Iman Vellani em Ms Marvel

Créditos da imagem: Ms. Marvel/Marvel Studios/Reprodução

Séries e TV

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Mais que descobrir os vilões, Ms. Marvel é posta para escolher entre amor e medo

Em “Destinada”, série dá mais um passo para centralizar a história de origem da heroína ao redor dos conflitos entre mães e filhas

Omelete
5 min de leitura
Mariana Canhisares
22.06.2022, às 11H36
ATUALIZADA EM 22.06.2022, ÀS 11H52
ATUALIZADA EM 22.06.2022, ÀS 11H52

Todo homem tem uma escolha: viver pautado pelo amor ou pelo medo. O ensinamento de Yusuf Khan (Mohan Kapur) vem minutos antes de Aamir (Saagar Shaikh) se casar com Tyesha (Travina Springer), uma espécie de prep talk para apaziguar o receio do filho sobre o futuro. No entanto, suas palavras caem como uma luva também para Kamala (Iman Vellani). Depois de ser perseguida pelos drones do Departamento de Danos, a adolescente se vê diante de outro dilema moral com a descoberta de que Kamran (Rish Shah), a mãe dele Najma (Nimra Bucha) e outras tantas pessoas são, na verdade, Clandestinos, seres vindos de outra dimensão que buscam uma maneira de voltar para casa. Pela primeira vez, Kamala dá um passo para trás em uma tentativa responsável de encontrar uma solução que não ponha em risco a vida de mais ninguém. Mas, como resultado, coloca mais um alvo nas suas costas e nas das pessoas que ama. Afinal, que caminho seguir: o do amor ou o do medo?

Se em tick, tick...BOOM! o dilema apresentado em palavras tão doces pelo patriarca dos Khan vem acompanhado de riso, aqui ele é capaz de encher os olhos do espectador. Isso porque “Destemida”, episódio que marca a metade da temporada de Ms. Marvel, centraliza de uma vez por todas a história de origem da sua heroína nas suas relações familiares, e faz isso com uma sensibilidade muito particular. Há a beleza da cerimônia, com direito ao próprio número de dança à la Bollywood, mas há também uma verdade muito palpável quando se fala sobre a força dos laços familiares contra o preconceito alheio. Por isso, é forte quando Muneeba (Zenobia Shroff) diz para a filha que ela não precisa lidar com seus problemas sozinha: ela está oferecendo a mão que ela não recebeu quando chegou aos Estados Unidos. Da mesma forma, quando Nakia (Yasmeen Fletcher) impede a entrada da agente Deever (Alysia Reiner) na mesquita, ela está impondo um limite que historicamente é desrespeitado, tudo em nome de proteger os seus.

Ainda que em menor grau, essa delicadeza também se aplica quando o assunto é de onde vem o ímpeto da agora desmascarada vilã Najma. Como Bruno (Matt Lintz) descobre nas suas pesquisas, os Clandestinos — também chamados de Djinn, e esta é a primeira pista de que suas intenções podem ser menos benevolentes — foram exilados da dimensão Noor e, juntos, tentam encontrar a chave para deixar esse mundo para trás. Eles estão entre os humanos há 100 anos — embora o episódio mostre apenas Najma ao lado da bisavó de Kamala, Aisha, em 1942 — e talvez por isso mesmo não apenas vivam como uma família, como também estejam dispostos a qualquer coisa para recuperar seu lar.

Espertamente, os roteiristas aproveitaram esse espírito de tudo ou nada para colocar Kamran também para escolher entre o amor e o medo. Logo, mais do que atestar o caráter do galã e acirrar sua disputa adorável com Bruno (ou seria Brian?) pelo coração de Kamala, sua decisão de dar as costas para sua mãe adiciona mais uma camada ao episódio.

(Vale dizer que esse nível de coesão e preciosismo conceitual não são uma constante entre as séries do MCU. Em todas há boas intenções, mas poucas foram tão bem-sucedidas quanto Ms. Marvel. Isso lança os espectadores com uma boa dose de otimismo para a reta final da série. Afinal, há grandes chances, sim, de ela integrar o hall de melhores produções desde o início da fase 4. Na TV, então, nem se fala).

Kamala não tem o mesmo instinto de Kamran e, ao esconder o motivo para ter acionado o alarme de incêndio e interrompido o casamento, ela opta pelo medo. Por sorte, sua avó Sana (Samina Ahmed), tão ausente e envolta em mistérios, surge a chamando para visitá-la em Karachi com Muneeba. O convite não é por saudades, muito menos por acaso. Nos minutos finais do episódio, quando estava prestes a capturar a adolescente, Najma não apenas lhe contou que Aisha a traiu — ou seja, está aí seu motivo para rivalizar com a protagonista —, como a expôs à visão de um trem vindo em sua direção, identificado justamente pelo nome da cidade paquistanesa. Ou seja, Kamala está longe de saber toda a verdade sobre sua origem e seus poderes. Mas, ao se sentar com Muneeba e Sana para discutir a complicada relação entre mães e filhas que se estende há gerações na família, talvez Kamala faça mais do que entender sua ancestralidade. Talvez esteja aí a chave para que fique mais claro porque vale a pena se pautar pelo amor.

CONEXÃO COM MCU

Se até aqui Ms. Marvel fez conexões sutis com produções do MCU, usando-as mais como easter eggs e piadas do que propriamente dando sequência aos eventos anteriores, “Destinada” dá um passo além. Não me refiro à menção a Eric Selvig (Stellan Skarsgård) como uma fonte de informação sobre viagens interdimensionais. Ele tem, sim, seu papel, afinal seus estudos põem uma pausa nos planos impulsivos de Kamala. No entanto, a grande referência está mesmo na cena de abertura, enquanto Aisha e Najma procuram pelos braceletes em um templo destruído. No chão, entre os destroços, nota-se o símbolo dos Dez Anéis, os artefatos que deram nome à primeira aventura de Shang-Chi (Simu Liu) no universo compartilhado.

Ms. Marvel/Marvel Studios/Reprodução

Essa menção não será à toa, até porque na última vez que vimos Shang-Chi falando sobre os Dez Anéis, ele estava acompanhado de ninguém menos que a própria Capitã Marvel (Brie Larson). Está aí a razão para que as heroínas se encontrem no aguardado The Marvels? Só os próximos episódios da série dirão.

Ms. Marvel é exibida às quartas, no Disney+.

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