Gloria Groove deu show como se Lolla fosse palco só seu - e o público amou

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Gloria Groove deu show como se Lolla fosse palco só seu - e o público amou

Drag paulistana esbanjou versatilidade musical, teatro e pirotecnia

Omelete
2 min de leitura
Caio Coletti
27.03.2022, às 23H06
ATUALIZADA EM 29.03.2022, ÀS 16H53
ATUALIZADA EM 29.03.2022, ÀS 16H53

Ninguém veio ao Lollapalooza 2022 mais bem coreografada do que Gloria Groove. Ela subiu ao palco Perry's na noite do domingo (27) com performances impecavelmente ensaiadas para quase todas as canções do setlist, misturando teatro e dança de forma inteligente e realizando trocas de roupa dignas de diva pop - especialmente porque, com muito brilho e opulência, todos os looks deixaram os fãs em polvorosa.

De certa forma, a drag queen paulistana era uma atração inusitada no Perry's, que durante os três dias do festival recebeu majoritariamente artistas de música eletrônica (Alok e Kaytranada estavam na lista, e o show de Gloria foi seguido pelo de Alesso). A estrutura, inclusive, denuncia: o palco quadradinho é ladeado por telões de LED gigantescos dispostos em formas geométricas, próprios para o show de luzes que costuma acompanhar apresentações de DJs.

Nesse sentido, Gloria não ficou atrás deles, iluminando a região do palco Perry's com gráficos multicoloridos e abusando da estrutura pirotécnica do palco. Em "Fogo no Barraco", por exemplo, chamas enormes irrompiam na frente palco, coordenadas com as batidas do refrão. Já a apoteótica "Vermelho", a mais cantada pelos fãs, transformou o mar de gente que assistia à apresentação em um oceano vermelho-sangue. Fogos de artifício e chuva de papel picado marcaram os instantes finais do show.

Musicalmente, enquanto isso, Gloria mostrou bem a potência do seu funk inspirado pelo R&B. A voz retumbante da artista carregou os melhores momentos do show, do agudo aéreo do refrão de "Radar" ao romantismo brega e manhoso (sem nenhuma vergonha de ser, é claro!) de "Apenas um Neném", passando pelo melodrama de "Greta" e "A Queda". Orquestradas e com batidas contundentes, essas duas últimas canções mostram particularmente bem como a cantora é boa em experimentar gêneros diferentes sem perder a brasilidade do funk, do pagode e de outros ritmos tipicamente nossos.

O resultado dessa alquimia toda é um show que, mesmo "concorrendo" com a diva soul Kehlani (no palco Adidas) e a estreladíssina homenagem a Taylor Hawkins (no Budweiser), reuniu um público que a área reservada ao Perry's mal conseguiu comportar. Vale pensar em "promovê-la" para edições futuras, é claro, mas Gloria provou que, quando ela está no palco e para quem a assiste, qualquer palco é gigante, e qualquer festival é show solo.

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