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Vingadores: Ultimato | Entenda o arco de Thor

Comentamos a jornada do Deus do Trovão no MCU

Natália Bridi
30.04.2019
20h53
Atualizada em
30.04.2019
21h04
Atualizada em 30.04.2019 às 21h04

Das jornadas dos heróis no Universo Cinematográfico da Marvel, a de Thor talvez seja a mais controversa. O Deus do Trovão começou seguindo a linha clássica do personagem, com o diretor Kenneth Branagh tendo sido escolhido para dar o ar shakespeariano que acompanha o personagem nos quadrinhos. Enquanto o filme de 2011 tem seus méritos, principalmente pela escolha do seu elenco, outros elementos foram logo descartados, das sobrancelhas descoloridas de Chris Hemsworth ao tom severo que o personagem obrigatoriamente deveria ter.

Hemsworth começou a encontrar seu espaço já no texto de Joss Whedon em Vingadores e, apesar das constantes críticas a Mundo Sombrio, suas interações com Tom Hiddleston são responsáveis pelos melhores momento do filme. Ainda assim, o personagem permanecia perdido no MCU, sem conquistar de fato seu lugar ao lado de Homem de Ferro e Capitão América. Vingadores: Era de Ultron é o ápice dessa crise de personalidade, com o Deus do Trovão sendo jogado de lá para cá em missões sem muito sentido prático - como uma visita a uma caverna mágica - e servindo no fim das contas apenas como o ingrediente que faltava para o nascimento de Visão.

A virada veio com Ragnarok, que aproveitou o talento cômico revelado de Hemsworth (visto ao longo dos anos em filmes como Férias Frustradas e Caça-Fantasmas) e ainda mostrou o potencial dos poderes do herói de forma nunca vista antes. Sim, a comédia é o foco do texto de Taika Waititi, que fez questão de transformar em uma piada de duas linhas todo o arco de Thor em Era de Ultron. O filme, porém, mostra é essencial para o passo seguinte do herói. Em Guerra Infinita ele está devastado pela perda de parte do seu povo e de toda a sua família, mas também chega mais poderoso do que nunca. Era difícil encontrar uma sessão do longa que não despertasse reações na hora da sua chegada em Wakanda. Ainda assim, ele fracassou.

O estado emocional e físico do personagem em Vingadores: Ultimato, cinco anos depois do estalar de dedos de Thanos, é interpretado à primeira vista como alívio cômico, mas é, na verdade, o momento mais coerente de toda a sua jornada. Ao contrário do irmão Loki, o intelecto e articulação nunca foram os fortes de Thor. Pela força-bruta ele definia suas ações e quando isso não foi o suficiente para derrotar Thanos, quando um erro seu permitiu que 50% de toda a vida no universo fosse exterminada, Thor perde a si mesmo. Sem a capacidade de articular a própria depressão, ele lida com seus problemas da forma mais viking possível - o que o torna, dentro do contexto do filme, um jogador de Fortnite beberrão.

A sua aparência física é reflexo de quem se livrou das expectativas em torno de um rei. Mesmo com toda a bagagem emocional das suas perdas e fracassos, e longe de ser o herói de antes, o Thor descamisado da cabana em Nova Argard é, de certa forma, livre. Quando conversa com Frigga na sua volta ao passado, ele compreende isso melhor e se livra de vez das antigas amarras. Na batalha final, ele não volta à velha forma física em um passe de mágica porque não precisa. Ele é digno do jeito que é.

Se seu futuro será ao lado dos Guardiões da Galáxia ou simplesmente como um viking espacial solitário, Thor surpreendente tem um dos arcos mais ricos do MCU. No seu caminho fica apenas a velha necessidade de enquadrar as narrativas como drama ou comédia quando a vida, mesmo a dos deuses nórdicos, é muito mais complicada que isso.

No OmeleTV acima falamos mais sobre a jornada de Thor no MCU.