Iman Vellani em Ms Marvel

Créditos da imagem: Ms. Marvel/Marvel Studios/Reprodução

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Ms. Marvel investiga sua origem e novos poderes em ótimo 2º episódio

Mantendo a toada da estreia, “O Crush” é tão carismático quanto sua protagonista

Omelete
5 min de leitura
Mariana Canhisares
15.06.2022, às 11H07
ATUALIZADA EM 15.06.2022, ÀS 11H20
ATUALIZADA EM 15.06.2022, ÀS 11H20

Não dá para falar em Kamala Khan sem considerar os conflitos culturais que vêm do fato de ela ser parte da chamada segunda geração de imigrantes. Tão importante quanto sua admiração pela Capitã Marvel, que a leva a sonhar em ser uma heroína, está na dualidade de nascer e crescer nos Estados Unidos, enquanto mantém hábitos e costumes típicos do Paquistão, um dos seus grandes apelos enquanto personagem. Trata-se da materialização particular do seu dilema de pertencimento, assim como a fonte da riqueza do seu universo.

O episódio de estreia de Ms. Marvel não foi tímido na ênfase da relevância da sua família na sua história de origem. Mas, apesar de contra intuitivo dado seu título, é “O Crush” que conduz a carismática protagonista de Iman Vellani em uma investigação mais profunda sobre sua ancestralidade e, claro, seus novos poderes. 

Passado o incidente na VingaCon, Kamala nem parece a adolescente tímida que mal conseguiu encarar Zoe (Laurel Marsden) nos olhos quando trombou com a antiga amiga nos corredores da escola. Agora, ela anda com a confiança de quem sabe (ou acha) que nada, nem ninguém pode pará-la. É verdade que há um incômodo nas atenções estarem voltadas para a garota popular, enquanto ela, a heroína, não recebe crédito por salvar o dia. Mas nem a falta do boom de seguidores é capaz de frear sua empolgação com a exploração das suas recém-adquiridas habilidades. Até porque tudo é motivo para que ela se veja como um dos Vingadores. A descoberta de que seu bracelete não lhe dá poderes, mas sim os desperta é o suficiente para que ela pergunte a Bruno (Matt Lintz) se isso significa que é uma asgardiana. Já sua carinha de jovem é, para ela, um indício de que, como Scott Lang (Paul Rudd), poderia se comunicar com formigas — mas que fique claro: não, ela não pode.

Como Peter Parker (Tom Holland) em Homem-Aranha: De Volta ao Lar, Kamala ainda não compreendeu que com grandes poderes vêm grandes responsabilidades, e ignora que ela mesma causou a confusão da qual resgatou Zoe. Ela é, portanto, pega de surpresa quando agentes do FBI a perseguem com drones depois de uma tentativa torta de salvar um garoto que se arriscou em nome de uma selfie. Contudo, ela é investigada desde o segundo em que seu vídeo na VingaCon foi parar nas redes sociais. Ninguém sabe seu nome, nem de onde veio, mas sua força indica perigo para o ardiloso agente Cleary (Arian Moayed), o mesmo que dificultou a vida de Peter em Sem Volta Para Casa, e a equipe dele vai atrás da jovem.

Mas, até que o medo tome conta da protagonista, ela se diverte, intercalando seus treinamentos com Bruno — bem cautelosos, diferente dos conduzidos por Freddy (Jack Dylan Grazer) em Shazam! — com conversas profundas e idas à mesquita com a amiga Nakia (Yasmeen Fletcher). Mais do que a própria revelação do tal crush que dá nome ao episódio, o coração da história dessa semana vem mesmo dessa troca genuína entre as adolescentes que, cada uma à sua maneira, conciliam as duas culturas das quais fazem parte.

O incentivo para que Nakia tente uma vaga no conselho da mesquita e a própria manifestação de Kamala sobre a distância que existe entre mulheres e homens durante o sermão são somente dois exemplos de como o episódio ilustra com cuidado e carinho o embate entre tradição e novidade. Mas, convenhamos: nada supera o diálogo tocante que as duas têm no banheiro sobre suas dificuldades em pertencer. Isso porque, embora seja tão específico à experiência das amigas, ele não exclui a identificação de quem quer que esteja diante da TV. Em última instância, a conversa trata também de um sentimento familiar para toda e qualquer pessoa, adolescente ou não.

(Aliás, aqui vale um parêntesis: essas cenas tomam a tela com um ar tão corriqueiro que demora para o espectador perceber como essa condução é incomum. Afinal, o ambiente da mesquita e a religião muçulmana ainda estão muito distantes do mainstream. Ms. Marvel fazer esse retrato com tanta doçura já é, de longe, um marco dentro da história recente do MCU. É praticamente um serviço, que não apenas sinaliza a importância da representatividade, como de certo modo educa o público).

O TAL DO CRUSH

A introdução de Kamran (Rish Shah) opera também nessa chave. Além de atrair os olhares das garotas, o aluno novo compartilha gostos muito parecidos (e menos óbvios) com Kamala. Ou seja, esqueça os Vingadores! Esses dois discutem com minúcia os melhores diretores de Bollywood, o que imediatamente exclui Bruno e, claro, dá o pontapé para o clássico triângulo amoroso das produções teen.

No entanto, há mais em Kamran do que charme. Como o final do episódio deixa claro, sua aproximação se dá por causa da sua mãe, alguém que Kamala tinha visto apenas em visões um tanto quanto assustadoras. Não está claro o motivo do seu interesse na heroína novata, mas tudo indica que tenha alguma relação com Aisha, a bisavó da protagonista. Afinal, paralelamente à toda a diversão, “O Crush” bate muito na tecla de como a misteriosa veterana é uma pessoa non grata na família Khan, e o bracelete que lançou Kamala nessa jornada com certeza tem algo a ver com isso.

Não há dúvidas de que algumas respostas virão no próximo episódio, já que Kamran e sua mãe são quem salvam Kamala da perseguição do FBI. Está aí uma viagem de carro que será interessante de se acompanhar. Até porque, se a série continuar nessa toada, vai ser difícil de tirar os olhos dela.

Ms. Marvel é exibida às quartas, no Disney+.

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