Ron e Barney em Ron Bugado

Créditos da imagem: Ron Bugado/20th Century Studios/Reprodução

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Ron Bugado | "Queríamos reconhecer que todos se sentem sós", dizem diretores

Antes mesmo da pandemia escancarar a solidão nas redes, Jean-Philippe Vine e Octavio Rodriguez queriam falar sobre a realidade mediada por telas na nova animação da 20th Century Studios

Mariana Canhisares
03.11.2021
19h11

“Queríamos reconhecer que todo mundo se sente só”. Depois de mais de um ano e meio convivendo com restrições sanitárias e mantendo a devida distância de amigos e familiares em razão da pandemia, é inegável que a intenção do diretor Jean-Philippe Vine e da equipe por trás da animação Ron Bugado teve um timing e tanto. Nunca ficou tão evidente, para crianças e adultos, a dureza da solidão e da convivência social mediada por telas -- e, portanto, falar sobre isso abertamente se tornou ainda mais relevante de março de 2020 para cá.

Curiosamente, a história de Barney (dublado, no original, por Jack Dylan Grazer), um garoto muito solitário, e seu único amigo, o robô com defeitos Ron (Zach Galifianakis), foi modelada antes de qualquer indício do caos pandêmico que ainda vivemos -- e, como o co-diretor Octavio Rodriguez frisou ao Omelete, não sofreu alterações por causa disso. “Calhou de ser na pandemia, mas [o filme] se manteve o mesmo também porque acreditávamos na história que Sarah [Smith] e Pete [Baynham] escreveram”. De fato, a pandemia apenas enfatizou uma realidade já palpável há muito tempo, mas que nem por isso facilmente compreendida. Como lidar com a noção de que a nossa autoestima e autovalor são tão afetados por interações e comentários nas redes sociais?

“Para nós, era importante dizer para os pequenos espectadores que todo mundo se sente sozinho e inseguro, e que vale se questionar e até se afastar da ideia de como você é visto nas redes. [Que vale] pensar nas suas amizades verdadeiras, aquelas que você fica frente a frente”, explicou Vine. Isso, no entanto, não quer dizer que as redes sociais precisaram ser vilanizadas no filme. No máximo, Ron Bugado faz piada de alguns elementos ridículos das nossas interações virtuais, colocando o b-bot para distribuir post-its com “pedidos de amizade”. O cerne da questão era, na realidade, suscitar o diálogo não só entre as crianças, mas também entre pais e filhos.

“Esse foi um dos pontos que mais me atraiu ao projeto, sendo eu mesmo um pai e tentando encontrar meios de ter essas conversas. Acho grandioso poder falar sobre como as redes sociais podem afetar as crianças e encontrar novas maneiras de se comunicar com elas. E, para nós, pais, tentar navegar [nesse mundo] e estar aberto também”, analisou Rodriguez.

Por isso, além da relação que Barney estabelece com seus colegas de escola, Ron Bugado toma o devido tempo para retratar sua divertida e adorável família. “Retratamos as falhas da paternidade em Graham [Ed Helms], porque ele não sabe de verdade o que está acontecendo com o Barney. Como o Octavio disse, é sobre Graham ouvir o Barney e estar atento ao que ele está passando”.

É claro que, embora o filme lide com situações bastante realistas, ele também está repleto de momentos de comédia que não necessariamente amenizam as dores da solidão. Pelo contrário, dão mais potência para a jornada de crescimento do Barney. E isso não é por acaso. "Quisemos criar personagens cômicos em Barney e em Ron, e personalizar as relações via redes sociais com os b-bots para dar mais dinamismo visual e tornar mais divertido para a animação".

O resultado do que propuseram Jean-Philippe Vine e Octavio Rodriguez você pode conferir com os próprios olhos: Ron Bugado está em cartaz nos cinemas.

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