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Créditos da imagem: Marvel Comics/Divulgação

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Quarteto Fantástico | Os desafios de Jon Watts no comando do filme

Cineasta assinou a direção dos últimos dois longas do Homem-Aranha

Nicolaos Garófalo
11.12.2020
21h27

Depois de muitos anos – e três filmes muito criticados -, o Quarteto Fantástico enfim está com as malas prontas para chegar ao MCU. Em meio a uma avalanche de anúncios, Kevin Feige revelou que o primeiro longa da Primeira Família dentro da franquia já está em pré-produção, com Jon Watts, responsável pelos dois últimos filmes do Homem-Aranha, na direção.

Mesmo que a chegada do Quarteto, que foi readquirido pela Marvel quando a Disney comprou o 20th Century Studios, seja muito esperada pelos fãs, a escalação de Watts causou alguma surpresa. Afinal, apesar dos números positivos trazidos por Homem-Aranha: De Volta ao Lar e Homem-Aranha: Longe de Casa, não faltaram reclamações sobre a caracterização do Peter Parker de Tom Holland ou o fato do Teioso ir para Washington, Veneza, Londres ao invés de ser o Amigão da Vizinhança. Mas, se o cineasta seguir abraçado a suas influências, talvez a Reed, Sue, Ben e Johnny estejam em melhores mãos do que se imagina.

Embora tenha sido muito criticado nos últimos anos por sua tentativa de “emular” John Hughes, criador de clássicos como Curtindo a Vida Adoidado e Clube dos Cinco, Watts pode usar a atmosfera de comédia familiar que tanto buscou encaixar em seus últimos trabalhos para recriar as relações que há anos existem no Edifício Baxter. Um dos principais pilares da equipe criada por Stan Lee e Jack Kirby é justamente a dinâmica e a proximidade entre seus quatro protagonistas e, eventualmente, seus parceiros e filhos.

Baseando-se nos trabalhos recentes de Watts, é difícil imaginar que ele peque justamente na formação destes laços. Apesar de todas as críticas feitas aos seus Homem-Aranha, é inegável que um dos pontos mais fortes dos dois últimos longas é justamente a relação e a parceria entre Peter e May (Marisa Tomei). Se aprofundar nessa fórmula não só ajudaria Quarteto Fantástico a se aproximar de suas origens nas HQs, mas também permitiria que Watts levasse uma de suas maiores qualidades, a criação dessas relações, para uma história em que ela se encaixasse melhor.

O cuidado a ser tomado pelo diretor, no entanto, é se lembrar do segundo pilar que sustenta o título. Em seu cerne, Quarteto Fantástico é um gibi de ficção científica. A exploração espacial, a curiosidade pelo novo e a criatividade são tão inseparáveis da HQ quanto os quatro protagonistas são uns dos outros. Já com histórico negativo de tirar o Homem-Aranha de Manhattan, Watts não pode arriscar se afastar destes elementos básicos, erro que já foi cometido nos filmes da equipe nos anos 2000.

Mais uma vez lidando com uma das propriedades mais valiosas da Casa das Ideias, Watts tem pelo menos a chance de olhar para as produções lançadas pela Fox e prever que caminhos não deve tomar. Sejam os longas de Tim Story ou a produção problemática de Josh Trank, exemplos não faltam de como não fazer um filme do Quarteto Fantástico.

Economicamente, o retorno do diretor para um quarto filme no MCU é mais do que compreensível. Agora, criativamente, Watts precisa provar, de uma vez por todas, que sua paixão e compreensão pelos quadrinhos e personagens da Marvel é maior do que sua vontade de repetir o que outros diretores já apresentaram tão bem no passado.

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