Foto de Lollapalooza Brasil

Créditos da imagem: Lollapalooza Brasil/Camila Cara/Divulgação

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Lollapalooza | “Não compactuamos com fascismo e o governo no poder”, diz Aláfia

Banda brasileira foi uma das poucas a fazer discurso político tão escancarado nestes três dias de festival

Mariana Canhisares
07.04.2019
14h18
Atualizada em
08.04.2019
15h54
Atualizada em 08.04.2019 às 15h54

São poucas as bandas que conseguem criar um ambiente completamente à parte do Lollapalooza, fazendo o público esquecer que está em um festival, sobretudo com tamanha originalidade como o Aláfia. Abrindo o último dia no palco Budweiser, os brasileiros encantaram pela força das letras, da melodia e do estilo, sem se abster dos comentários críticos ao governo e à situação social do Brasil.

“Não compactuamos com o fascismo e o governo no poder”, afirmou o vocalista Jairo Pereira em uma das poucas manifestações abertamente políticas feitas pelos artistas do line-up. Mas seria estranho se a banda não tivesse essa atitude. Em todas as letras, muito bem escritas por sinal, está presente ao menos uma crítica social. Se em “Preto Cismado” eles cantaram “não posso acreditar que existe um deus que feche com a segregação”, em “Baile Black” eles exaltaram a cultura africana e apontaram para o elitismo do país.

Discretamente, a banda defendeu que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fosse solto - colocando uma fita adesiva com a frase “Lula Livre” na bateria -, e ainda gritou contra o não cumprimento da Lei 10.639/03, que determina o ensino da cultura afro-brasileira nas escolas.

Misturando MPB, funk, rap e música de terreiro, o Aláfia criou um ambiente convidativo para a dança e a reflexão num festival majoritariamente homogeneizado, que diz prezar pela diversidade, mas que na prática se vê muito pouco. Mais do que entregar um discurso político, a banda esbanjou talento, divertiu e certamente garantiu seu posto como uma das melhores atrações desta edição do Lollapalooza.