eu lembro que na época em que comecei a experimentar/brincar com música eletrônica, samples, teve um amigo que me ajudou muito, o Laércio (L_cio). A aceitação desse DJ/produtor específico foi mais que especial. Ele me introduziu à produção, à música e ao caldinho de sururu. Coisas que hoje eu não seria nada sem”, complementa.

Mas com todas essas coisas acontecendo por perto, tanta gente, tantos estímulos novos, como Benja acredita que isso influenciou na sua forma de ver/consumir e criar música?

Sobre isso ele é categórico. Benja fala algo que parece óbvio, mas que pode escapar à vista de quem vem de gerações anteriores: “Eu nasci nos anos 2000, sempre tive contato com internet, videogames e outras mídias em geral. Acho que isso influencia muito no meu trabalho. Tecnologia foi algo que nunca vivi sem”.

Assim podemos supor que a efervescência da cena foi só mais um fator para estimular sua forma de criar.

Fechando a conversa, para arrematar o tópico, como Benja se sente artisticamente levando em conta que ele ingressou em um segmento artístico cheio de informações, que ganha novas possibilidades diariamente e tudo isso em uma fase da vida que a gente costuma ter mais dúvidas do que certezas?

“Pois é, eu não sou uma pessoa decidida. Pelo contrário, quase todo dia tento mudar minha forma de pensar em música, tracks, sets.  Mas eu escolhi traçar esse caminho. Acho que foi algo que casualmente veio comigo também, desde que me conheço por gente vivo nesse mundo”, pondera.

Benja é uma das atrações confirmadas para a edição brasileira do Red Bull Music Festival que acontece no final de novembro. E dá pra conhecer um pouco mais do som criado pelo prodígio aqui.